Paga-se uma miséria extrema para Marthina Brandt aparecer em concursos estaduais do Miss Brasil 2016


Não na moeda de George Washington, mas na do Cumpadre Washington

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Instagram/Marthina Brandt/11.06.2016


Marthina Brandt em etapa estadual de Cuiabá: esmola para Grazi

Um dos itens do Manual de Ética e Operações que a Organização Miss Brasil Universo lançou em seu site para o concurso Miss Brasil 2016 chama a atenção não pela sua importância, mas pela irrelevância a que joga o concurso que revelou em um passado distante nomes como Vera Fischer, Martha Rocha, Grazi Massafera, dentre outras. A cobrança de um “cachê simbólico” de R$ 4 mil a cada um dos 27 coordenadores estaduais que requisitarem a presença da Miss Brasil 2015 Marthina Brandt, 24, assusta. Não pelo absurdo de superfaturamento que costuma se reclamar de estrelas do axé ou do sertanojo universotário requisitados por prefeitos e governadores metidos até à medula em inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal, Tribunal de Contas da União, Tribunais de Contas dos Estados e Ministérios Públicos Federal, Eleitoral e Estaduais. Mas pelo nanismo a que se jogou o principal concurso de beleza do país, jogando para níveis abaixo de Venezuela, Colômbia, Rússia ou Estados Unidos.
Aos olhos dos mais experientes especialistas de mercado no agenciamento de talentos e representação artística do país (inclusive aqueles abençoados pela maldita Lei Rouanet de renúncia fiscal), a cobrança do cachê de Marthina para aparecer em concursos regionais do Miss Brasil 2016 é sinal evidente de subfaturamento. Subvaloriza uma indústria que se pretende formar no país, a dos concursos de beleza respaldados por acordos multi anuais e milionários de transmissão, como o que a Band fechou em outubro passado com a Miss Universe Organization para manter a concessão do Miss Universo para o Brasil e permitir, com a chancela da WME/IMG, a venda da administração do concurso Miss Brasil para a empresa de varejo Polishop. Após a posse do certame aprovada pelo empresário Ari Emanuel, 55, a Polishop registrou um crescimento de 65% no número de reclamações na Fundação Procon do Governo do Estado de São Paulo entre os anos de 2015 e 2016. Desde 2009, a nova dona do Miss Brasil acumula 173 reclamações no Procon-SP, boa parte delas por propaganda enganosa e produtos entregues com defeito. E parece que tal teoria está se empregando nos certames que coordena.
Em plena Belíndia, o valor que a Organização Miss Brasil Universo cobra em moeda local dos coordenadores regionais para a atual Miss Brasil aparecer nos seus certames não é nem um terço do que é cobrado pela WME/IMG dos coordenadores estaduais do Miss USA. Estima-se que a Miss Universe Organization cobre dos contratantes tanto da Miss Universo 2015 Pia Wurtzbach quanto da recém-eleita Miss USA 2016 Deshauna Barber em torno de US$ 10 mil a US$ 12 mil por evento. Em caso de concurso nacional televisionado, os valores sobem, a depender da moeda corrente local empregada. Para a ex-miss USA Olivia Jordan aparecer no Binibining Pilipinas 2016, a empresa organizadora do certame pagou US% 29 mil, cobertos pelos patrocinadores locais. E, para a Polishop, dinheiro parece não ser problema para pagar cachês de contratados da Rede Globo apresentarem os concursos estaduais e nacional. Isso, a despeita da curva ascendente de denúncias contra a empresa nos órgãos de defesa do consumidor. No entanto, na conversão dos valores cobrados para Brandt aparecer nos certames para o dólar norte-americano, Deshauna e Pia perdem: considerando-se os valores desta terça-feira (14), a Miss Brasil 2015 não aparece em concursos estaduais por menos de US$ 13,92 mil.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s