Nova proprietária do concurso Miss Brasil, Polishop acumula 148 reclamações no Procon de São Paulo desde 2009


Desse total, sete ocorrências foram atendidas por prática de propaganda enganosa e outras 11 não foram atendidas

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/15.11.2016


Candidatas a Miss Brasil 2015 em loja da Polishop: coordenadores do Norte e Nordeste sugerem boicote ao concurso de 2016 por reclamações registradas na Fundação Procon-SP contra empresa por propaganda enganosa, venda enganosa e atraso em entrega de produtos

Controladora da marca do concurso de Miss Brasil desde novembro de 2015 mediante licença do Grupo Bandeirantes de Comunicação, a empresa de varejo Polishop tem um número preocupante para carregar antes da programação dos concursos estaduais e do concurso nacional, que vai eleger a representante brasileira para o concurso Miss Universo 2016, no dia 1º de outubro: 148 reclamações foram registradas entre 2009 e 2014 nos cadastros eletrônicos da Fundação Procon, órgão de defesa do consumidor ligado ao Governo do Estado de São Paulo, que comemora 40 anos de existência. É o que atesta uma pesquisa feita com exclusividade pelo TV em Análise Críticas nos registros do órgão paulista. Deste cômputo, sete reclamações fundamentadas de publicidade enganosa foram atendidas e onze não foram atendidas.
De um total de 36 reclamações que a empresa recebeu em 2010, a maioria foi de descumprimento/rescisão/erro de contratos, desistências de compras e produtos entregues com danos ou defeitos. Foram quatro ocorrências atendidas para esses casos. Logo atrás, vem as reclamações decorrentes de produto entregue diferente do pedido e de venda enganosa, que registraram três ocorrências cada. Os casos de cobrança indevida ou abusiva, não cumprimento à oferta, não entrega ou demora na entrega do produto e publicidade enganosa registraram apenas uma ocorrência atendida cada. Em mão oposta, três reclamações de publicidade enganosa e três de venda enganosa não foram atendidas, contra duas de rescisão ou erro de contrato.
Em 2009, primeiro ano da medição eletrônica de reclamações do Procon paulista, a Polishop registrou 23 reclamações. De um total de 16 reclamações atendidas, quatro diziam respeito a produtos entregues com danos ou defeitos. As ocorrências de publicidade enganosa e não entrega ou atraso na entrega do produto registraram dois casos cada. As sete reclamações não atendidas diziam respeito a negativação indevida de consumidor nos órgãos de proteção ao crédito, venda enganosa, desistência de compra, produto entregue com danos ou defeitos, não entrega ou atraso na entrega do produto, publicidade enganosa e não cumprimento à oferta, com um caso cada.
Em 2011, o Procon-SP registrou 28 reclamações contra a Polishop. De um total de 26 reclamações atendidas, a grande maioria dizia respeito a produtos entregues com danos ou defeitos. Foram seis reclamações atendidas a respeito desse tipo de caso, que parece se aplicar ao processo de organização das etapas municipais dos 27 concursos estaduais do Miss Brasil (ou de parte deles). As ocorrências de desistência de compra e não entrega ou atraso na entrega do produto vem logo atrás, com quatro casos atendidos. Por outro lado, uma reclamação de cobrança indevida e outra de desistência de compra não foram atendidas. A mesma quantidade de reclamações foi registrada em 2012, porém com uma quantidade maior de reclamações não atendidas (sete). Parte delas dizia respeito a cobrança indevida, publicidade enganosa e produto entregue incompleto, que registraram dois não atendimentos. Das 21 reclamações atendidas, a maioria delas dizia respeito a produtos entregues com danos ou defeitos, com seis casos.
Em 2013, só o posto do Procon na capital paulista registrou 18 reclamações contra a Polishop. Destas, 13 foram atendidas, a maioria por cancelamento de compra ou produtos com defeito, que registraram quatro casos cada. Duas reclamações de não entrega ou atraso na entrega de produtos foram recebidas. Por outro lado, duas reclamações de publicidade enganosa não foram atendidas. Na unidade do Procon em São José dos Campos, a Polishop teve registradas duas reclamações. Em Santo André e São José do Rio Preto, a empresa teve uma reclamação registrada. Em São Caetano do Sul, na região do ABC, das três reclamações registradas, duas de publicidade enganosa não foram atendidas e uma de cancelamento de compra foi atendida. Em Barueri, duas reclamações foram recebidas relativas a cobrança indevida e produto entregue diferente do pedido. Em Jundiaí, foram duas reclamações (uma atendida por garantia de produto e outra não atendida por publicidade enganosa). Em todo o Estado de São Paulo, foram 29 reclamações registradas contra a empresa dois anos antes de assumir a propriedade do concurso de Miss Brasil. Não foram registradas reclamações em Votuporanga, Presidente Prudente, Barretos, Poá, Araçatuba, Bauru, Embu das Artes, Santos, Suzano, Vinhedo, Sorocaba, Taubaté, Mogi das Cruzes, Caraguatatuba, Diadema, Piracicaba, Sertãozinho, São Sebastião e Jacareí.
Em 2014, o Procon-SP registrou 15 reclamações contra a Polishop. Das 10 reclamações atendidas, a maioria dizia respeito à abrangência e cobertura da garantia de produtos vendidos. Foram três casos nesse sentido. Das cinco reclamações não atendidas, quatro eram de publicidade enganosa e uma de garantia. O número foi 48,27% menor que o registrado em 2013, contabilizando o nível estadual.

Coordenadores estaduais e municipais de SP mostram apreensão

Fontes do Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) e do Grupo de Coordenadores Municipais de Misses do Estado de São Paulo (GCMMESP) informaram ao Críticas que os dados apurados em relação à quantidade de reclamações feitas ao Procon-SP contra a Polishop “são peixe pequeno” se comparadas ao montante de reclamações recebidas em 2015 contra empresas de telefonia (Claro, Vivo), bancos (Itaú, Bradesco), planos de saúde (Amil, Unimed) e financeiras (BV, BMG, BB, Caixa). “É possível que consideremos um boicote a alguns concursos regionais patrocinados pela Polishop para ver se fazemos algum tipo de pressão, mas a influência econômica da Band deve anular manifestações de coordenadores como já aconteceu com a dissidência dos coordenadores municipais paulistas”, disse ao Críticas um informante da coordenação do concurso Miss Amazonas, marcado para o dia 7 de maio, de acordo com o cronograma oficial liberado na quinta-feira (3).
Assim que tomou conhecimento das denúncias contra a Polishop no Procon paulista, um grupo de coordenadores das regiões Norte e Nordeste estuda promover um locaute ao Miss Brasil 2016. “Não dá mais para aguentar 48 anos de mentiras assacadas aos quatro ventos pelos Diários Associados, Grupo Sílvio Santos, Rede Globo, Marlene Brito, Gaeta, SBT, Rede TV! e Band que prometeram a torto e a direito vitórias brasileiras no Miss Universo. Chega! Não aguentamos mais sermos humilhados e violentados moralmente pela ganância irresponsável de grupos econômicos que visem ao lucro fácil em detrimento do suor e do sacrifício daqueles que coordenam seus certames e tem de pagar quantias absurdas à Organização Miss Universo, sediada nos Estados Unidos da América do Norte (sic)”, bradou revoltado um representante da coordenação do Miss Alagoas, único concurso estadual marcado para o ciclo das Olimpíadas de Verão, no dia 13 de agosto. Apesar disso, diretores da Band estudarão mover o certame para fora do período olímpico. No entanto, um interlocutor do coordenador do concurso Miss Piauí, Nelito Marques, 72, advertiu que “manifestações destemperadas de certos coordenadores estaduais ou municipais, ao invés de ajudarem, só contribuem para atrapalharem o processo bem-sucedido de produção do Miss Brasil e de suas etapas estaduais, fator de sucesso no Miss Universo com classificações sucessivas desde 2011”. Ao lado de Sergipe, o Piauí será um dos últimos Estados a eleger candidata, no dia 10 de setembro.
Representantes da Band e da Polishop foram procurados pela reportagem do TV em Análise Críticas, mas não retornaram os pedidos de perguntas.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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6 respostas para Nova proprietária do concurso Miss Brasil, Polishop acumula 148 reclamações no Procon de São Paulo desde 2009

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