Coluna de Marcos Sacramento: Quem é a comediante que fatura em cima de um esporte nacional, detonar o Brasil


Como explicar o rancor e ódio da comediante e youtuber Marcela Tavares, a oito dias da abertura da Rio 2016?

Marcos Sacramento
Do Diário do Centro do Mundo(*)

Reprodução/Diário do Centro do Mundo


Tem tudo para traçar um caminho parecido ao de Rachel Sheherazade

Criador da expressão “complexo de vira-latas”, Nelson Rodrigues ficaria pasmo se ressuscitasse e visse como a baixa autoestima de alguns brasileiros se transformou em uma formidável fonte de renda.
Só isso explica a popularidade da comediante e youtuber Marcela Tavares, que muita gente só passou a conhecer após a repercussão do vídeo em que é nos EUA vaiada por criticar o Brasil.
Dona de uma página no Facebook com quase 2,5 milhões de seguidores e de um canal no Youtube, Marcela se exibe em vídeos capazes de deixar aqueles sujeitos “revoltados com tudo que está aí” com os olhos brilhando em êxtase.
Sobram críticas aos políticos, às corrupção, à tal crise econômica, ao preço da conta de luz e à presidente Dilma Rousseff, chamada por ela de “excelentíssima senhora presidente analfabeta funcional”.
Sua obsessão atual são os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, assunto de vários vídeos onde ela não economiza nos termos chulos. Um deles, com legenda em inglês, é um tutorial de sobrevivência para o turista que for ao evento.
Nele estão listados os velhos problemas do Rio de Janeiro e de muitas capitais brasileiras: transporte público deficiente, violência, poluição, as doenças provocadas pelo aedes aegypti e as dificuldades do SUS.
Embora muitas das queixas tenham fundamento, suas falas são rasteiras e só servem para seus fãs cultivarem a ideia de que não têm responsabilidade alguma pelos problemas do país. Ela aborda superficialmente as mazelas sociais mas não apresenta sugestões coerentes para resolvê-las ou informações novas que promovam algum tipo de debate. Tampouco diverte.
No máximo atua como porta-voz de uma legião insatisfeita e alucinada pelos seus olhos esbugalhados como os da Senhora Eduardo Cunha e o tom de voz imperioso no estilo Rachel Sheherazade.
A jornalista, a propósito, conseguiu fazer seu pé de meia depois que um vídeo onde ela destila sua revolta com o Carnaval caiu nas graças de Sílvio Santos.
Marcela Tavares tem tudo para traçar um caminho parecido. Lançou livro, viaja pelo país para fazer stand up comedy e tem dado entrevistas a programas de televisão.
Tem até potencial para conquistar o próprio programa, porque não falta gente complexada disposta a dar audiência a discursos de que “o país está uma merda e nada nessa terra funciona”, demonstrando uma resignação travestida de revolta.

(*)Marcos Sacramento, capixaba de Vitória, é jornalista. Goleiro mediano no tempo da faculdade, só piorou desde então. Orgulha-se de não saber bater pandeiro nem palmas para programas de TV ruins.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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