Com prejuízo de quase R$ 500 milhões noticiado no jornal Metro, Band promete transmissão nacional de dois concursos estaduais, do Miss Brasil e do Miss Universo 2016. A Polishop vai ficar como credora dessa aventura?


A irresponsabilidade fiscal aventada pelo PSDB para derrubar a honrada e séria presidenta Dilma chegou aos concursos de misses

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Neil Jacobs/CBS/Divulgação/30.09.2015


Na foto, a doutora Leanne Rorish (a competente Marcia Gay Harden) tentando socorrer uma combalida rede ruralista de televisão brasileira

A ambição irresponsável da Rede Bandeirantes de transmitir dois dos principais concursos estaduais do Miss Brasil 2016 – Miss São Paulo (28/5) e Miss Rio de Janeiro (9/7) – soa como brincadeira de extremo mau gosto num momento altamente conturbado para a emissora e gravíssimo para a economia barsileira. Nota do site O TV Foco, publicada nesta sexta-feira (6), atesta que o Grupo Bandeirantes de Comunicação está com prejuízo acumulado de R$ 440 milhões, de acordo com balanço anual relativo ao ano de 2015 auditado pela empresa Ernst & Young (EY), publicada pelo jornal Metro. Em 2014, devido à Copa do Mundo, o rombo estava na casa de R$ 363 milhões. A EY, não ao acaso, é a empresa que faz desde 2011 a auditoria dos concursos de misses televisionados pela Band, além do Miss Universo desde a gestão Trump (1996-2015).
De acordo com a EY das misses, “há dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia”. Ou seja, estabelece-se aí um verdadeiro Code Black para a sobrevivência financeira da Band para arcar com os custos de transmissão do Projeto Miss 2016, já todo vendido à Polishop, através da marca de cosméticos Be Emotion. É a primeira vez, desde a implantação do Plano Real, em 1º de julho de 1994, que uma emissora que promove e transmite o Miss Brasil expõe a público seu real quadro financeiro antes mesmo de dar o start nas transmissões dos certames de beleza – se é que eles vão ser transmitidos. No dia 1º de abril, matéria do Críticas já tinha mostrado que, apesar do mau agouro, a Band planejava a transmissão de 21 concursos estaduais e do Miss Distrito Federal. Com a conta da EY nas mãos, a Band parece alertar para a Polishop que não dá mais. É melhor entregar o concurso para a Rede Globo, como pediu o coletor de doações de celebridades para a campanha democrata de Hillary Clinton à Casa Branca Ari Emanuel. Especialistas de mercado ouvidos pelo Críticas alertaram que a mudança dos concursos estaduais e do Miss Brasil para a tevê da famíglia Marinho seria a única solução para encerrar um jejum de quase 50 anos sem títulos brasileiros no Miss Universo e aperfeiçoar as escolas estaduais de misses, a começar de Estados importantes como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. “Sai mais em conta colocar uma Miss Pernambuco reinante na novela das nove do que não fazer nada nesse pandareco chamado Masterchef“, alertou o executivo de uma das principais agências de publicidade do eixo Rio-São Paulo, que pediu para não ter o seu nome divulgado.
Apesar da realidade macabra, horrenda, tenebrosa e duríssima que assombra a nossa economia, fontes da Band querem fazer parecer que o Projeto Miss 2016 será tocado apesar do cenário de transição sombria que se desenha para as empresas brasileiras (inclusive as grandes na área de comunicação), a depender dos ventos a se soprarem da futura equipe econômica de um eventual governo de Michel Temer, 75, caso a suspensão do mandato da presidenta Dilma Rousseff, 68, passe no Senado na manhã da quinta-feira (12), em meio à semana pré-upfront das cinco principais redes abertas americanas. Querem que o idiota pense que, com a Organização Miss Brasil Universo, tudo está em céu de brigadeiro, às mil maravilhas, como se um rombo contábil não estivesse em suas costas. Mas esquecem que a Polishop herdou da Enter um rombo de R$ 22 milhões com os concursos de misses em 2015. E se viu obrigada a formar com a Ford Models e a WME/IMG, as duas maiores rivais no agenciamento de modelos no mundo, uma empresa de CNPJ distinto do da Band, livre das dívidas que os Saad tem que aturar para manter suas emissoras respirando por aparelhos, através de um coma induzido por verbas preciosas de propaganda do Governo Federal (cujo Banco do Brasil, agora citado no caso das supostas “pedaladas fiscais”, foi um dos patrocinadores masters da transmissão do Miss Universo 2011 na Band e cuja Caixa Econômica Federal emprestou-lhe uma bolsa de sangue financeiro de R$ 250 milhões, avalizada pelo banco alemão Deutsche Bank). Como exposto no caso do plano de recuperação judicial da Viação Itapemirim, a Polishop entrou como credora de um negócio condenado em termos financeiros e que não dá retorno algum de audiência (de 2013 a 2015, o pacote do Miss Brasil e do Miss Universo perdeu 72% de média domiciliar, somente na Grande São Paulo). Em comparação a outros concursos nacionais válidos pelo Miss Universo, o Miss Brasil não chega nem mesmo aos pés do Miss França (entre seis etapas nacionais do Miss Universo 2015, a brasileira teve a segunda pior audiência e teve menos repercussão no Twitter que o Miss USA).

Lucas Ismael/Band/Divulgação/18.11.2015

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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