Em evento de programação para 2016, Band boicota concursos de misses


Focos foram Olimpíadas do Rio, eleições e edição nacional do The X-Factor

Da redação TV em Análise
(Atualizado em 5/3/2016 às 15h24)

Miss Universe Organization/Divulgação/20.12.2015


Transmissão do Miss Universo 2015 da Band foi a de menor audiência entre sete países pesquisados pelo Críticas: anúncio custou R$ 115 mil à Polishop

Tradicionalmente colocados como foco dos eventos de programação da Rede Bandeirantes, os concursos de misses foram colocados em segundo plano no evento de apresentação da grade de 2016 realizado na terça-feira (1º), no restaurante Casa Bossa do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. No release que foi distribuído à imprensa, constam apenas de eventos as coberturas das Olimpíadas de Verão do Rio de Janeiro, a Eurocopa da França e as eleições municipais. A Rio 2016 para a Band, aliás, já está toda vendida.
Na véspera do upfront da Casa Bossa, a Band soltou informe no Facebook oficial do Miss Brasil informando que o programa completo do concurso, incluindo o calendário das 27 etapas estaduais, não ficaria pronto a tempo da apresentação ao mercado publicitário. O cronograma só foi liberado na manhã da quinta-feira (3), atendendo a pedido da Polishop, que não queria ver uma propriedade sua exposta a concorrentes interessados em superfaturar o preço do comercial de 30 segundos de cada etapa do Miss Brasil, que credencia a representante brasileira na disputa de Miss Universo. No mercado, especula-se que o preço do anúncio para o Miss Brasil custe em torno de R$ 110 a R$ 115 mil, em valores referentes ao que a Polishop pagou para anunciar no concurso de 2015, o primeiro sob a sua administração. Em anos anteriores, gigantes como Coca-Cola, Casas Bahia, AmBev, Colgate-Palmolive e Multymarcas paravam entre R$ 150 e R$ 200 mil por anúncio a ponto de, no Miss Universo 2011, a Band ter faturado R$ 51 milhões só com ações de publicidade para a realização e transmissão do evento.
Outro ponto importante do upfront da Band para 2016 foi a oficialização da edição nacional do The X-Factor, numa tentativa de dar resposta ao grupo de realities musicais da Rede Globo – The Voice adulto e infantil e Super Star. Experiências anteriores de outras emissoras que não a Globo como Popstars (SBT) e Ídolos (SBT e Record) deram errado e seus vencedores acabaram boicotados pela tevê da famíglia Marinho, dona de gravadora (Som Preso) e do triplex de Paraty do esquema Mossack Fonseca da Operação Lava Jato.
Ao não vender o Projeto Miss 2016 às agências e anunciantes, a Band estará correndo um sério perigo de estancar os concursos de misses integrantes do programa – Miss Brasil, Miss Universo e concursos estaduais e municipais (em algumas afiliadas) – no mesmo lodaçal de traço que registra no Ibope. A penúltima colocação do Miss Brasil 2015 entre seis concursos nacionais cujas audiências foram relatadas pelo TV em Análise Críticas na noite desta sexta-feira (4), e o último lugar obtido pela transmissão doméstica do Miss Universo 2015 em comparação aos índices registrados nos Estados Unidos, Peru, Filipinas, Colômbia, Venezuela e Porto Rico colocam a perigo o projeto que a nova estrutura jurídica da Organização Miss Brasil (composta em parte pela Band, Polishop e pelo grupo americano de entretenimento WME/IMG, dono do Miss Universo) tenta colocar em prática.

Dia escolhido para o Miss Brasil 2016 é armadilha para a Band

Numa rápida constatação de como as coisas dão errado para a audiência do Miss Brasil, o Críticas tomou como exemplo um sábado, 27 de fevereiro, na faixa das 20h30 às 22h30, reportada pela Kantar Ibope Media para publicação de seus relatos semanais de audiência do Painel Nacional de Televisão. A novela turca Fatmagül – A Força do Amor entrega com 1,3 ponto na média individual para o Show Da Fé registrar 0,47 ponto. A atração que se seguiu nessa noite, o VT de uma semifinal do Brasil Open de Tênis, registrou 0,45 ponto.
Se fosse realizado nesse dia, a etapa brasileira do Miss Universo teria registrado média de 0,46 ponto – a mesma do concurso Miss Brasil 2015, a contar de seu pré-show.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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