‘Partido’ mais secreto do mundo, irmãos Koch torram R$ 2,5 bilhões para implantar o ultraliberalismo


De acordo com autor de resenha de livro publicada no New York Review of Books, bilionários da rede da família americana que financia no Brasil movimentos golpistas e pró-impeachment como Vem Pra Rua defendem a liberdade de expressão que seja “benéfica para seus negócios”

Luiz Carlos Azenha
Do Viomundo

Fotomontagem/Viomundo

Um colega que estranhou a repentina força do liberalismo entre jovens brasileiros afirmou: quem sabe em 20, 30 anos, a gente vai descobrir o que realmente aconteceu. Imediatamente eu me lembrei da Operação Brother Sam, lançada pelos Estados Unidos em 1964: em caso de guerra civil, sustentaria os golpistas com armas e combustível.
Arrastei comigo para leitura uma edição recente da New York Review of Books e fiquei estupefato com o artigo A Nova Marca dos Irmãos Koch.
Eu desconhecia o lançamento do livro Dark Money: The Hidden History of the Billionaires Behind the Rise of the Radical Right, da repórter Jane Mayer.
É o mais completo relato, até hoje, de como um grupo de bilionários dos Estados Unidos, coordenado pelos irmãos Koch, montou um partido secreto que, pasmem, vai gastar U$ 889 milhões no ciclo eleitoral em andamento nos Estados Unidos (próximas eleições para a Casa Branca e o Congresso). A liderança do partido se reúne secretamente em resorts de luxo, conta com 107 escritórios e 1.200 funcionários em tempo integral. Isso é três vezes mais que o Comitê Nacional Republicano.
Bill McKibben, o autor da resenha do livro, resume: “Eles [os Koch] talvez sejam as figuras não eleitas mais importantes da História dos Estados Unidos”.
Não vou estragar a leitura de vocês. Farei um resumo rápido.
A fortuna dos Koch teve origem, pasmem, na União Soviética de Stalin, onde Fred Koch implantou um sistema para refinar petróleo que ele mesmo havia inventado. Ao se expandir, ele passou a frequentar a Alemanha de Hitler. Tornou-se um admirador a ponto de escrever, em 1938: “Tenho a opinião de que os únicos países sensatos do mundo são a Alemanha, o Japão e a Itália, simplesmente porque trabalham e trabalham duro”.
Fred foi um dos onze fundadores da John Birch Society, uma organização de extrema-direita dos Estados Unidos.
Dos quatro filhos de Fred, Charles foi o que seguiu mais de perto as ideias e os passos do pai. Ele estabeleceu uma rede política que serve aos interesses dos bilionários, embora nunca admita isso publicamente.
Muitos são, como a família Koch, envolvidos em negócios ligados à exploração de petróleo, carvão e gás.
A militância se concentra em algumas áreas:

1. Combater a interferência do governo em seus negócios, que causam graves danos ao meio ambiente;
2. Combater as teorias sobre o aquecimento global e, com isso, qualquer campanha por regulamentação;
3. Combater os impostos sobre os mais ricos.

Embora se apresentem como defensores da liberdade e da autonomia individual, na verdade “a ideologia deles é acima de tudo benéfica para os seus negócios”.
Diz o autor da resenha que quase todos os bilionários da rede organizada pelos irmãos Koch ganharam muito dinheiro com contratos governamentais e nunca rejeitaram os subsídios que, publicamente, dizem combater.
Os irmãos Koch organizaram uma rede de institutos de pesquisas e ONGs que fazem avançar seus interesses sem que os adversários políticos se dêem conta: Americans For Prosperity, Charles Koch Institute, Institute for Humane Studies, Cato Institute e muitos outros.
A ideia é conquistar uma militância política que, muitas vezes sem saber, está defendendo pontos-de-vista políticos que favorecem os interesses dos bilionários norte-americanos.
Em 2010, os Koch colocaram cerca de U$ 200 milhões em grupos ativistas “independentes”, mas alinhados ao Partido Republicano. Ajudaram o partido a ganhar 63 cadeiras no Congresso.
Também foram fundamentais para a eleição de 675 deputados estaduais, que terão a tarefa crucial de redesenhar os distritos eleitorais dos Estados Unidos. Isso vai facilitar a vida dos candidatos republicanos.
Assim, os irmãos Koch e sua rede bilionária de doadores é responsável pela guinada à direita dos republicanos e por definir uma agenda política muito próxima de seus interesses econômicos.
No campo não eleitoral, uma das grandes vitórias foi a campanha que levou a Suprema Corte a remover os limites para doações das grandes corporações. Segundo o livro, foi fruto de um longo trabalho de militância de bastidores financiado pelos Koch.
O livro joga luz num império de organizações de fachada que cultiva o sigilo. Fã e promotor do liberalismo dos austríacos Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, Charles Koch escreveu um artigo sobre como um grupo da periferia do sistema poderia chegar ao poder, surpreendendo outros atores políticos.
“De maneira a não despertar críticas indesejadas, como a organização é controlada e dirigida não deve ser motivo de publicidade”, definiu.

PS do Viomundo: Este assunto nos chama especialmente a atenção depois que uma certa Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, que tem entre seus componentes o movimento Vem Pra Rua, foi ao Congresso pedir “a rejeição à taxação de grandes fortunas e impostos sobre heranças, pautas que não constavam entre as reivindicações” apresentadas anteriormente, segundo o Estadão.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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