EXCLUSIVO: Empresa que poderá tirar Miss Brasil da Band por doador de Hillary está entre beneficiárias da Lei Rouanet impedidas de serem investigadas por juiz da Lava Jato


Time4Fun arrebatou R$ 13,4 milhões em projetos que incluíram o Lollapalooza Brasil

Da redação TV em Análise
(Atualizado em 6/6/2016 às 12h24)

Lucas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/18.11.2015


Organizadores do Miss Brasil asseguram não ter recebido nada do MinC

Com um pé na posse imediata da concessão do concurso Miss Universo para o Brasil a partir de 2021, quando acabarem os vínculos da Band e da empresa de varejo Polishop com a Miss Universe Organization, a empresa de entretenimento T4F Entretenimento, dona de casas de espetáculos como o Citibank Hall de São Paulo e a licença do festival Lollapalooza Brasil obtida junto à empresa norte-americana WME/IMG, ficou a poucas horas de ser investigada pela Polícia Federal nos casos dos repasses milionários da Lei Rouanet ligados a investigados pela Operação Lava Jato, da Superintendência da Polícia Federal no Paraná. Na noite da sexta-feira (3),o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, mandou parar as investigações da PF sobre os repasses da Rouanet, criada em 1991 no governo de Fernando Collor (PTC), e determinou que o caso ganhasse uma investigação específica, desvinculada da Lava Jato, que já cumpriu 30 de 34 fases possíveis.
Em 2014, a T4F, como é conhecida, assinou contrato de exploração da marca Lollapalooza Brasil pelo prazo de 30 anos com a WME/IMG, empresa de propriedade de Ari Emanuel, 55, e Patrick Whitesell, 51. Emanuel é conhecido nos meios políticos americanos por cortejar dinheiro de celebridades para campanhas do Partido Democrata. Já Whitesell é membro votante da academia que organiza o Oscar. De acordo com o Ministério da Cultura, que fiscaliza a aplicação dos recursos da Rouanet, a T4F, que em 2015 obteve R$ 13.465.000,00 da renúncia fiscal para financiar o Lolla e shows de artistas, fica atrás apenas da Aventura Entretenimento (do empresário carioca Luiz Calainho, aliado do PSDB, com R$ 21.712.526,10), do Instituto Tomie Othake (R$ 16.733.526,17), do Museu de Artes de São Paulo (R$ 17.724.344,00) e do Instituto Itaú Cultural (R$ 14.730.000,00). Mas fica à frente de entidades como a Fundação Bienal de São Paulo (6ª no levantamento do MinC, com R$ 13.220.450,00), a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (8ª, R$ 10.799.780,00), a Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (11ª, R$ 9.789.326,19), o Museu de Arte Moderna de São Paulo/MASP (12ª, R$ 8.076.529,76) e a Fundação Roberto Marinho (13ª, R$ 7.550.000,00).

Reprodução?Diário do Centro do Mundo

Fontes da Miss Universe Organizxation informaram ao Críticas que a captação de recursos públicos para a realização de edições do Miss Universo fora dos Estados Unidos – como a Time4Fun fez em 2011 com a Enter, extinta empresa de eventos do Grupo Bandeirantes de Comunicação – “é normal, desde que obedeça aos parâmetros legais vigentes no país interessado em sediar o concurso. De 1973 a 2013, 22 países e territórios receberam o Miss Universo, alternados com sedes em cinco cidades americanas.
Por outro lado, diretores da Band e da Polishop, que promoveram o Miss Brasil de 2011 para cá, asseguraram não haver nenhum traço de recursos da Lei Rouanet para a realização da etapa brasileira do Miss Universo. A Miss Universe Organization confirma as informações e atesta que o Ministério da Cultura não ofereceu “nenhuma espécie de isenção” para que o Miss Universo 2011 ocorresse em São Paulo. “Todas as despesas para a 60ª edição do Miss Universo foram de inteira responsabilidade do Grupo Bandeirantes de Comunicação e de seus patrocinadores à ocasião”. Entre eles estava o Banco do Brasil, vinculado ao Ministério da Fazenda, que comprou uma das cotas da transmissão da Band. A estatal de saneamento do governo paulista (Sabesp), a Prefeitura da Cidade de São Paulo e o Governo do Distrito Federal compraram cotas de apoio para a transmissão do Miss Universo 2011 na NBC americana. Procurada, a MUO informou que não vai se pronunciar sobre esses contratos, alegando sigilo contratual.
Dono do Miss Universo desde 14 de setembro de 2015, Ari Emanuel aparece entre a vasta malha de apoiadores da pré-candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, 68, à Presidência dos Estados Unidos ao lado de músicos, estrelas de realities, atores, atrizes, roteiristas e diretores de cinema e televisão.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Concursos de beleza, Nossa Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s