Por melhores resultados e para acabar jejum de títulos no Miss Universo e mais audiência, coordenadores estaduais querem que a Globo tire o Miss Brasil e o Miss Universo da Band


Proposta prevê a organização e fiscalização de todas as 27 etapas estaduais e mais de 300 concursos municipais realizados no país com vistas ao concurso internacional

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação~/16.11.2015


Gravação de candidatas para o concurso Miss Brasil 2015

Principal concurso de beleza do país, o concurso de Miss Brasil válido pelo título de Miss Universo pode mudar de mãos na TV aberta brasileira a partir de 2018. Um grupo de 15 coordenadores estaduais e 145 coordenadores municipais filiados ao Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CMCCB) teria procurado a Rede Globo para apresentar um plano de trabalho para assumir os direitos dos dois concursos, hoje pertencentes à Rede Bandeirantes. Em TV fechada, os direitos do Miss Universo pertencem ao canal TNT, da programadora Turner.
Por contrato, a Band tem preferência na renovação do contrato, válido até 2020. O acordo atual foi assinado no final de outubro do ano passado em Beverly Hills, na sede mundial da WME/IMG, empresa dona de eventos como Lollapalooza, New York Fashion Week e da Professional Bull Riders (PBR), principal liga de rodeios profissionais dos Estados Unidos, a qual já teve negócios com o Grupo Band, entre 2005 e 2006, através do canal Terraviva.
Pelo plano, adiantado com exclusividade ao TV em Análise Críticas, caberia ao Grupo Globo a fiscalização, promoção e seleção das candidatas às disputas municipais para os concursos estaduais. Indicações em concursos estaduais seriam proibidas para atender aos moldes do Miss USA, considerado padrão para os moldes do novo Miss Brasil. Segundo esses coordenadores, o modelo proposto pela Band é “ultrapassado” e “não contempla a real beleza e não valoriza a dignidade da mulher brasileira, transformada na tevê da família Saad em mercadoria para os infomerciais irritantes que já contaminam até as grades das TVs pagas”. O grupo de coordenadores também ataca a empresa de varejo Polishop, patrocinadora do Miss Brasil da Band desde o ano passado, chamando-a de “mercenária” e “exploradora da dignidade feminina”.
No entanto, diretores da Globo já teriam sinalizado ao grupo do CNCCB que são contra a aquisição do concurso Miss Brasil, bem como do Miss Universo, “por se tratar de eventos de propriedade artística e intelectual de terceiros”. “Não é assim que se trabalha”, teria alertado um dos executivos globais ao grupo de coordenadores estaduais, formado por direções não parceiras da Band. Mas, um argumento fortíssimo deve convencer a Globo a ficar com o Miss Brasil: o país não vence o Miss Universo há 48 anos. Desde 1969, o país obteve 21 classificações entre as semifinalistas, sem resultar em título algum. Nas oportunidades em que o país chegou perto, em 1972 e 2007, as candidatas brasileiras caíram no segundo lugar. Em apenas uma, em 2011, chegou ao terceiro lugar. Em 1979 e 1981, o país obteve o quarto lugar na disputa. Em 1971, o país obteve seu único quinto lugar do hiato sem títulos de Miss Universo. O último deles foi conquistado pela baiana Marta Vasconcelos, em 13 de junho de 1968, no Miami Beach Convention Center, em Miami Beach (Flórida).

Para paraenses, o buraco para a Globo tapar é mais embaixo

O que preocupa os coordenadores que supostamente procuraram a Globo é o abismo de não classificações que o país acumulou no Miss Universo entre 1974 e 2010 – 25 não consecutivas, no total, depois do título de Marta. “Temos de corrigir essas discrepâncias trabalhando com quem, efetivamente, entende de Brasil e de torcida pelo Brasil e representa de verdade a comunicação do Brasil”, sentenciou um representante da coordenação do concurso Miss Pará, que disse estar em negociações avançadas com a TV Liberal para a transmissão do concurso para todo o Estado, em lugar da TV RBA, afiliada local da Band. “Já estamos cansados dessa bandalheira do senador Jader Barbalho e de sua famíglia, com g, mandarem e desmandarem na transmissão do Miss Pará. Esconder o concurso dos telespectadores de todos os paraenses nos últimos anos foi uma pornografia, um acinte e um escárnio aos bolsos dos coordenadores municipais, que muitas vezes tem de matar casamento e família para empenhar suas economias na organização daquilo que, nas mãos da band, não dá lucro nenhum, a não ser nas mãos daqueles picaretas (da Polishop) que andam vendendo grill do George Foreman e outras porcarias que não funcionam e somos obrigados a nos martirizar em protocolos no Procon que não levam a nada nesta bosta de país, nesta porcaria de país. Chega! Já estamos cansados desse absurdo!”, disse exaltado um representante da coordenação paraense, que diz ter livre trânsito entre os irmãos Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto), a família Maiorana (dona do grupo da TV Liberal) e o grupo do governador Simão Jatene (PSDB).
Outro argumento que fortalece a tese daqueles que defendem a ida do Miss Brasil e Miss Universo para a Globo reside no fator audiência. No ano passado, o pré-show do Miss Brasil da Band foi visto em 15 mercados por 317.500 telespectadores, registrando média individual de 0,4 ponto. O programa mais visto da Globo tem 11 milhões de telespectadores nessas praças e registra média individual de 16 pontos nesses mesmos mercados. Para os missólogos “globais”, receber a audiência de uma novela das nove seria uma boa “escada” para dar mais audiência a um concurso que, no período de maior audiência no SBT, entre 1982 e 1986, chegava a registrar entre 25 e 38 pontos de média domiciliar só na Grande São Paulo, principal praça de decisões para o mercado publicitário.
Procurada pela reportagem do Críticas, a Central Globo de Comunicação negou qualquer intenção da emissora da famíglia Marinho de negociar os direitos do Miss Universo em TV aberta, bem como do Miss Brasil. “Esses boatos não procedem. O Miss Brasil e o Miss Universo são propriedade da Band e não vamos mexer nelas enquanto o contrato da outra emissora com a Organização Miss Universo estiver vigente”, sustenta a nota. A direção do CNCCB não retornou os pedidos de entrevista. Por sua vez, a Band disse que os rumores sobre a saída dos concursos de sua grade “não procedem”.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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