Em manual para coordenadores, Polishop proíbe patrocínios de concorrentes em etapas estaduais do Miss Brasil 2016


Estratégia pode quebrar coordenações que tem contratos independentes da coordenação nacional do Miss Universo

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Handara/Divulgação/02.10.2014


Pelo index da Organização Miss Brasil Universo, empresas como a cearense Handara não poderão mais bancar certames estaduais

Um dos pontos mais sensíveis do novo regulamento do concurso Miss Brasil, sob os cuidados da empresa de varejo Polishop desde novembro passado, diz respeito à admissão de empresas concorrentes no quadro de patrocinadores dos concursos municipais, estaduais e nacional, válido pela disputa do título de Miss Universo. Com exclusividade, o TV em Análise Críticas apresenta a íntegra do regulamento que trata desse assunto e pode afetar seriamente a viabilidade financeira de boa parte das 27 etapas estaduais já agendadas para a temporada 2016:

5.PATROCINADORES

A busca por patrocínio é uma tarefa importante para o Licenciado, pois parcerias com boas empresas para patrocínio resultam em uma boa reputação para o MISS, além de ajudar nas despesas de preparação do evento.
A celebração dos acordos de patrocínio deve ser alinhada com a ORGANIZAÇÃO MISS BRASIL UNIVERSO, cumprindo todas as normas e restrições mencionadas neste Manual e no contrato de licenciamento.
O Licenciado sempre deve buscar informações junto à ORGANIZAÇÃO MISS BRASIL UNIVERSO quando do estabelecimento de seus acordos de patrocínio, a fim de evitar conflitos com os patrocinadores do concurso MISS BRASIL.
A ORGANIZAÇÃO MISS BRASIL UNIVERSO se reserva o direito de decidir nos casos em que haja conflito entre os patrocinadores do Licenciado e os interesses comerciais da POLISHOP.
No entanto, nem todo tipo de patrocinador é bem-vindo, pois a associação de marcas, produtos/serviços, categorias de produtos ou serviços oferecidos pelas empresas candidatas a uma vaga de patrocínio pode conflitar ou denegrir a imagem do evento, portanto são PROIBIDAS as categorias de patrocinadores a seguir:
a.Armas de fogo
b.Materiais pornográficos
c.Cirurgia estética
d.Cigarro
e.Bebidas alcoólicas
f.Política e/ou Associação partidárias
g.Outros patrocínios que não estejam de acordo com padrões morais ou éticos de acordo com o entendimento da ORGANIZAÇÃO MISS BRASIL UNIVERSO.
h.Empresas concorrentes as atividades da Polishop

5.1.PATROCINADORES DO CONCURSO MISS BRASIL EM SEU ESTADO
Podem ocorrer acordos de patrocínios simultâneos para o seu evento, alguns poderão ser fechados diretamente pela ORGANIZAÇÃO MISS BRASIL UNIVERSO e serão válidos para seu evento e/ou também para outros.
Nesse caso, deverá prevalecer, em caso de conflito, o patrocinador NACIONAL.
IMPORTANTE: Nenhum contrato de patrocínio deve ser celebrado sem que a ORGANIZAÇÃO MISS BRASIL UNIVERSO seja comunicada e tenha autorizado.

Na história recente dos concursos estaduais e do próprio Miss Brasil, clínicas de cirurgia estética e empresas de bebidas já estiveram presentes como patrocinadores. É o caso da AmBev, Schincariol e Coca-Cola/Kaiser.
A proibição de empresas concorrentes da Polishop em qualquer ramo de atividade, desde já, afasta qualquer chance de rentabilidade do certame para a Rede Bandeirantes, que já chegou a faturar R$ 51 milhões só com o pacote comercial de uma edição do concurso Miss Universo, realizada em 2011 em São Paulo. Em 2014, a Band faturou R$ 27 milhões com a venda dos patrocínios do Miss Brasil para Bombril, Beach Park, Handara, Nivea e Amanco. No Miss Brasil 2015, a Polishop se assenhorou de todas as quatro cotas de patrocínio e fez a área comercial da Band, pela primeira vez desde 2003, ter prejuízo com o concurso que elege a representante brasileira no Miss Universo. De acordo com contas preliminares fornecidas por ex-funcionários da Band ao TV em Análise Críticas, com absoluta exclusividade, o rombo da emissora com o concurso foi de R$ 22 milhões.

Piada, cerceamento e reserva de mercado

Chama a atenção, nos itens 5a, 5b e 5e, as proibições de patrocínio aos concursos estaduais por parte de empresas envolvidas com armas de fogo (ex: Companhia Brasileira de Cartuchos, que fez doações de R$ 615 mil a 16 candidatos a deputado federal, senador e governador no pleito de 2014, entre eles nomes chave no Golpe para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, 68, como Onyx Loenzoni e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e Forjas Taurus, que doou R$ 565 mil a 21 candidatos a deputado federal, deputado estadual e governador, incluindo Lorenzoni e outros políticos do baixo clero), materiais pornográficos (ex: Abril, Rickdan, Globosat) e cigarros (ex: British American Tobacco, Phillip Morris).
Para mascarar a aparente imparcialidade da Polishop, movimentos partidários pró-impeachment como Vem Pra Rua, Meu Partido é o Brasil (do qual faz parte a Miss Brasil 2015 Marthina Brandt) e Revoltados Online e partidos políticos como PMDB, PT, PSDB, DEM, PPS e outros foram enquadrados no item 5f, que veda a participação desse tipo de entidade no rol de patrocinadores dos concursos estaduais válidos pelo Miss Brasil. Formalmente, nenhum partido patrocinou o Miss Brasil ou seus concursos estaduais, mas os nomes das agremiações partidárias aparecem camuflados em ONGs que já foram parceiras do Miss Brasil em anos anteriores, como a Casa do Zezinho, entidade de assistência a crianças portadoras de câncer sediada em São Paulo. Ou em respostas de candidatas como Natália Guimarães (2007) e Canilla Della Valle (2015), ambas ligadas ao PSDB e ao consórcio midiático que quer cassar o voto de 54 milhões de brasileiros, sufragado no dia 26 de outubro de 2014.
Na abertura do capítulo do regulamento que trata dos patrocínios dos concursos estaduais válidos para o Miss Brasil 2016, a Polishop enfatiza que “a busca por patrocínio é uma tarefa importante para o Licenciado, pois parcerias com boas empresas para patrocínio resultam em uma boa reputação para o Miss (Estadual), além de ajudar nas despesas de preparação do evento”. Nos itens que o Críticas colocou em negrito, o que a Polishop, na prática, quer como parceira na administração da Orhganização Miss Brasil Universo, junto com a Band e a empresa americana WME/IMG, é “matar” os coordenadores estaduais pelo bolso e submetê-los às suas vontades. Por exemplo: se o concurso Miss Ceará (o de 2015) recebeu patrocínio da Handara Jeans e do Beach Park, poderá ter patrocínio do Beach Park para a edição 2016, por pertencer ao grupo de entretenimento e hotelaria, mas não da Handara, por pertencer ao mesmo grupo de atividades da Polishop, que também atua no comércio de produtos têxteis, através de representação da grife americana Guess (que nem loja em Fortaleza deve possuir). No caso do Miss Piauí, o patrocínio do Armazém Paraíba corre sério risco de ir ladeira abaixo, por ser empresa concorrente da Polishop na área de varejo. É aí que reside a guilhotina financeira que pode apear Nelito Marques, 72, da coordenação estadual do Miss Brasil.
Por fim, no item 5.1, a aberração da Polishop se confirma: contratos de patrocínio celebrados pelas 27 coordenações estaduais que não sejam os similares aos assinados pela Organização Miss Brasil Universo estão inteiramente vetados. “Nenhum contrato de patrocínio deve ser celebrado sem que a Organização Miss Brasil Univberso seja comunicada e tenha autorizado”, diz o texto de tom coronelista e autoritário, no modus opeandi proposto pelo empresário João Appolinário, testa de ferro do Grupo Bandeirantes na concessão do concurso Miss Universo para o Brasil, nas barbas do hebreu americano Ari Emanuel, coletor de doações de celebridades para as campanhas do Partido Democrata, entre as quais Kris Jenner, Katy Perry, Leonardo DiCaprio, Beyoncé e Jane Lynch, todos apoiadores de Hillary Clinton, pré-candidata da legenda à Presidência dos Estados Unidos, o qual pagou US$ 28 milhões a Donald Trump, pré-candidato do Partido Republicano, apoiado pela Ku Klux Klan, empresários como Dana White, presidente do UFC e um dos maiores pagadores de impostos de Nevada (fora os donos de cassinos), Willie Robertson (o do Duck Dynastu) e Paul Teutul Sr. (do American Chopper), “intelectuais” do UFC como Holly Holm e Tito Ruiz, porraloucas como Hulk Hogan, Dennis Rodman, Mike Tyson, Kid Rock (ex da Pamela Anderson, aquela mesma) e Olavo de Carvalho, a ex-presidiária de reality Teresa Giudice e o esterco jornalístico chamado National Enquirer, para assumir o inventário e os ativos da Miss Universe Organization em 14 de setembro passado.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para Em manual para coordenadores, Polishop proíbe patrocínios de concorrentes em etapas estaduais do Miss Brasil 2016

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