Mesmo fora da organização, mas ainda com a concessão do Miss Universo nas mãos, Band determina repressão a ‘book rosa’ e prostituição em etapas estaduais do Miss Brasil 2016


Na avaliação da presidenta da Miss Universe Organization, Paula Shugart, escândalos como os verificados em Alagoas e Sergipe não devem se repetir. Coordenação brasileira corre risco de ser descredenciada caso medidas não sejam adotadas

Da redação TV em Análise

Lucas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/16.11.2015


Miss Universe Organization deu aval para banimento de coordenadores

Embora esteja limitada desde novembro passado apenas a mera emissora oficial, a Rede Bandeirantes contratou uma junta de advogados para coibir práticas do chamado “book rosa” em parte dos 27 concursos estaduais do Miss Brasil válido pelo Miss Universo. A informação foi dada na coluna do jornalista Flávio Ricco publicada nesta segunda-feira (27), pelo portal UOL, do Grupo Folha.
De acordo com setores da área jurídica da Band, o alto volume de denúncias feito por candidatas municipais e estaduais de práticas de assédio e prostituição obrigou a emissora a mobilizar uma banca de cerca de 30 advogados para coibir essa prática. No entanto, tal contingente poderia ser maior dada à quantidade de concursos municipais que é realizada – cerca de 350 para 21 concursos estaduais. Especialistas jurídicos em organização de grandes eventos e concursos nacionais e internacionais de beleza revelaram ao TV em Análise Críticas que o ideal seria que o consórcio organizador do Miss Brasil, formado pela Polishop, WME/IMG e Ford Models Brasil, somado à Band, contasse com 150 advogados para reprimir práticas de ‘book rosa’ nos concursos regionais. Desde que a Organização Miss Brasil Universo foi formada, em janeiro último, dois coordenadores estaduais – o alagoano Márcio Mattos e o sergipano Deivide Barbosa – foram descredenciados dos quadros de franqueados regionais da Miss Universe Organization, entidade sediada em Nova York (EUA), responsável pela organização do concurso de Miss Universo e fiscalização das franquias nacionais.
De acordo com fontes da Organização Miss Brasil Universo, a expectativa é que, com a “limpa” ordenada pela Band, pelo menos nove Estados deverão ter seus coordenadores do Miss Brasil descredenciados até o fim do ano e não terão seus contratos renovados para o ciclo do Miss Brasil 2017. Estados mais pobres como Maranhão, Piauí e Tocantins estão na mira da “faca” a ser passada. A presidenta da Miss Universe Organization, Paula Shugart, se disse “horrorizada” com os relatos traçados pelo consórcio do Miss Brasil e ordenou “punições severas aos franqueados regionais que facilitarem a prostituição e exploração sexual de candidatas”. Pelo Código Penal Brasileiro, a prática de facilitação à prostituição é crime e tem pena de dois a cinco anos de prisão e pagamento de multa. Dada à morosidade do sistema judiciário do país, não há notícia, na história do Miss Brasil, de coordenador estadual ou municipal que tenha sido preso por tal prática.
Caso as providências cabíveis para a repressão ao “book rosa” nos concursos regionais não sejam adotadas, a Organização Miss Brasil Universo poderá ser descredenciada pela Miss Universe Organization. Por tabela, o país correrá sério risco de ficar sem candidata na disputa do título de Miss Universo 2016, prevista para o dia 18 de dezembro, na T-Mobile Arena, em Las Vegas. Nominalmente, a licença brasileira do Miss Universo pertence à Band, mas, na prática, a gestão administrativa do Miss Brasil (etapa nacional) é feita pelo consórcio Polishop/Ford Models/WME/IMG.

Medidas também visam coibir corrupção e compra de votos

De acordo com representantes da Band e da Organização Miss Brasil Universo, o pacote de vigilância judicial vai cobrir também denúncias de corrupção, suborno e extorsão de jurados nas etapas regionais do Miss Brasil 2016. Em Estados como Pará e Amazonas, a prática é bastante comum. No entanto, nenhuma denúncia foi provada contra os coordenadores dessas regiões. Outro câncer que a Band prometeu combater à MUO nos estaduais do Miss Brasil é o apadrinhamento político. Em pelo menos 17 coordenações – Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Acre, Rondônia e Rio de Janeiro – há indícios fortíssimos de envolvimento de partidos como PT, PSDB, PMDB, DEM e PPS no aparelhamento dos concursos de beleza a serviço de projetos locais de poder, inclusive com uso eleitoral em campanhas políticas.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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