EXCLUSIVO: Polishop teria aberto empresa em paraíso fiscal para promover o concurso Miss Brasil


Organização Miss Brasil Universo teria sede em Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas, e estaria usando “laranjas” de deputados e senadores que votaram a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e pediram ao TSE a cassação de Temer

Da redação TV em Análise

PSDB/Divulgação/23.02.2016


Um dos supostos donos do certame seria o deputado Carlos Sampaio, autor da ação do PSDB que pede a cassação de Dilma e Temer junto ao TSE

Um dos mais tradicionais concursos de beleza do mundo que já revelou nomes como Martha Rocha, Vera Fischer, Grazi Massafera, dentre outras, agora corre o risco de parar nas manchetes policiais. Documentos obtidos pela reportagem do TV em Análise Críticas atestam que a empresa de varejo Polishop, dona do concurso Miss Brasil válido pelo Miss Universo desde o final de outubro do ano passado, teria formado uma holding na cidade de Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal de políticos e empresários brasileiros acusados de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas e tráfico de drogas.
De acordo com os papéis, a Organização Miss Brasil Universo Entertainment B.V. teria sido formada em 21 de outubro de 2015, sem o consentimento das autoridades financeiras nem do Brasil, tampouco da Grã-Bretanha. A empresa é resultado da aquisição de 100% dos ativos da Enter-Entertainment Experience, empresa de eventos que o Grupo Bandeirantes de Comunicação fechou no dia 15 de janeiro de 2016. Fontes da direção da Polishop informaram ao Críticas que a criação da Organização Miss Brasil Universo “foi necessária para evitar que se prejudicassem os interesses das 27 candidatas estaduais previamente eleitas ou aclamadas” e “não se decepcionassem os torcedores e famílias das candidatas envolvidas no processo de competição”.
No entanto, trechos dos papéis da Miss Brasil Universo Entertainment apontam que o verdadeiro dono da concessão do Miss Universo para o Brasil não é o empresário João Appolinário e sim o deputado federal Eli Corrêa Filho (DEM-SP), que estaria se valendo de “laranjas” e testas de ferro para operar a entidade. No papel, os donos da MBU seriam Appolinário, a ex-modelo Denise Céspedes, dona da Ford Models Brasil, e o empresário americano Ari Emanuel, dono do grupo de entretenimento WME/IMG e coletor de doações de atores, cantores, roteiristas, apresentadores, estrelas de realities e diretores de televisão e cinema para campanhas do Partido Democrata para a Presidência dos Estados Unidos desde 2004. Na prática, a concessão do Miss Brasil válido pelo Miss Universo é de Corrêa Filho e de sua esposa, envolvida em um escândalo de superfaturamento nas obras da alça norte do Rodoanel, em Guarulhos (região metropolitana de São Paulo). Em 17 de abril de 2016, Corrêa Filho ganhou notoriedade ao declarar voto (dedicado à esposa agora envolvida no escândalo do Rodoanel “e pelo futuro das minhas filhas Sofia e Luna e de todos os brasileiros”) a favor da admissibilidade pela abertura do processo de impedimento da presidenta legítima do Brasil, Dilma Rousseff, 68. Veja o voto no vídeo abaixo

Outro parlamentar apontado como possível dono da Organização Miss Brasil Universo seria Carlos Sampaio (PSDB-SP), 53, autor, na condição de vice-presidente nacional do partido, junto ao Tribunal Superior Eleitoral da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) da chapa de Dilma e de seu candidato a vice, o presidente interino Michel Temer, 75. De acordo com o presidente da Corte, Gilmar Mendes, 60, o processo só deverá ser julgado em 2017, sem data prevista. Os dois parlamentares negaram ser donos do concurso e disseram desconhecer pessoas ligadas ao ramo de concursos de beleza.

Para área jurídica da Band, papéis são “invenção de gente derrotada”

Fontes do departamento jurídico da Rede Bandeirantes afirmaram ao TV em Análise Críticas que os supostos papéis do Miss Brasil nas Ilhas Virgens Britânicas não passam de “delírios” de coordenadores estaduais que foram descredenciados pela Enter entre os anos de 2012 e 2015.”Essa conversa de que o Miss Brasil é empresa formada em Road Town não passa de imaginação de gente que não soube gerir com ética o seu concurso estadual e o usou para as práticas mais sórdidas, como já é de conhecimento da grande mídia”, afirmou em off um dos advogados que cuidam da defesa da Band no processo movido contra o ex-coordenador do Miss Serghipe, Deivide Barbosa, afastado em maio do ano passado por fraudar resultados da etapa local do Miss Universo para agradar políticos do PT, PSDB, DEM, PPS e Solidariedade, com representação na Assembleia Legislativa, Câmaras de Vereadores das cidades das candidatas municipais, Câmara dos Deputados e Senado Federal. O processo está em fase inicial.
Parlamentares do PT como João Daniel já estariam articulando a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara dos Deputados para apurar as denúncias veiculadas em órgãos de imprensa e sites especializados. No entanto, dentro da Câmara, a forte ligação de boa parte dos 400 parlamentares da base de apoio ao governo provisório de Temer com empresas que patrocinaram o Miss Brasil na Band desde 2005 deve “matar” uma eventual investida petista para investigar uma indústria que, durante os governos de Lula e Dilma, atingiu seu auge, a ponto de se realizarem no país cinco concursos nacionais para oito concursos internacionais diferentes, nas mãos de cinco entidades – Organização Miss Brasil Universo, Concurso Nacional de Beleza (Miss Mundo Brasil), Miss Brasil Latina, Miss Brasil Globo e Miss Brasil Internacional. Ao Críticas, a Liderança do PT na Câmara negou estar articulando CPI para investigar concursos de beleza feminina realizados no país. “Seria outra forma de dar ração às investidas misóginas do governo golpista contra as políticas de proteção às mulheres que tanto defendemos nos 13 anos em que estamos no poder”, ressalta a nota enviada pela bancada petista.
Até mesmo parlamentares de Estados com maior tradição no Miss Brasil, como a senadora Ana Amélia Lemos, do PP do Rio Grande do Sul, acham que a proposta de se investigar os concursos de misses no poder legislativo federal não passa de aberração. “Nós temos assuntos mais urgentes (do que investigar concurso de miss), porque o Brasil tem pressa”, ressaltou a parlamentar. Em toda a história do Miss Brasil, o Rio Grande do Sul acumula 14 títulos nacionais, incluindo o conquistado por Ieda Maria Vargas em 1963. Nesse ano, ela trouxe a única coroa de Miss Universo para o Estado. Das outras 13 gaúchas que venceram o Miss Brasil desde 1956, três ficaram entre as cinco finalistas, cinco ficaram entre as semifinalistas e cinco não se classificaram entre as semifinalistas.

Técnicos da Receita riem de papelada: “Isso é coisa de débil mental”

O TV em Análise Críticas levou os supostos papéis da empresa de fachada do concurso Miss Brasil supostamente montada nas Ilhas Virgens Britânicas para cinco técnicos da Receita Federal, entre eles dois ex-secretários da Receita, que terão seus nomes preservados. “Isso aqui é uma palhaçada! Está parecendo uma encenação de teatro feita num hospício em linhas tortas e escrita de trás para a frente e de cabeça para baixo! Essa gente (que teria forjado os papéis) está brincando com a cara da sociedade brasileira!!!”, disse, indignado, um dos auditores federais que o Críticas conseguiu ouvir. Para a União Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco), a papelada da Organização Miss Brasil Universo Entertainment “não passa de uma comédia de mau gosto”. De acordo com um porta-voz da entidade, “não se deve brincar com pessoas de bem, para não forçar prejulgamentos precipitados pelo conjunto de elenco dos órgãos de imprensa”.

Outro lado

Procuradas pela reportagem do TV em Análise Críticas, a Band, a Polishop, a Ford Models Brasil e a WME/IMG negaram todas as acusações mostradas nesta matéria. A Miss Universe Organizxation, através de nota, manifestou “repúdio a práticas de corrupção verificadas em etapas regionais do nosso franqueado Miss Brasil Universo” e diz acreditar “na força das autoridades legalmente constituídas para investigar abusos e irregularidades praticados por filiados regionais a nossos franqueados nacionais”.
Em matéria publicada nesta segunda-feira (11), o Críticas denunciou o que poderia ser a ponta de um amplo esquema de manipulação de resultados, favorecimento à prostituição, corrupção de menores, peculato, prevaricação e advocacia administrativa em pelo menos 15 das 27 coordenações estaduais do concurso Miss Brasil, que elege a representante brasileira para o concurso de Miss Universo. A Band afirma que já abriu uma investigação interna para apurar os nomes dos coordenadores envolvidos e denunciá-los às polícias civis estaduais e, dependendo do caso, à Polícia Federal. Parte dos coordenadores sob investigação por parte da Band pode ter ligações com denunciados pelas Operações Boi Barrica, Castelo de Areia, Custo Brasil, Lava Jato, Narciso, Pororoca, Satiagraha, Triplo X e Zelotes, deflagradas pela PF entre 2005 e 2016, anos em que a Band tem tido os direitos de transmissão do Miss Universo, do Miss Brasil e de parte dos concursos estaduais.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para EXCLUSIVO: Polishop teria aberto empresa em paraíso fiscal para promover o concurso Miss Brasil

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