Assunto da semana: Vai para o inferno, Amy!


O pré-sal brasileiro e a falta de argumento de Angel from Hell

CBS/Divulgação/01.04.2015

Do ponto de vista artístico, não acho que Angel from Hell (Warner, 4ª, 20h, 12 anos) seja coisa interessante. Seu piloto é ruim da cabeça e doente do pé. Não sei qual foi a mente brilhante da CBS que permitiu a aprovação dessa aberração de premissa, escrita por Tad Quill. É a mesma coisa que passar para o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) a tarefa de servir de “ghost writer” da asneira que foi a criminalização fracassada dos movimentos sociais na Lei Antiterrorismo que a Câmara aprovou horas antes da sitcom estrear no Brasil. Babaquice.
O besteirol que se fez para dar um papel idiota à altura de um nome sério como o de Jane Lynch – o de uma anja (Amy) de uma moça chamada Allison (Maggie Lawson), é de uma idiotice mais complexa que a dos comediantes da antiga TV Pirata. Inicialmente agendado para estrear após a conclusão do pacote de jogos da NFL nas noites de quinta-feira, Angel from Hell foi sacado do dia 30 de outubro do ano passado para o dia 7 de janeiro, noite seguinte ao 42º People’s Choice Awards que Lynch apresentou, sem antever as consequências.
Cheio de diálogos vagos e pobres, incluindo uma menção a Gisele Bündchen, o piloto de Angel from Hell se perdeu totalmente no roteiro. Não possui uma piada que preste. Não possui graça nenhuma, de tanta seriedade que apresentou. Da falta de argumento dos tucanos com o caso do MST e, principalmente, da tez entreguista do pré-sal aos americanos, Angel from Hell tem muito da pena de Aloysio e José Serra, ambos senadores por São Paulo. Recomenda-se a Quill dar uma assessorada aos parlamentares nos seus discursos.
Constrangedor, o evento de estreia de Angel from Hell se converteu em uma das maiores decepções do ciclo televisivo americano 2015-2016. Ao lado da babaquice de Minority Report, Angel saiu de cena da grade da CBS após a veiculação de cinco episódios. O último deles foi transmitido nos Estados Unidos no dia 4 de fevereiro. Para efeito de Primetime Emmy, isso é coisa para ser esquecida: as normas da premiação preveem um mínimo de seis episódios para efeito de submissão. O troço já vai tarde. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (28/2)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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