Nos bastidores, WME/IMG ensaia transição da licença brasileira do Miss Universo para parceira da Globo no Lollapalooza


Sustentado por empresa de televendas denunciada no Procon, contrato da Band com a Miss Universe Organization acaba em 2017

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/28.05.2016


À direita da foto, Piper Perabo, a espiã Annie Walker do Covert Affairs da Band, terceirizada à Polishop e seu cartel de 150 queixas acumuladas desde 2009 na Fundação Procon do Governo do Estado de São Paulo

Diretores da Miss Universe Organization e de seu controlador, o grupo de entretenimento WME/IMG, já começam a costurar os caminhos de uma possível saída dos concursos relacionados ao Miss Universo da grade da Rede Bandeirantes a partir de 2017, quando acaba a extensão do atual contrato. Embora a emissora paulista venha a ter preferência na renovação, fontes da direção do Miss Universo veem numa possível aliança com a Rede Globo e a empresa de eventos Time4Fun, associadas com obras de caridade governamentais e não governamentais parceiras da MUO, uma oportunidade de dar mais visibilidade às candidatas que saem vencedoras das disputas estaduais. No último sábado, o concurso Miss São Paulo 2016, transmitido pela Band, registrou apenas na Grande São Paulo média de 2,6, de acordo com dados liberados no início da tarde desta segunda-feira (30) pela empresa Kantar Ibope Media. O evento, transmitido das 22h24 à 0h05, foi visto por 514.316 telespectadores em 180.484 domicílios nos 39 municípios da região metropolitana da capital paulista. No entanto, de acordo com um executivo da WME/IMG consultado pela reportagem do TV em Análise Críticas, esse número poderia ter sido maior se a Globo já tivesse assumido as chaves do certame paulista e dos outros 26 concursos estaduais. “Essa é uma solução que, como muitas no Brasil, irá demandar mais tempo, pois depende da revisão dos acordos de concessão das franquias nacionais, como nós estamos fazendo”, disse a fonte, que pediu para não ser identificada. Os dados nacionais sairão na sexta-feira (3).
No Brasil, a WME/IMG tem negócios com a GEO Eventos, empresa de eventos do Grupo Globo, que detinha a representação, até 2013, do festival Lollapalooza Brasil. Em 2014, esses direitos foram repassados por 30 anos à Time4Fun, dona de casas de espetáculos como o Citibank Hall, que abrigou o Miss São Paulo 2016, realizado na noite do sábado (28) e vencido pela candidata do município de Caconde, Sabrina de Paiva, 20.
De acordo com o representante da WME/IMG, a concentração de investimentos publicitários do pacote do concurso Miss Brasil nas mãos de uma única empresa, o grupo de televendas Polishop, “é danosa para a atração de mais anunciantes para o concurso nacional, bem para os mais de 300 concursos regionais e os 27 concursos estaduais”. “Isso tranca ainda mais o sonho do Brasil vencer o título de Miss Universo”, alertou a fonte. Procurada, a direção da WME/ÎMG disse que não vai se manifestar sobre o assunto e jogou a responsabilidade para a Miss Universe Organization. A MUO, por sua vez, nega que exista qualquer problema na coordenação brasileira e diz estar “satisfeita com a parceria adotada em 2011 com o Grupo Bandeirantes de Comunicação, não havendo a menor possibilidade de transferência para um grupo concorrente de maior audiência”.

Presença de global é vista como “traição” por missólogos pró-Band

Um grupo de missólogos que defende a permanência dos concursos vinculados ao Miss Universo na Band procurou o Críticas para manifestar sua insatisfação com a presença da atriz Mariana Rios, 30, no quadro de apresentadores do concurso Miss São Paulo 2016. De acordo com esse grupo, “a presença de uma atriz contratada da Globo mancha a tradição da Band em promover concursos de beleza desse porte, ainda mais em um momento delicado, de ruptura da parceria de ambas as empresas nas transmissões de futebol”, citando o caso da debandada da emissora em transmitir sob licença o Campeonato Brasileiro de Futebol deste ano, encerrando nove anos de parceria com a tevê da famíglia Marinho. “A presença da senhora Mariana Rios atende apenas à ânsia de lucro imediato do senhor João Appolinário (dono da Polishop), que visa o lucro imediato tendo um montão de denúncias do Procon nas costas e representa uma traição aos sonhos de misses defendidos pela Band ao longo dos anos”, salienta o manifesto.
No concurso Miss Brasil 2015, realizado no mesmo Citibank Hall no dia 18 de novembro (quarta-feira), foi usado apenas um quadro da Band – a apresentadora Mariana Weickert, 34, de A Liga. No Miss São Paulo 2016, nenhum apresentador ou comentarista da Band foi convidado, o que já demonstra por si só um desgaste da relação da Band com a nova dona da concessão do Miss Universo para o Brasil – na prática, a Polishop, através da Organização Miss Brasil Universo, joint venture formada com a WME/IMG e a Ford Models Brasil. No papel (e na teoria), a propriedade é da Band.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para Nos bastidores, WME/IMG ensaia transição da licença brasileira do Miss Universo para parceira da Globo no Lollapalooza

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