Band oficializa antecipação do Miss Brasil 2016


Sucessora de Marthina Brandt será eleita em data a ser escolhida entre 24 de setembro e 1º de outubro, véspera de eleições municipais

Da redação TV em Análise

Çucas Ismael/Band/Divulgação/18.11.2015


Marthina Brandt e outras misses estaduais de 2015 não poderão aparecer em emissoras concorrentes; Polishop renovou patrocínio até 2017

A Rede Bandeirantes oficializou no começo da tarde desta sexta-feira (19) a antecipação da data do concurso Miss Brasil 2016. De acordo com a emissora, a 62ª edição da etapa brasileira do Miss Universo deverá ser realizada entre o final de setembro e o começo de outubro. Como noticiou o TV em Análise nesta quinta-feira (18), duas datas já estão sendo estudadas, ambas caindo num sábado: 24 de setembro e 1º de outubro (esta, véspera do primeiro turno das eleições para prefeitos e vereadores). Caso uma dessas datas se confirme, esta será a primeira vez desde 2014 que o Miss Brasil volta a ser realizado num sábado. No ano passado, o concurso foi realizado numa quarta-feira, 18 de novembro, e registrou números desapontadores no Painel Nacional de Televisão da Kantar Ibope Media. Apenas seu pré-show registrou 0,4 ponto de média em 15 mercados – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Brasília, Goiânia, Campinas, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Nessas praças, o concurso foi visto por 317.500 telespectadores, número esse menor que o registrado em concursos nacionais dos Estados Unidos (925 mil) e França (8,6 milhões), de acordo com dados das empresas Nielsen Media Research e Mediamétrie.
Diretores da Band também trabalham para acertar os detalhes finais do acordo com a nova proprietária do Miss Universo, a IMG Models, para mudar o sistema de parceria para contratação das misses como modelos que, para o Miss Brasil 2015, foi usado pela rival Ford Models. O contrato com a agência controlada por Denise Céspedes, 50, não deverá ser renovado para atender aos interesses do grupo controlador da IMG, a WME/IMG, que estaria enxergando na parceria com a Band para o Miss Brasil uma oportunidade de expandir sua atuação na América do Sul, por meio de aquisições de algumas coordenações nacionais, possibilidade que já está em estudos avançados.
De acordo com a emissora, o patrocínio master da Polishop, representada pela marca de cosméticos Be Emotion, foi renovado até o Miss Brasil 2017. A intenção da continuidade da parceria e tentar aproximar as candidatas estaduais das comunidades que irão representar nos concursos estaduais. Em relação às candidatas que saírem eleitas nas disputas estaduais, a promessa da Band é assegurar maior exposição na grade de programação em comparação às misses de anos anteriores, inclusive a segunda colocada no Miss Universo 2007, a mineira Natália Guimarães, cujo reinado de Miss Brasil não foi fiscalizado pela Band. Com o novo pacote, as aparições da Miss Brasil 2015 Marthina Brandt, bem como das outras 26 misses estaduais em emissoras concorrentes ficam proibidas.

Coordenadores estaduais pedem ida do concurso para a Globo

Representantes do Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) informaram ao TV em Análise Críticas que as mudanças propostas pela Band para o Miss Brasil 2016 “são bem-vindas, porém precisam atender às necessidades de mercado das emissoras que exibem os concursos estaduais e à rede que exibe o concurso nacional”. Em uma carta divulgada no final da noite desta sexta-feira (19), o CNCCB reforça sua posição de que o Miss Brasil “precisa de outra emissora de maior audiência que a Band, que tem dado, nos últimos anos, resultados desastrosos para o concurso nas principais praças de medição de audiência”.
Uma fonte do CNCCB defendeu que, se pudesse “e não dependesse das vontades da Band”, negociaria o concurso individualmente com as três maiores redes de televisão aberta do país – Globo, Record e SBT – para acertar uma licitação dos direitos de transmissão do Miss Brasil válida de 2018 a 2022. De acordo com a fonte, que pediu para não ser identificada, “sai mais vantajoso para o coordenador estadual de um Estado médio como o Pará, por exemplo, negociar os direitos do concurso Miss Pará com a TV Liberal (afiliada da Globo em Belém e principal emissora do Estado) do que ficar refém das canalhices do senador Jader Barbalho (PMDB), 71, dono da afiliada da Band no Estado, a TV RBA, que cobra caminhões de dinheiro para não exibir o Miss Pará e trocá-lo pelas baixarias dos humoristas do Pânico, que preferem bunda de mulher a concurso de beleza. Isso é um escárnio que precisa ser corrigido”, informou.
Fontes de mercado avaliam que a parceria Band/Polishop rendeu aos cofres da organização do concurso Miss Brasil cerca de R$ 21,5 milhões em 2015 com o socorro financeiro dado pela empresa de televendas. Outros R$ 6,5 milhões teriam sido oferecidos pela Ford Models à Band para tentar salvar os direitos de representação da concessão do concurso Miss Universo no Brasil de serem tirados da Band por parte do Grupo Globo, que teria acenado com uma proposta de R$ 71,5 milhões (US$ 17,7 milhões). No entanto, diretores da Miss Universe Organization consideraram essa proposta abusiva e lesiva aos interesses do Miss Universo, cuja compra por parte da WME/IMG junto à Trump Organization, anunciada em 14 de setembro do ano passado, custou US$ 28 milhões (R$ 112,6 milhões). “Nem a Venevisión, que é dona do Miss Venezuela, chega a oferecer tamanha extorsão para representar o Miss Universo. E olhe que a Venezuela vem acumulando resultados bem sucedidos nos últimos 30 anos sem fazer achaque com o Miss Universo”, ressaltou o informante. Em 2014, a Band faturara R$ 57,5 milhões com o Miss Brasil, realizado em Fortaleza mediante acordo com a Secretaria Estadual de Turismo. Esse número é menor que os R$ 71,8 milhões registrados com o Miss Brasil 2013, realizado em Belo Horizonte, nos mesmos modeles. No Miss Brasil 2012, também realizado em Fortaleza, a Band faturou R$ 64,5 milhões – R$ 13 milhões a mais do que faturou com o concurso Miss Universo 2011, realizado em São Paulo.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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3 respostas para Band oficializa antecipação do Miss Brasil 2016

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