UNE e UBES, que tanto lutam nas ruas e nas escolas pelo mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff, se calam sobre a ausência de meia entrada no Miss São Paulo 2016


Ingresso para a primeira etapa estadual do Miss Brasil 2016 terá preço único de R$ 120

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

PCdoB/Divulgação/09.12.2015


Para segurar Dilma, a estudantada adota um discurso. Para defender o que é de lei e lhe é de direito em concurso de beleza, a estudantada se cala

As duas principais entidades estudantis do país – a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), na mesma medida que saem às ruas e ocupam colégios e universidades para defender o mandato popular e legítimo da presidenta afastada da República Dilma Rousseff, 68, se calaram diante da medida absurda tomada pela empresa de varejo Polishop, que proibiu a cobrança de meia entrada nos ingressos para o concurso Miss São Paulo 2016, que vai acontecer neste sábado (28), no Citibank Hall, na zona oeste da capital paulista. De acordo com nota publicada no site oficial da Organização Miss Brasil Universo (companhia controlada em parte pela Polshop, em associação com o Grupo Bandeirantes de Comunicação e a empresa americana WME/IMG, proprietária da Miss Universe Organization), os ingressos para a primeira das 27 etapas estaduais programadas para a temporada do Miss Brasil 2016 terão preço único de R$ 120, incompatível com as rendas de muitas famílias que gostariam de torcer por suas candidatas, as quais representarão 30 municípios paulistas (menos Vale do Paraíba e litoral – ver lista).
Na foto que o TV em Análise Críticas escolheu para ornar este texto – a de um encontro de dirigentes da UNE e UBES com a presidenta para manifestar sua posição contrária ao processo de impedimento, realizado em Brasília, em dezembro passado – mostra-se que as duas entidades estudantis adotaram um discurso num aspecto, mas adotaram outro ao não se manifestam publicamente sobre a decisão mercantilista e rentista da Polishop de não conceder meia-entrada a torcedores, por exemplo, a torcedores de Sabrina de Paiva, candidata de Caconde, cidade de pior IDH entre as 30 que estarão representadas no Miss São Paulo 2016. Os torcedores de Sabrina, muitos deles estudantes de baixíssima renda, terão de ter despesas adicionais para chegarem a São Paulo. Não poderão contar com o benefício da meia-entrada, previsto em leis estadual e municipal (no caso da cidade de São Paulo), que concedem 50% de desconto em ingressos de eventos de grande porte – o Miss São Paulo, a despeito de contar com convidados VIPs nas primeiras fileiras, é um deles (está no mesmo nível do Lollapalooza).
Para aquecer a memória dos missólogos não ligados ao golpe, vale lembrar o que UNE e UBES defendiam no dia 5 de dezembro de 2015, quando o pedido de impedimento de Dilma foi aceito pelo senhor Eduardo Cunha, o presidente Frank Underwood do House of Cards afastado da Câmara dos Deputados, por decisão do Supremo Tribunal Federal:

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e a União Nacional dos Estudantes vem a público repudiar a aceitação do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, fruto de uma flagrante chantagem política por parte de Eduardo Cunha diante da votação para continuidade do processo de cassação do presidente da Câmara dos Deputados no Conselho de Ética.
Em 2014, a presidenta Dilma foi reeleita obtendo resultado eleitoral limpo e democrático, mas desde a sua vitória vem sofrendo diversos ataques. Não há nenhuma prova ou indícios de envolvimento de Dilma com corrupção, ao contrário de Eduardo Cunha que até agora não conseguiu responder às acusações de lavagem de dinheiro e escondeu suas contas na Suíça. Por isso, não temos dúvidas. A palavra de ordem que moverá os estudantes é: “Fora Cunha!”.
Eduardo Cunha não representa os anseios da juventude que luta em todo o Brasil. Ao contrário do que ele disse, a aceitação do impeachment não é o que pede as ruas. Nas ruas estamos lutando por direitos, como foi a recente “Primavera das Mulheres” que rechaçou o deputado, a Marcha das Mulheres Negras e das Margaridas, a ocupação das universidades estaduais no Rio de Janeiro, e a luta dos estudantes secundaristas contra o fechamento das escolas em São Paulo.
As “pedaladas fiscais” não configuram crime de responsabilidade, portanto, o impeachment sem base legal se configura num verdadeiro golpe à democracia.
Ao longo dos quase 70 anos de história, a UBES sempre se colocou ao lado da democracia. Ainda que jovem, a democracia no Brasil foi construída com a luta e a vida de estudantes brasileiros e, nesse momento, voltaremos às ruas para defendê-la. Esse movimento de impeachment representa mais uma tentativa de promover um grave retrocesso na política brasileira. O povo sofre por conta de uma crise econômica mundial, aprofundada pelo ajuste fiscal, com cortes na educação e diminuição de direitos. Esses problemas não serão resolvidos com o impeachment. É preciso barrar a tentativa do conservadorismo de se consolidar como alternativa e lutar pelo aprofundamento das mudanças com uma nova política econômica e um novo sistema político.
Nesse momento é preciso muita unidade para resistirmos aos ataques oportunistas. Convocamos os estudantes e movimentos sociais a tomarem as ruas para barrar o impeachment, defender a democracia e pedir a cassação de Eduardo Cunha.
Conclamamos as diversas iniciativas que a UBES e a UNE faz parte para marcharem juntas contra o retrocesso.
Venceremos!

União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e União Nacional dos Estudantes.
5 de dezembro de 2015

Marcelo Soubhia/Be Emotion/Divulgação


Na foto, a candidata municipal que pode ficar sem torcida em função da proibição da meia-entrada no Miss São Paulo 2016

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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