Assunto da semana: Bowie, White, Frey, King e Lemmy, não descansem em paz!


Os doces tributos e chatices burocráticas do 58º Grammy

Kevork Djansezian/WireImage/15.02.2016

Tente rimar Grammy com Lemmy do Motörhead com Maurice White do Earth, Wind & Fire com David Bowie com B.B. King (que algumas mentes desérticas neste olimpop bolivariano chamado Brasil insistem na Noite do Prazer da Banda Brylho do Cláudio Zoli chamar maldosamente de “bibiquini”). Esta verdadeira festa do Céu que norteou a pauta musical do 58º Grammy realizado na segunda-feira (15), feriado nacional dos presidentes americanos, não fez a premiação dar o arranque de audiência que se desejava. Atolou.

David Giesbrescht/Netflix/Divulgação/13.11.2014

Para não dizer que falei das flores de plástico que não morrem, como vaticina desde 1989 uma famosa música dos Titãs, o músico João Marcelo Bôscoli, 45 (de idade e não do registro partidário do PSDB no Tribunal Superior Eleitoral), fez do discurso do presidente da NARAS (sigla em inglês para a Academia de Gravação que promove o “Oscar da música”) palanque para endossar as reivindicações da “comunidade criativa de músicos” ante pragas de streaming como Amazon, Apple, Netflix e afins. Netflix? Mas Netflix não passa séries e filmes?

Fotos Kevork Djansezian e Kevin Winter/WireImage/15.02.2016

É, no mínimo, patético, para não dizer trágico o modo como o presidente da academia do Grammy vai reclamar das injustiças sofridas no recolhimento de direitos dos músicos, cantores e compositores, na mesma nota que escamoteia as sucessivas quedas de audiência da exibição americana da premiação, feita pela CBS pela primeira vez de costa a costa. Na conta ajustada de fuso da empresa Nielsen, veio a tragédia: a premiação teve média de apenas 7,3 pontos entre os telespectadores na faixa de 18 a 49 anos, público ávido por boa música.

Fotos Kevork Djansezian e Kevin Winter/WireImage/15.02.2016

Entre tantas lembranças dadas por Lady Gaga, Johnny Depp e Alice Cooper, o que sobrou do EW&F, Bonnie Raitt e o que sobrou dos Eagles do Hotel Califórnia após o passamento de Glenn Frey em janeiro, o 58º Grammy se resumiu, como espetáculo, a evento de casa funerária, abastecido por uma saraivada de atos musicais e colaborações. Colocar The Weeknd, Pitbull, Carrie Underwood com Sam Hunt e Taylor Swift para abrir a campa foi um mero exercício de burocracia, no qual o telespectador saiu perdendo. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (21/2)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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