EXCLUSIVO: Band pode ter feito mau negócio com a Polishop pelo concurso Miss Brasil


Empresa de televendas já contabiliza um rombo de R$ 339 milhões com as despesas de organização das 27 etapas estaduais

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/16.11.2015


Polishop pagou R$ 22 milhões à Band para organizar o Miss Brasil 2015 e outros R$ 88 milhões em quatro certames estaduais de 2016. Ainda assim, vendas da marca de cosméticos oficial dos certames empacaram

Diretores da empresa de varejo Polishop admitiram ao TV em Análise Críticas, pela primeira vez, que as contas do Projeto Miss 2016 não estão fechando direito. De acordo com essas fontes, a Polishop teve perdas de R$ 339 milhões desde janeiro, quando anunciou o início formal da organização dos 27 concursos estaduais e de cerca de 350 concursos municipais válidos pelo título de Miss Brasil 2016, que credenciará a representante brasileira na disputa do título de Miss Universo, no sábado, 1º de outubro, no Citibank Hall, em São Paulo. A disputa internacional está marcada para o domingo, 18 de dezembro, na T-Mobile Arena, em Las Vegas.
Segundo os diretores da Polishop, que pediram para não terem seus nomes citados com medo de represálias, a empresa esperava incrementar as vendas da marca de cosméticos Be Emotion, que dá o naming right da etapa brasileira do Miss Universo. Não vendeu uma única unidade sequer. Desde que assumiu a administração do concurso Miss Brasil, em novembro de 2015, as vendas da Polishop despencaram 70%, de acordo com dados não oficiais, mas o percentual dessa perda poderá ser maior, no que depender de uma auditoria independente contratada a pedido do CEO da companhia, João Appolinário. “Estamos vendendo um produto (o concurso de miss) que aparentemente valia uma joia de brilhantes, mas que na verdade, estamos vendendo-o a preço de banana”, revelou um dos representantes da Polishop, que também não poupou críticas à empresa norte-americana WME/IMG (dona do concurso Miss Universo) e à Ford Models Brasil (agência gestora das carreiras das candidatas ao Miss Brasil).
Diretores da Rede Bandeirantes, emissora que detém a representação do concurso Miss Universo para o Brasil, também teriam se mostrado apreensivos quanto aos maus resultados da Polishop na gerência dos concursos regionais válidos pelo Miss Brasil. Apesar da preocupação, a parceria das duas empresas para a realização do Miss Brasil 2016 está mantida. Uma extensão contratual já estaria sendo negociada até 2021, para prevenir que outras redes, inclusive a Globo, entrem na disputa de licitações futuras pelos direitos de transmissão do Miss Brasil. De acordo com especialistas de mercado, estima-se que a Polishop tenha pago à Band R$ 22 milhões para produzir o concurso Miss Brasil 2015 para a emissora paulista. Outros R$ 88 milhões já teriam sido gastos com os direitos de produção dos concursos estaduais do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos integrantes do plano de transmissões nacionais da Band a partir de 2017.
Procurada pela reportagem do Críticas, a direção da Miss Universe Organization, sediada em Nova York, disse não ver nada de anormal nas relações com o Grupo Band na promoção do concurso Miss Brasil e esclareceu que a Polishop “é uma mera patrocinadora e parceira comercial importante para o fortalecimento da franquia brasileira do Miss Universo”. A entidade informou que não irá comentar sobre supostos rombos financeiros na gestão da Organização Miss Brasil Universo. “A gestão financeira e administrativa da franquia nacional do Miss Universo é de inteira responsabilidade do franqueado, cabendo a este zelar por sua boa administração”, finaliza a nota da MUO enviada à redação do Críticas.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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