Negociações para Las Vegas sediar Miss Universo entre 2016 e 2018 devem acabar com ‘boquinha’ de governos estrangeiros


Estimativa é de que WME/IMG economize US$ 150 milhões com transporte de equipamentos e pessoal para fora do território americano

Da redação TV em Análise

EFE/14.02.2010


Santa Crua de la Sierra 2010: ideologias bolivarianas e fanfarronice

A informação do repórter Robin Leach, publicada na edição eletrônica do jornal Las Vegas Sun na tarde da terça-feira, 31 de maio, de que a Miss Universe Organization estaria negociando um contrato de residência de longo prazo para a organização dos concursos Miss Universo e Miss USA com o Las Vegas Convention and Visitors Authority (LVCVA), o resort MGM Grand e a T-Mobile Arena caiu como uma bomba de efeito moral (dessas que a Polícia Militar de São Paulo taca em manifestantes) sobre as coordenações nacionais que já costuravam acordos, mesmo que às escuras, para disputarem o direito de sediar a 65ª edição do Miss Universo. De acordo com a presidenta da entidade, Paula Shugart, o novo grupo controlador, o gigante de entretenimento WME/IMG, considera Las Vegas como sua “segunda casa”.

Bruno Zanardo/Fotoarena/12.09.2011


São Paulo 2011: sem bolivarianismos, nem renúncias fiscais

Na prática, o acordão que Shugart começa a costurar com a cidade de Las Vegas esteriliza a “indústria” que o Miss Universo criou nas disputas das cidades-sedes desde que Atenas teve esse privilégio, em 21 de junho de 1973. O caso da queda de braço travada com o governo da Bolívia pela sede do Miss Universo 2010 ainda dói bastante nas consciências dos executivos que continuaram na MUO mesmo após a venda da entidade por parte do pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, 69. Para tentar levar a estrutura do Miss Universo a um país sul-americano de mentalidade socialista-bolivariana, iriam se gastar US$ 150 milhões à toa, fora as taxas de franquia que deixaram de ser pagas dadas às imposições ideológicas do presidente Evo Morales. Para a realização do Miss Universo 2011, em São Paulo, a MUO não quis saber de aborrecimentos estatais. Mandou a Lei Rouanet e a Lei Sarney para as prostitutas bunheads que as pariram após a redemocratização do Brasil, iniciada em 15 de março de 1985. Fez-se um acordo direto com a Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, nas barbas da família Marinho, dona do principal grupo de comunicações do país.

Alexander Nemenov/AFP Photo/09.11.2013


Moscou 2013: negócio fechado por aliado de Putin, do Panama Papres

Com o convescote costurado com a Band no Brasil, a Miss Universe Organization partiu em 2012 para uma novela dominicana de tratativas malsucedidas. O presidente recém-empossado Danilo Medina, após consultar o Fundo Monetário Internacional, mandou avisar Shugart e Trump que não daria Lei Rouanet nenhuma da República Dominicana para fazer o Miss Universo 2012 em Santo Domingo. Recorreu-se à solução caseira de fazer o certame em Las Vegas, após o lamentável caso boliviano-bolivariano de 2010. Em junho de 2013, um empresário ligado ao presidente russo Vladimir Putin, citado recentemente no escândalo dos “Panama Papers”, pagou sua fortuna pessoal para tentar fazer marketing com a cobertura que a emissora de então do Miss Universo, a NBC, faria da Olimpíada de Inverno de Sochi, em fevereiro do ano seguinte. Desta feita, a chiadeira partiu da turma dos direitos humanos, que atacou Putin por proibir a difusão da causa LGBT na Rússia, assustando até mesmo o Comitê Olímpico Internacional.

Centro de Eventos do Ceará/Setur-CE/Divulgação/10.11.2013


Fortaleza 2014: Superfaturamento, corrupção e mentiras

Para a cidade de Fortaleza, capital do Ceará, sediar o concurso de Miss Universo 2014, se fez a maior pornografia com o uso do Erário público. Documentos do Tribunal de Contas do Estado, publicados pelo jornal O Povo, mostraram um palco gigante de irregularidades na construção do Centro de Eventos do Ceará, tocada pela empresa Galvão Engenharia, que teve diretores presos pela Operação Lava Jato, da Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná. Aos ouvidos de Trump, Paula Shugart e de outros 18 executivos da MUO, o escárnio de R$ 122,71 milhões no Centro de Eventos do Ceará soou como episódio de American Horror Story: Asylum escrito por um trabalhador analfabeto da construção civil, em plena fila de 12 milhões de desempregados em português errado.
O escândalo das renúncias fiscais que quase fizeram o Miss Universo 2014 ocorrer em Fortaleza em meio ao turbilhão da tensão política da eleição presidencial de 2014 motivou Trump a, no lançamento de sua campanha presidencial, assacar os ódios que ainda lhe estavam interiores em relação à América Latina, Brasil incluso. Não contava Trump com uma gama de consequências danosas as quais Paula Shugart teve de servir de bombeira para apagar o Edifício Joelma que estava pegando fogo no seu gabinete da Avenue of the Americas. Foi a Baton Rouge como uma Kris Jenner. Saiu de lá entronizada para comandar o processo de transição da MUO para as mãos do hebreu Ari Emanuel – nada a ver com os hebreus barbudos da novela Os Dez Mandamentos.
Embora ainda esteja sendo conversada e meditada, a decisão da Miss Universe Organization de fazer o concurso Miss Universo acontecer em Vegas e ficar em Vegas entre 2016 e 2018, como diz o famoso adágio de Las Vegas, enterra um ciclo de privilégios absurdos que as gestões anteriores do concurso fizeram e permitiram fazer. Concederam “boquinhas” para ditadores e governantes corruptos de plantão, como aconteceu nas Filipinas (1974), El Salvador (1975), Equador (2004) e Tailândia (1992 e 2005). Fomentaram revoltas populares que resultaram na deposição de vermes como Ferdinando Marcos, os quais o Diabo se encarregará de carregá-los para o lixo da história.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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