Filipinos já estão acostumados a realizar o Miss Universo de dia. E para o concurso de 2016 não deverá ser diferente


Em 1974, Bob Barker já era bem claro: o certame passará nas Américas na noite do dia 29 de janeiro de 2017. A mesma noite do SAG Awards

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise
(Atualizado em 14/8/2016 às 13h38)

Reprosução?veestarz.com


O aviso já estava dado

A manhã de 21 de julho de 1974 foi altamente importante para a história do concurso Miss Universo. Realizado pela primeira vez na Ásia, o certame teve como cidade-sede Pasay, cidade da região metropolitana de Manila, a mesma que receberá no dia 30 de janeiro de 2017 a 65ª edição do certame. O evento teve lugar no Centro Cultural das Filipinas e teve a participação de 65 candidatas. A vencedora foi a já falecida atriz espanhola Amparo Muñoz (1954-2011).
Transmitido nos Estados Unidos pela CBS, o Miss Universo 1974 foi visto por 35,58 milhões de telespectadores em 16,35 milhões de domicílios, registrando média de 14,7 e share domiciliar de 54 pontos – marca essa impossível de se atingir nos dias atuais. No Brasil, a transmissão do evento foi feita pela extinta Rede Tupi.
O Miss Universo 1974 ganhou importância também por inaugurar uma série histórica de números de audiência do certame compilada em 13 de julho de 2008 pelo site TVbytheNumbbers, de cuja base de dados o TV em Análise Críticas começou a elaborar em 2009 um banco de dados de informações das audiências verificadas pelo concurso de Miss Universo. O comparativo mais recente foi publicado no dia 24 de dezembro de 2015, quatro dias após o Miss Universo 2015, realizado em Las Vegas. À ocasião, o certame, já sob transmissão da FOX, fundada em abril de 1987, registrou sua segunda pior audiência. Em telespectadores, o Miss Universo 2015 sofreu uma sonora derrota de uma partida do Sunday Night Football, que a NBC (casa do Miss Universo de 2003 a 2014) transmitia.
A candidata brasileira na disputa, a paulista Sandra Guimarães de Oliveira, não se classificou entre as 12 semifinalistas. As Filipinas voltariam a receber o Miss Universo em 21 de maio de 1994, em outro local de Pasay, o Centro Internacional de Convenções das Filipinas. O concurso daquele ano não foi exibido no Brasil.
Durante a programação do Miss Universo 1974, as candidatas nacionais foram recebidas pelo ditador Ferdinando Marcos (1917-1989) e sua esposa, a então primeira-dama Imelda Marcos, 87, famosa por sua vastíssima coleção de sapatos, danificada por uma série de inundações e pelos cupins, que os corroeram com a ação do tempo. Uma ostentação aberrante em plena falta de democracia que as Filipinas deixariam de ter em 25 de dezembro de 1986, quando Corazón “Cory” Aquino (1933-2009) assumiu a Presidência de forma democrática, encerrando 21 anos de uma longa noite que resultou em sangue, suor e lágrimas – no caso, as de Cory Aquibo, que vira seu ex-marido, o líder de oposição Benigno Aquino, ser assassinado com um tiro na cabeça na manhã do domingo 21 de agosto de 1983 (noite de sábado, 20 de agosto, pelo horário de Brasília), no Aeroporto Internacional de Manila, após retornar de um exílio voluntário de três anos nos Estados Unidos, em protesto contra as atrocidades do regime do casal Marcos, que patrocinaram a realização do Miss Universo 1974 no país, mascarando para o mundo um circo de mentiras.
A comoção causada pela morte covarde de Ninoy Aquino fez o Aeroporto Internacional de Manila ser batizado em sua homenagem. É por esse mesmo aeroporto marcado por uma tragédia causada por uma das ditaduras mais sangrentas da Ásia que as 95 candidatas ao título de Miss Universo 2016 passarão, para aprenderem uma importante lição: ditadura, nunca mais. Abaixo, o vídeo do certame

Apresentado no palco por um Bob Barker, 92, de camisa havaiana e com a participação de Helen O’Connell (1920-1993), o Miss Universo 1974 foi marcado pela estreia do sistema métrico decimal no anúncio das medições das 12 semifinalistas classificadas para a fase de trajes de banho em maiô. Entre os prêmios, um carro Toyota Corolla (não nos desenhos atuais) e uma aparelho de TV em cores estéreo.

Exigência e tendência

Para ser inserido no horário nobre americano (das 22h às 23h30, 23h à 0h30, pelo horário de Brasília), o Miss Universo 1974 teve de ser realizado às 10h pelo horário de Manila. O mesmo ocorrerá com o Miss Universo 2016 – começará às 19h pelo horário da costa leste americana (22h, pelo horário de Brasília e 8h pelo horário da capital filipina). Pelo visto, as misses terão de acordar mais cedo.
Programado para a noite de 29 de janeiro de 2017, o Miss Universo 2016 vai ocorrer na mesma hora em que estiver ocorrendo a 23ª edição do Screen Actors Guild (SAG) Awards. A Turner Broadcasting Sustem Latin America, detentora dos direitos de TV paga do Miss Universo para o Brasil, ainda não sabe como irá colocar o certame na grade do canal pago TNT, se em prioridade, como ocorreu em 2014, ou em detrimento, para favorecer a exibição ao vivo do SAG Awards, o que será pouco provável. A tendência é que o esquema das noites de 25 e 26 de janeiro de 2015, quando o Miss Universo foi mostrado ao vivo e o SAG Awards gravado, seja mantido. Em sistema aberto, no entanto, a Band já está com os direitos devidamente assegurados e deverá passar o certame ao vivo, sem maiores sobressaltos. Outras redes abertas nacionais da América Latina deverão fazer o mesmo.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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