Os desafios da WME/IMG para definir as sedes dos eventos da Miss Universe Organization em 2016


Tirar o Miss Teen USA das Bahamas, manter o Miss USA em Baton Rouge e negociação do Miss Universo em Manila estão entre eles

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Kevin dela Cruz/Manila Bulletin/25.01.2016


Peso da visita de Pia Wurtzbach pode ser importante para sede do MU

Há exatos 79 dias, a filipina Pia Alonzo Wurtzbach, 26, era eleita Miss Universo 2015. Nesse período, a movimentação da Miss Universe Organization e de sua controladora, o grupo de entretenimento WME/IMG, para decidir as sedes dos concursos de 2016 – Miss USA, Miss Universo e Miss Teen USA – tem sido bastante nula. Mais grave em se tratando do Miss Teen USA, que até o ano passado era o primeiro certame a ter data e sede definida. Até então realizado em agosto, num resort de Nassau (Bahamas), a versão adolescente do Miss USA corre sério risco de sair do Atlantis Paradise Island devido ao procedimento a ser adotado pela nova proprietária do certame.
No reinado até aqui cumprido, Pia Wurtzbach já atendeu a compromissos de três entidades beneficentes e de uma representação diplomática. Fez uma única viagem internacional, para Toronto (Canadá), no final de semana do Jogo das Estrelas da NBA, a principal liga de basquete dos Estados Unidos. Isso, para não contarmos a efusiva recepção que teve em Manila. Desde 1973, uma filipina não vencia o título de Miss Universo. A presidenta da MUO, Paula Shugart, disse a órgãos de imprensa locais que espera ver a capital filipina como sede do Miss Universo 2016. Mas não é por aí que as coisas se resolvem: para se definir a sede da 65ª edição do Miss Universo, será preciso percorrer um longo e tortuoso caminho. Caminho esse que a rede de TV ABS-CBN aceitou topar. E deve aproveitar o Binibining Pilipinas 2016 do dia 17 de abril para oficializar sua intenção, da mesma maneira que Bogotá o fez em 2015, antes de ter sua candidatura atropelada fatalmente pela diarreia verbal do ex-gestor Donald Trump, 69, quando do lançamento de sua pré-candidatura à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, em comício realizado em Chicago no dia 23 de junho, dirigidea a imigrantes ilegais mexicanos, os quais foram chamados de “traficantes de drogas”, “criminosos”, “contrabandistas” e “estupradores”.
Para as Filipinas sediarem o concurso Miss Universo 2016, será necessário que o país apresente um Caderno de Encargos exigido pela MUO. Tal procedimento ocorreu em maio de 2010, quando São Paulo apresentou sua candidatura oficial para sediar o concurso Miss Universo 2011. Dirigentes da MUO estiveram em Manila na visita de Pia ao país, mas nada falaram sobre status de negociação. “Será preciso uma ampla captação de investidores locais para que esse plano se viabilize”, informou ao TV em Análise Críticas uma fonte próxima do responsável pela área internacional da MUO, Shawn McClain. O executivo da MUO já estivera na cidade brasileira de Fortaleza, em setembro de 2013, com Shugart, em reunião com autoridades locais pouco mais de um ano antes da deflagração da fatídica Operação Lava Jato, da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, que colocou na cadeia políticos, ex-diretores da Petrobras e empreiteiros, inclusive os donos da empresa baiana Andrade Galvão (hoje Galvão Engenharia), responsável pela obra superfaturada do Centro de Eventos do Ceará, local descartado por Trump para sediar o certame. Em abril do ano passado, McClain estivera também em Bogotá na comitiva de acolhida da Miss Universo 2014, Paulina Vega, por parte dos colombianos. À ocasião, McClain chegou a expressar o interesse da MUO em realizar o Miss Universo 2015 no Corferias, em Bogotá. Mas a crise causada pela imbecilidade verbal de Trump colocou tudo a perder.

Destino do Miss USA 2016 está nas mãos da FOX

Quanto à sede do Miss USA 2016, fontes da WME/IMG e da Miss Universe Organization argumentam que a definição só acontecerá depois que a rede de TV aberta FOX, nova detentora dos direitos do certame, for consultada. Em novembro do ano passado, a tevê da família do empresário Rupert Murdoch, 84, levou um contrato multianual de transmissão do Miss Universo e do Miss USA, estimado em US$ 67 milhões. Todas as 51 candidatas estaduais já foram eleitas.
Nos dois últimos anos, Baton Rouge, capital da Luisiana, levou a sede da etapa americana do Miss Universo. Las Vegas (Nevada) sediou o evento de 2008 a 2013. Loa Angeles recebeu o concurso em 2004 e 2007. Baltimore recebeu o certame em 2005 e 2006. A decisão da sede do Miss USA 2016, de acordo com a IMG, deverá sair apenas no início de abril. No entanto, alguns diretores da MUO apontam para a manutenção do certame em Baton Rouge, apesar de não existir nenhuma mobilização ou pronunciamento oficial das autoridades locais nesse sentido.

Combate à corrupção: para Shugart, punição a sergipano foi “exemplar”

Outro importante desafio da WME/IMG para os concursos da Miss Universe Organization em 2016 diz respeito à corrupção em alguns concursos nacionais. Diretores da nova controladora do Miss Universo estarão em São Paulo na segunda quinzena deste mês para conversar com a coordenação do Miss Brasil para tratar dos casos de manipulação de resultados, uso de recursos públicos e desvio de condutas de alguns coordenadores estaduais e de ex-coordenadores do Miss Brasil ligados a partidos políticos. Entre eles estão Boanerges Gaeta Junior, Romo Neves e Nayla Micherif, eleitores de políticos do PSDB de Minas Gerais, como Aécio Neves e Antônio Anastasia. Os dois defendem o impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff, 68, e foram citados em delações da Operação Lava Jato. Destes, apenas Anastasia teve inquérito arquivado. O destino de Aécio nas investigações conduzidas pelo juiz Sérgio Moro ainda não foi definido, se na condição de réu ou testemunha de acusação (no caso específico dos partidos de oposição e supostos “movimentos reivindicatórios” fascistas que querem a cabeça de Dilma).
Ao Críticas, assessores diretos de Paula Shugart elogiaram a decisão da Rede Bandeirantes de expulsar o sergipano Deivide Barbosa do quadro de coordenadores regionais do Miss Brasil e compararam-no aos padres pedófilos de Boston denunciados pelo jornal Boston Globe e retratados pelo diretor Tom McCarthy, 49, no recentemente oscarizado Spotlight – Segredos Revelados. “Só com a informação se combate a corrupção e outras maleficências causadas por franqueados nossos mundo afora. O caso brasileiro (do Miss Sergipe) deve servir de exemplo para todo o mundo e, assim como os atores de Spotlight, seu diretor e roteiristas, o TV em Análise Críticas está de parabéns por prestar relevantes serviços à liberdade de informação no combate aos casos de corrupção no concurso Miss Universo e nos certames a ele associados”, saudou a fonte ligada a Shugart, funcionária da MUO desde 1998 e presidenta da entidade há 15 anos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Jóia da coroa, Outras Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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