Os vencedores do 88º Oscar, em detalhes e estatísticas


Beneficiado por sindicatos técnicos, Mad Max: Estrada da Fúria estraga festas de Spotlight e DiCaprio e leva o maior número de estatuetas

Da redação TV em Análise

AFP/Getty Images


Alicia Vikander com a estatueta na mão: orgulho da Suécia

Numa cerimônia que só acabou depois das 21h (pelo horário local), foram anunciados na noite deste domingo (27), no Dolby Theatre, em Los Angeles, os vencedores das 24 categorias competitivas da 88ª edição do Oscar, que contemplou as principais realizações da indústria cinematográfica americana no ano de 2015. Apesar da vitória de Spotlight – Segredos Revelados na categoria de melhor filme, não coube ao filme que ganhou essa categoria ostentar o maior número de estatuetas da noite. No cômputo, esse privilégio recaiu sobre Mad Max: Estrada da Fúria, egresso de vitórias ou indicações em premiações de seis sindicatos técnicos (ADG, ACE, MPSE, CDG, MUAHS e CAS). Pelo sexto ano seguido, um filme que ganha o Oscar de melhor filme não leva o maior número de estatuetas de forma hegemônica – a última vez que isso tinha ocorrido foi em 2010, quando Guerra ao Terror levara seis estatuetas, contra apenas três de Avatar. Em 2011 (O Discurso do Rei e A Origem), 2012 (O Artista e A Invenção de Hugo Cabret) e 2015 (Birdman ou [A Inesperada Virtude da Ignorância] e O Grande Hotel Budapeste), ocorreram empates entre dois filmes no quadro de maiores ganhadores de estatuetas.
Antes de Spotlight, que retrata a saga de jornalistas investigativos do jornal Boston Globe para investigar abusos sexuais na Igreja Católica de Massachusetts, Argo (2013) e 12 Anos de Escravidão (2014) saíram vencedores do Oscar de melhor filme, mas não levaram o maior número de estatuetas. Nessas ocasiões, A Vida de Pi (quatro estatuetas) e Gravidade (sete) ficaram com esse privilégio.
Nas áreas de atuação, o inglês Mark Rylance, 56, confirmou o favoritismo atestado com sua vitória no BAFTA de duas semanas atrás e derrotou Sylvester Stallone, 69, na disputa de melhor ator coadjuvante, apesar de este já ter vencido os Golden Globes e os Critics’ Choice Awards, cujas vitórias foram anuladas por um peso morto no SAG Awards, no qual não estava indicado. Em mão totalmente oposta, a sueca Alicia Vikander, 27, confirmou seu favoritismo atestado no CCA, SAG e BAFTA e arrebatou a estatueta de atriz coadjuvante por A Garota Dinamarquesa. É a quarta vitória de uma atriz sueca na história do Oscar – as outras três tinham sido obtidas por Ingrid Bergman (1915-1982) em 1944, 1956 (como atriz principal em À Meia Luz e Anastácia) e 1974 (como atriz coadjuvante em Assassinato no Expresso Oriente). Com Vikander, a Suécia acumula 19 vitórias em categorias competitivas do Oscar desde 1944 e duas premiações especiais para a atriz Greta Garbo (1905-1990) em 1954, agraciada com o prêmio honorário da Academia, e o diretor Ingmar Bergman (1918-2007), agraciado com o Prêmio Memorial Irving G. Thalberg.
Ainda na atuação, Leonardo DiCaprio, 41, conseguiu sua primeira vitória na carreira em quatro indicações ao Oscar como ator principal ou coadjuvante – Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador (1993), O Aviador (2005) e O Lobo de Wall Street (2014, esta também indicado como produtor) e O Regresso. Sua consagração apenas atestou o favoritismo constatado ao longo de todo o ciclo de premiações prévias ao Oscar que envolveram categorias de atuação principal – Golden Globe, Critics Choice, SAG, BAFTA e Satellite Awards. O mesmo vale para a novata Brie Larson, 26, que conquistou sua estatueta de melhor atriz por O Quarto de Jack.

Após México quase boicotar Miss Universo, Iñárritu e Lubezki atacam Trump

Vencedor no ano passado por Birdman, o mexicano Alejandro González Iñárritu, 52, usou seu discurso de aceitação para a categoria de melhor diretor onde conquistou o bicampeonato por O Regresso para atacar o pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, 69. O mesmo expediente foi usado pelo diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, 51. No lançamento de sua campanha, em 16 de junho do ano passado, Trump chamou imigrantes ilegais mexicanos que vivem nos Estados Unidos de “traficantes de drogas”, “criminosos”, “contrabandistas” e “estupradores”. A declaração fez o México se afastar por algumas semanas do concurso de Miss Universo 2015 ao lado da Costa Rica e do Panamá, causando uma crise sem precedentes na história do concurso. Com a venda da empresa que promove o Miss Universo, a Miss Universe Organization, em 14 de setembro do ano passado, para o grupo de entretenimento WME/IMG, pertencente a um doador de campanha do Partido Democrata, Ari Emanuel, 54, e a um membro votante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Patrick Whitesell, 51, esses países retornaram à disputa de dezembro passado em Las Vegas, mas colheram resultados desastrosos. Dos países que boicotaram o Miss Universo 2015 (e depois retornaram), apenas o México obteve classificação entre as 15 semifinalistas. Os discursos de Iñárritu e Lubezki apenas reforçaram a catarse liderada pela empresária e ex-miss Universo Lupita Jones, 47, que encontrou apoio no Grupo Televisa. Nos discursos de ambos, houve referências diretas à verborragia mórbida usada por Trump para insultar latinos no início de sua campanha.
Noutra frente, o roteirista Adam McKay, 47, atacou no discurso de aceitação de melhor roteiro adaptado por A Grande Aposta tanto Trump quanto a pré-candidata democrata Hillary Clinton, 68, por receberem doações de bancos (Soros Fund Management e Manchester Financial Group, apenas para citar os principais doadores de cada pré-candidatura). A produção venceu o PGA Award de melhor filme, mas o peso do sindicato dos produtores (a favor de A Grande Aposta) e das casas de apostas (a favor de O Regresso) acabou amortecido por Spotlight. Abaixo, a lista detalhada de vencedores:

Melhor filme
Spotlight – Segredos Recelados

Melhor ator
Leonardo DiCaprio – O Regresso

Melhor atriz
Brie Larson – O Quarto de Jack

Melhor ator coadjuvante
Mark Rylance – Ponte dos Espiões

Melhor atriz coadjuvante
Alicia Vikander – A Garota Dinamarquesa

Melhor diretor
Alejandro González Iñárritu – O Regresso

Roteiro original
Josj Singer e Tom McCarthy – Spotlight – Segredos Revelados

Roteiro adaptado
Adam McKay e Charles Randolph – A Grande Aposta

Direção de arte
Mad Max: Estrada da Fúria

Edição
Margaret Sixel – Mad Max: Estrada da Fúria

Edição de som
Mark Mangini – Mad Max: Estrada da Fúria

Fotografia
Emmanuel Lubezki – O Regresso

Figurino
Jenny Beavan – Mad Max: Estrada da Fúria

Efeitos visuais
Ex Machina: Instinto Artificial

Maquiagem e penteado
Mad Max: Estrada da Fúria

Mixagem de som
Mad Max: Estrada da Fúria

Filme de animação
Divertida Mente

Curta de animação
Bear Story

Trilha sonora original
Ennio Morricone – Os Oito Odiados

Canção original
Writing’s On The Wall (007 Contra Spectre) – Letra e música de Jimmy Napes e Sam Smith

Curta-metragem de ficção
Stutterer

Filme documentário
Amy

Documentário de curta-metragem
A Girl in the River: The Price of Forgiveness

Filme estrangeiro
O Filho de Saul (HUN)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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