EXCLUSIVO: Polishop começa gestão do Miss Brasil com ‘herança maldita’ da Enter


Ex-empresa de eventos da Band deixou dívidas de R$ 39 milhões relativas a coordenadores e ex-coordenadores estaduais

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/18.11.2015


Eleição de Marthina Brandt como Miss Brasil 2015 causou rombo de R$ 22 milhões à Band: Polishop acusa empresa da emissora de má gestão

Oficialmente, o trabalho da empresa de varejo Polishop como gestora da Organização Miss Brasil Universo começou no dia 31 de outubro de 2015. Mas, na prática, a atuação da empresa como gestora integral da concessão do concurso Miss Universo para o Brasil começou apenas nesta segunda-feira (23), quando começou a programação oficial para o Miss São Paulo 2016, primeira etapa da temporada de concursos estaduais do Miss Brasil 2016 a ser realizada neste sábado (27), no Citibank Hall, na zona oeste da capital paulista. A nova era da organização do Miss Brasil começa com um verdadeiro atoleiro herdado dos cinco anos em que a extinta Enter-Entertainment Experience geriu a concessão do Miss Universo para o país. Fontes da Polishop informaram ao TV em Análise Críticas que o passivo trabalhista herdado da Enter está na casa dos R$ 12 milhões, incluindo-se rescisões contratuais, ações trabalhistas em curso e dívidas de franqueados estaduais, que cobram o ressarcimento dos valores cobrados pela Band para gerirem os concursos estaduais e permitirem à emissora a transmissão de seus certames.
Ainda de acordo com a Organização Miss Brasil Universo, existem cerca de R$ 19 milhões de saldo a descoberto deixado pela Enter relativo a transações financeiras e investimentos não pagos, entre eles a suspensão de concursos estaduais no Mato Grosso do Sul (2013), Espírito Santo (2014), Acre (2014) e Tocantins (2014 e 2015). Outros R$ 8 milhões teriam sido deixados de dívidas pela Band relativos ao não pagamento de custos de produção à empresa Floresta, pertencente à executiva Elizabetta Zenatti em associação com a Sony Pictures Television International, à Miss Universe Organization e à própria Polishop para a viabilização do concurso Miss Brasil 2015. Quando comprou o Miss Brasil da Band, a empresa pagou R$ 37 milhões pela propriedade do concurso, além de ter desembolsado a comissão paga à MUO para ficar com a franquia brasileira do Miss Universo.
Representantes do Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) se disseram “horrorizados” com o montante de dívidas deixado pela Enter para ser assumido pela Polishop. “Tá pior que a herança maldita da (presidenta afastada) Dilma (Rousseff, 68) para o (presidente em exercício Michel) Temer (75)”, disse ao Críticas um representante da coordenação do Miss Brasil em Minas Gerais, um dos principais celeiros estaduais de títulos de Miss Brasil, que pediu para não ser identificado. Um diretor do Miss Brasil ligado ao PSDB, no entanto, não comunga dessa pensata: “É irresponsável colocar num mesmo caldo o trabalho sério desempenhado pela Organização Miss Brasil no meio de um turbilhão ideológico causado pelo PT e seus aliados, PC do B, Rede Sustentabilidade e PSOL. Não acreditamos que o governo do presidente Michel Temer vá coadunar com oportunistas que visem difamar um trabalho bem sucedido desde 2011, quando realizamos, sem nenhuma verba pública, o Miss Universo 2011 em São Paulo”, salientou a fonte.

Outro lado

À reportagem do TV em Análise Críticas, a assessoria do CEO da Polishop e responsável direto pela concessão do concurso Miss Universo para o Brasil, o empresário João Appolinário, 50, desmentiu a existência de dívidas da Enter quando assumiu o concurso Miss Brasil em novembro último. De acordo com a Polishop, as dívidas resultantes do concurso Miss Brasil 2015, estimadas em R$ 22 milhões, “são resultado da gestão irresponsável da Enter, empresa de eventos que a Band constituiu sem nenhuma base financeira para organizar eventos de grande monta”. A assessora do Grupo Bandeirantes de Comunicação informou que não irá se manifestar sobre as dívidas deixadas para a Polishop na gestão dos concursos de misses.
Em 15 de setembro passado, diretores da Band estiveram na sede da Miss Universe Organization em Nova York para negociar um novo acordo de transmissão do Miss Universo em tevê aberta para o Brasil, mas não conseguiram a renovação dos direitos de representação do concurso. Uma fonte ligada ao concurso disse ao Críticas que a presidenta da MUO, Paula Shugart, aconselhou os executivos Marcelo Meira e Frederico Nogueira (demitido da Band no início de 2016) a “fecharem o negócio (a empresa de eventos Enter) e passarem o concurso adiante para uma empresa de eventos que entenda da organização de concursos de beleza e não apenas de corrida de carros”, numa alusão indireta aos negócios da emissora paulista com a IndyCar Series, cujo acordo, assinado pela Band no final de 2010 (na mesma época da assinatura do contrato para a organização do Miss Universo 2011), que incluía provas da modalidade no país, está valendo até 2019.
À época, fontes da Band informaram ao Críticas que a viagem dos dois executivos para se reunir com Shugart serviu para evitar que a Miss Universe Organization assinasse, por recomendação de sua nova controladora, o grupo de entretenimento WME/IMG, comandado pelo empresário judeu Ari Emanuel, 55, doador de campanhas do Partido Democrata, assinasse contrato com a Rede Globo para a transmissão do Miss Universo em tevê aberta para o Brasil. Pelas tratativas, a Globo criaria uma empresa nos moldes do Concurso Nacional de Belleza da Colômbia, da Organización Miss Venezuela e do Binibining Pilipinas em associação com suas parceiras na organização de festivais de música, a Artplan (Rock in Rio) e a Time4Fun (Lollapalooza Brasil). Por pressão de deputados ligados ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), 57, e de integrantes da bancada evangélica ligados ao Concepab, grupo de pastores evangélicos ligados à Globo, o negócio não foi adiante.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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