Assunto da semana: O Golpe enrustido de série de horário nobre


The Family é genérico de Scandal sem sal e sem gosto

Giovanni Rufino/ABC/Divulgação/10.04.2016

É desagradável ver a partidarização de um enredo de escândalos políticos como se nota em The Family (Sony, 4ª, 21h, 14 anos), viés ideológico que a ABC se viu forçada a aprovar para agradar hostes do Partido Republicano no bolo da atual mid-season. É mais ou menos a mesma coisa que o Canal Brasil, da Globo em associação com um consórcio de cineastas, ser obrigado a colocar no ar um filme de conotações tucanas em contraponto ao discurso “pão com mortadela” de certas produções cinematográficas recentes. Não é por aí.
A asneira no discurso do roteiro de Jenna Bans, da equipe de Scandal, beira à ideologia mais rasteira de ranços de curral eleitoral do Maine, lastreada na conversa mole de voto de cabresto que praticamente anula a boa performance de Joan Allen, 59, egressa de uma indicação ao Oscar. Idem para a coadjuvante Allison Pill, 30 (The Newsroom), que mal aparece nos plots de All The Livelong Day e Sweet Jane, episódios da primeira (e, talvez, única) temporada) de uma das mais promissoras produções dramáticas do ciclo americano.
Muito patriarcal para servir de escada para uma improvável renovação, The Family desagrada não pelo tom do drama patriarcal de colégio eleitoral. Mas pela discurso oco e sem essência de sua premissa. Anula-se aí qualquer perspectiva de indicação da trama, como produção, ao 68º Primetime Emmy. Fora desse ponto, a experiência de Joan Allen talvez ajude alguma coisa que acontece no meu coração quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João, como já assinalara Caetano Veloso nos versos de Sampa, impróprios para o Maine.
Do mau gosto, mau gosto, mau gosto de uma dramatização de discurso tacanho (sem se aproximar dos arroubos de Donald Trump que metem medo até em recém-nascido), a plana republicana de The Family passa longe de ter um roteiro digno e aceitável. A quatro episódios do fim (e que seja o fim mesmo), esse Scandal estadualizado sem Kerry Washington desagrada até quem gosta do próprio Scandal. Passa longe dos ensinamentos da Shondaland e serve mais aos vestais partidários de plantão. O golpe que o diga. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (24/4)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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