Assunto da semana: Entre moleques, molecagens e pilantras


Jornada de Last Man on Earth em Miami não é para iniciantes

Kevin Estrada/FOX/Divulgação/06.03.2016

Para quem pegou o trem da trama de The Last Man on Earth (FX, domingo, 0h30) nesta altura de sua segunda temporada, muito pouco ou nada pode se depreender da excelência artística de seu produtor e artista principal, Will Forte, 45, ex-aluno do Saturday Night Live. Na baboseira sem graça que foi a premissa de seu décimo primeiro episódio, Pitch Black, misturou-se o programa espacial americano ora em desuso com molecagem infantil de quase indicado ao Oscar – neste caso, Jacob Tremblay, 8. Pegou bastante mal.
A exemplo da recém-comprada pela Globo Empire, Last Man… estreou pegando o trânsito pesadíssimo da mid-season 2015, cujo tráfego incluiu na TV paga a temporada de Game of Thrones que se sagraria no 67º Primetime Emmy. Esta é uma outra história. Focando-se no assunto, a premissa de Pitch Black é repleta de asneiras que não remetem a comédia alguma. E sim a manifesto de grêmio estudantil e de babacas online que grassam aberrações verbais pedindo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, 68. Vão dormir!
Artisticamente falando sério (puxando uma gambiarra poética daquela canção do Roberto Carlos entoada nos especiais de Natal da Rede Globo desde 1977), The Last Man on Earth se sai melhor que os manifestos vagos e ocos de gentes como Kim Kataguiri e Marcello Reis, mentores intelectuais da comédia sem graça patrocinada para castrar o direito de voto de 54 milhões de brasileiros. Sério, não dá para dissociar uma comédia (a de Forte) da outra (a dos “intelectuais” de plantão metidos a “humoristas” da sucursal do inferno chamada Brasil).
Em termos de roteiro, este episódio de The Last Man on Earth é pobre de ideias e argumentos. Expõe uma Miami Beach apocalíptica copiada no mata-borrão do mais recente filme da saga Mad Max, laureado com seis Óscares (viu, ô Glória Pires?). Seis Óscares, não Oscars, como a imprensa velhaca de nossa mídia nativa se propõe. Reclamação anticolonialista e zelo pelo português à parte, esta obra prima de Will Forte parece mais fadada ao besteirol futurista do que cumprir o intento de divertir as audiências. É deprimente. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (20/3)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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