Depois do ‘quando’, concurso Miss Brasil 2016 precisa responder ao ‘onde’


Modelo da Polishop não contempla passeios turísticos de candidatas, mas Band insiste no modelo que usou de 2012 a 2014, para agradar governadores

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise
(Atualizado em 6/3/2016 às 14h49)

Lucas Ismael/Band/Divulgação/20.19.2014


Passeios como o de Canoa Quebrada, em 2014, estão fora da “nova ordem”

A definição da data do concurso Miss Brasil 2016 é fato consumado, mas deixou em aberto uma questão: onde realizá-lo diante do novo modelo de gestão proposto pela Polishop? Passado o susto com a quase inviabilização do Miss Brasil 2015, a Band preferiu evitar incluir o concurso na apresentação de sua grade para 2016, realizada na última terça-feira (1º). Não queria prejudicar os interesses econômicos de sua patrocinadora master (e única), e assim foi feito. Saíram perdendo os representantes das principais agências e anunciantes do país, que queriam espaços no pacote do Projeto Miss, que é mais amplo e complexo do que a Band pensa.
A princípio composto de 20 transmissões nacionais e locais de concursos estaduais, o projeto do Miss Brasil 2016 tentará contemplar, na medida do possível, todos os Estados nos quais a Band possua afiliada ou emissora própria. Piauí, Sergipe e Alagoas ficarão fora desse cômputo pelas razões já expostas. O problema central será convencer Fátima Abranches (Goiás) e Herculano Silva (Pará) a não assinarem com grupos regionais concorrentes. O mesmo problema se verifica com Márcio Prado (Maranhão), notório parceiro da TV Mirante, afiliada da Rede Globo em São Luís. Diretores da Organização Miss Brasil teriam chamado-o às falas para suspender o contrato de mídia com o grupo de comunicação da família do ex-presidente José Sarney, 85, em favor do grupo afiliado da Band na capital maranhense pertencente ao empresário e suplente de deputado estadual Manoel Ribeiro (PTB), 68, ligado ao grupo político de Sarney, que governou o Maranhão por mais de cinco décadas. Em 2014, o empresário tido pela Band como alvo principal para transmitir o concurso de Miss Maranhão 2016 não conseguiu reeleição direta para sua segunda legislatura. No final do mesmo ano, a afiliada da Band na capital maranhense atrasou salários de funcionários e rumores de sua venda começaram a ser espalhados na imprensa local. O funcionário que fez a denúncia – o cinegrafista Osvaldino Lisboa – foi demitido em maio do ano passado. A única ocasião que a TV Maranhense da Band transmitiu a etapa local do Miss Brasil foi em 2005.
À parte dos percalços com as coordenações estaduais do Maranhão, Goiás e Pará, a Band pergunta-se agora: onde realizar o Miss Brasil 2016, nos moldes que o empresário João Appolinário, 55, propõe? Desde que a sua extinta Enter assumiu as chaves do Miss Brasil em 2012, a Band se acostumou a realizar o certame em capitais que não São Paulo – Belo Horizonte (2013) e Fortaleza (2012 e 2014). A volta do concurso para São Paulo em 2015 foi meramente propagandística. Se, de um lado, a entrada da Polishop no negócio de eventos ajudou a oxigenar o caixa da Band para o Miss Brasil, robustecido por um empréstimo da Caixa Econômica Federal e do Deutsche Bank, por outro, o concurso se converteu em uma tragédia de audiência: registrou apenas 0,4 ponto no Painel Nacional de Televisão (PNT) da Kantar Ibope Media, que cobre 15 mercados. Na cidade-sede do certame, a média domiciliar (2,2) foi a segunda pior desde 1982.
Convencer a Polishop a diversificar sua atuação para além do ramo de vendas de produtos via telefone e internet, atingindo até mesmo a área de venda de pacotes de viagens, não será uma tarefa nada fácil para a Band. O concurso Miss Brasil precisa respirar outros ares em termos de cidade-sede. Não pode ficar preso ao modelo de negócio proposto para atender às demandas de uma empresa de televendas. Isso é péssimo para uma das principais etapas nacionais do Miss Universo (a terceira em números de classificações às semifinais, atrás apenas de Estados Unidos e Venezuela). A resistência de Appolinário em ceder aos apelos dos governadores é notória. Em ano de Olimpíada e de eleição municipal, é evidente que os governos de alguns Estados acenem com a realização do concurso em seu território. Mas com a Polishop lucrando com a crise econômica que está matando o Brasil, fica difícil vislumbrar um panorama diferente do usado em 2015. Com esse cenário ainda a vigorar, ficará cada vez mais impossível se eleger uma candidata brasileira com condições de vencer o Miss Universo. A hora é para ontem e já se foram 46 anos.
Adendo: A propósito de direito de deslocamento das candidatas, nota dos advogados do ex-presidente Lula:

Os advogados de Luiz Inácio Lula da Silva repudiam as declarações dos Procuradores da República integrantes da Força Tarefa Lava Jato, que, em desesperada tentativa de legitimar a arbitrária condução coercitiva do ex-Presidente na sexta-feira 4/03/2016, emitiram ontem nota afirmando, com inegável desfaçatez, que a medida teve por objetivo atender a requerimento formulado pela defesa em habeas corpus impetrado perante o Tribunal de Justiça de São Paulo.
A defesa de Lula não deu procuração ao MPF e identifica claro desapego à realidade na afirmação de que o citado habeas corpus teria sido impetrado com o argumento de que o agendamento da oitiva do ex-Presidente poderia colocar em risco a sua segurança, a segurança pública e a de agentes públicos.
A verdade é que aquele habeas corpus foi impetrado com o argumento principal de que a condução coercitiva do ex-Presidente e de sua esposa, cogitada pelo Promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público do Estado de São Paulo, não poderia ser admitida pois afrontaria a ordem jurídica. A Corte paulista acolheu o argumento da defesa para afastar a possibilidade da medida de força. O próprio membro do MP/SP reconheceu a ausência de amparo legal e acatou a decisão do TJSP.
Lula já prestou três depoimentos, dois à Polícia Federal e um ao Ministério Público Federal. Em nenhum destes houve qualquer confronto ou risco à ordem pública, porque marcados e realizados de forma adequada pelas autoridades envolvidas.
A condução coercitiva é medida que cerceia a liberdade de ir e vir e jamais poderia ter sido requerida ou autorizada nos termos em que se deu. A liberdade de locomoção é garantia fundamental, tanto que a legislação estabelece que configura abuso de autoridade qualquer ato de autoridade que possa restringi-la (Lei nº 4.898/65, art. 3º, “a”).
O fato de a Operação Lava Jato já ter emitido 117 mandados de condução coercitiva não tem o condão de legitimar a ilegalidade agora praticada contra o ex-Presidente Lula, mas, ao contrário, serve de alerta para tantas outras arbitrariedades que poderão já ter sido praticadas nessa operação.
Não há que se cogitar em “cortina de fumaça” na presente discussão. Houve, inegavelmente, grave atentado à liberdade de locomoção de um ex-Presidente da República sem qualquer base legal. A tentativa de vincular Lula a “esquema de formação de cartel e corrupção da Petrobras” apenas atende anseio pessoal das autoridades envolvidas na operação, além de configurar infração de dever funcional, na medida em que a nota emitida pelo MPF – tal qual a entrevista coletiva concedida pelo órgão – antecipou juízo de valor, o que é vedado pelo artigo 8º da Resolução 23/2007, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O MPF aposta na força das palavras em detrimento dos fatos. Lula jamais participou ou foi beneficiado, direta ou indiretamente, de qualquer ato ilegal.

Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Depois do ‘quando’, concurso Miss Brasil 2016 precisa responder ao ‘onde’

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