Internautas querem Polishop fora da organização do Miss Brasil


Empresa estaria sendo usada pela Band como testa-de-ferro para salvar concessão brasileira do Miss Universo

Da redação TV em Análise

Fotomontagem/Facebook/Cláudio Gamarano

Dois internautas do Rio de Janeiro publicaram no Facebook da coordenação brasileira do concurso de Miss Universo na tarde do sábado (30) fotomontagens críticas à gestão da Polishop como promotora do concurso Miss Brasil, etapa brasileira da disputa internacional de beleza feminina. Em uma das montagens, mostra-se o rascunho de uma mulher aparentemente branca, comparado com o de uma mulher encaracolada, com os dizeres “a miss que o Brasil quer” e “a miss que a Polishop quer”, seguida da hashtag #ForaBeEmotion. Be Emotion é a marca de produtos de beleza e higiene pessoal pertencente à Polishop que assumiu o naming right do concurso de Miss Brasil, em 31 de outubro de 2015, através de acordo de cessão de direitos feito pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, detentor formal da concessão do Miss Universo para o país desde 2012. De 2003 até então, o Grupo, através da Rede Bandeirantes de Televisão, apenas detinha os direitos de transmissão em TV aberta tanto do Miss Brasil quanto do Miss Universo, pagos à Gaeta Promoções e Eventos. A exibição em TV paga do Miss Universo para o país é exclusiva da programadora Turner Broadcasting System Latin America, através do canal TNT, desde 2005.

Fotomontagem/Facebook/Kelven Colli

Em outra montagem, outro internauta vai mais além: “Não queremos um desfile de moda. Queremos um concurso de miss”. A frase, embora sem citar nomes, é dirigida à diretora da agência Ford Models Brasil, Denise Céspedes, 51. A empresa da qual Céspedes é diretora é uma das proprietárias, ao lado da Polishop e da empresa americana de entretenimento WME/IMG, da Organização Miss Brasil Universo, empresa de fachada criada para supostamente profissionalizar a arcaica estrutura de organização dos mais de 300 concursos regionais organizados em todo o país válidos pela etapa brasileira do Miss Universo, incluindo os 27 estaduais.
Extraoficialmente, as críticas dos internautas cariocas foram recebidas na Band como um ataque ao consórcio Polishop/Be Emotion, que ainda não assumiu as rédeas do concurso Miss Rio de Janeiro 2016. A data da etapa fluminense do Miss Brasil 2016 inicialmente é trabalhada para o sábado (27), mas pode sofrer ajustes para atender a necessidades de programação da emissora, que pretende mostrar a disputa carioca para todo o país, passado o ciclo olímpico.
Fontes da Miss Universe Organization afirmaram ao TV em Análise Críticas que a Polishop estaria sendo usada pelo Grupo Band como uma forma de não perder a concessão do Miss Universo para o Brasil, e assim impedir que a WME/IMG a negocie com empresas concorrentes, como é o caso da T4F (organizadora do Lollapalooza Brasil) e Artplan (organizadora do Rock in Rio). As duas empresas são parceiras da Rede Globo na promoção de seus eventos. Na avaliação de um alto diretor da WME/IMG, que pediu para não ser identificado, “se fecharmos o Miss Universo com a Globo, termos um grande retorno, pois dessa forma, faremos com que o Miss Brasil volte a ter grandes anunciantes, como já teve no passado”. Procuradas pela reportagem do Críticas, Band e Polishop não retornaram os pedidos de perguntas até o fechamento desta matéria.

Apesar das críticas, modus operandi da Polishop recupera audiência nacional de concursos estaduais da Band após o Miss Brasil 2015

Desde que passou a ter a Polishop como patrocinadora master do Projeto Miss, a Band só viu a audiência nacional dos concursos sob sua responsabilidade crescer – de 3,175 milhões de telespectadores verificados no pré-show do Miss Brasil 2015, em 18 de novembro de 2015, saltou-se 57,23% para 4,992 milhões de telespectadores no Miss Rio Grande do Sul 2016, realizado no dia 23 de julho. O dado é relativo à medição da empresa Kantar Ibope Media nos 15 mercados mais importantes para o mercado publicitário brasileiro – São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Brasília, Goiânia, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
Das etapas estaduais do Miss Brasil 20156 que a Band televisionou até o momento em rede nacional, a de maior audiência foi a de São Paulo – 5,33 milhões de telespectadores e média de 7,8 no alcance individual e 533.010 telespectadores e média individual de 0,8 nos números rígidos do PNT. Em ambos os casos, o concurso paulista teve 6,76% a mais de público que a etapa gaúcha – 4,99 milhões de telespectadores e média de 7,3 no alcance individual e 499.230 telespectadores e média individual de 0,7 nos números rígidos.
Apesar das boas notícias, o número de telespectadores dos boletins do Miss Brasil 2016 caiu 9,01% – de 266.810 e média de 0,4 no dia 4 de junho, despencou para 242.750 e 0,3 no boletim do Miss Rio Grande do Sul 2016, veiculado antes da transmissão do certame. O boletim do Miss Brasil exibido antes do pré do certame gaúcho teve 4,3% a mais de telespectadores – 253.190 e média de 0,4.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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