Dono da Polishop é contra criação de empresa exclusiva para promover o concurso Miss Brasil a partir de 2016


Nova estrutura deve abrigar profissionais na promoção de grandes eventos como Rock in Rio, Lollapallooza e Monsters of Rock e ex-misses em substituição à estrutura que a Band tinha com a extinta Enter, que promoveu o certame entre 2012 e 2014

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/16.11.2015


Ideia da Organização Miss Brasil Universo teria partido da ex-modelo de passarelas Denise Céspedes, diretora da Ford Models no país

O empresário João Appolinário, CEO da Polishop, teria se mostrado contrário à ideia de assumir a franquia brasileira do Miss Universo e, principalmente, à criação de uma entidade exclusiva para a promoção do concurso Miss Brasil, sob sua propriedade desde novembro do ano passado. Fontes de mercado informaram ao TV em Análise Críticas na manhã desta quinta-feira (14) que Appolinário usou seu poder de influência para barrar a formação da Organização Miss Brasil Universo (OMBU), nos mesmos moldes da Binibining Pilipinas Charities Inc. (BPCI, Filipinas), Concurso Nacional de Belleza (Colômbia), Organización Miss Venezuela (Venezuela) e Miss Universe Organization (Estados Unidos, entidade organizadora do concurso de Miss Universo).
De acordo com fontes do meio miss consultadas pelo Críticas após a participação da gaúcha Marthina Brandt no concurso Miss Universo 2015, no dia 20 de dezembro do ano passado, em Las Vegas, a ideia de criar a Organização Miss Brasil Universo teria partido da presidente da Ford Models Brasil, Denise Céspedes, 50, ex-modelo de passarelas. No entanto, faltaria a contratação de pessoas consideradas “vitais” para a montagem da nova estrutura. Um dos primeiros nomes a ser sondado para dirigir a OMBU foi o do missólogo gaúcho Evandro Hazzy, que teria recusado o convite em favor da montagem de uma escola de misses em Porto Alegre. Diretores da extinta Enter foram sondados para assumir postos chave de direção, mas não deram resposta. A saída de Céspedes, segundo essas fontes, será recorrer a ex-misses Brasil e a profissionais na promoção de grandes eventos como Rock in Rio, Lollapallooza e Monsters of Rock para compor a nova estrutura do principal concurso de beleza do país, que terá de procurar uma nova emissora a partir de 2016.
Pela proposta de Appolinário, a intenção é manter a Miss Brasil longe de ações de caridade e de viagens para os Estados e focá-la em ações de merchandisding, o que caracterizaria mercantilização da mulher em detrimento da promoção de seus ideais, de sua dignidade e de seus princípios. A conduta fere um dos princípios da Miss Universe Organization, que exige das coordenações nacionais que as respectivas misses atendam a compromissos beneficentes de entidades parceiras. Quando promoveu o Miss Brasil, a Enter foi parceira da Casa do Zezinho, do GRAACC e de outras entidades de prevenção à Aids, assistência a crianças deficientes e erradicação da mendicância. À época do Miss Brasil 2015, o CEO da Polishop dizia ao site oficial do concurso procurar mulheres com mais atitude e opinião e que em nada lembrassem nomes como Martha Rocha, Adalgisa Colombo, Márcia Gabrielle, Deise Nunes, dentre outras. Na prática, João Appolinário conseguiu que o Miss Brasil 2015 formasse ex machinas de ataques pessoais à presidenta Dilma Rousseff, a seu antecessor Luís Inácio Lula da Silva (ambos do PT) e exaltassem, na surdina, práticas de esquemas criminosos liderados por políticos do PSDB, DEM, Solidariedade e PMDB, como Eduardo Cunha, Paulinho da Força, José Serra, Aécio Neves, Pedro Taques, José Ivo Sartori, Yeda Crusius, Fernando Henrique Cardoso, José Agripino Maia, dentre outros.

“Que comam brioches”

Ainda de acordo com João Appolinário, a intenção da Polishop não será de assumir a coordenação brasileira do Miss Universo a curto prazo e sim de focar no Miss Brasil e nos concursos regionais já a partir deste ano. A intenção da empresa e de sua parceira de organização, a Ford Models, será a de buscar candidatas inclusive em regiões isoladas econômica e estruturalmente, como é o caso de algumas regiões ribeirinhas do Acre, Amazonas, Amapá e Roraima e comunidades à beira da malfadada rodovia Transamazônica, obra megalomaníaca do governo do general Emílio Garrastazu Médici (1905-1985) que pretendia ligar Cabedelo (PB) à Benjamin Constant (AM, na divisa com o Peru). A estrutura vigente dos concursos estaduais será preservada, porém, dentro dos novos padrões. Segundo Appolinário, “o custo para assumir a franquia brasileira do Miss Universo é muito alto e teríamos de dividi-lo com uma importante corporação de mídia, que pode ser a Band ou qualquer outra que se interesse em passar o nosso concurso”. O investimento da Polishop e da Ford Models para formar a estrutura da nova Organização Miss Brasil Universo está orçado em R$ 33 milhões, a serem bancados por patrocinadores adicionais, acordos regionais e nacionais de mídia e pagamento de taxas de royalties de coordenações estaduais e municipais.
Procurado pela redação do Críticas, o Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) informou que não irá comentar as declarações de João Appolinário, “por se tratar de um assunto sob sigilo”. Ainda de acordo com a entidade, sediada em Manaus, as negociações para a formatação da estrutura de produção das etapas regionais do Miss Brasil 2016 dentro dos moldes propostos pelo consórcio Polishop/Ford Models só terão início a partir de 1º de março, após o Carnaval e as férias dos coordenadores.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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4 respostas para Dono da Polishop é contra criação de empresa exclusiva para promover o concurso Miss Brasil a partir de 2016

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