Com reestruturação da Band, empresa que promovia o concurso Miss Brasil deixa de existir


Enter foi criada em dezembro de 2010 para organizar o concurso Miss Universo 2011, em São Paulo, e provas de Fórmula Indy

Da redação TV em Análise

Reprodução/Facebook/Miss Brasul Universo/25.01.2015


Carvalho, Fagliari e Hazzy: em Miami, o último suspiro do Sonho de Miss da Band que acabou com a morte da Enter e seu orçamento de R$ 100 milhões

A extinção de duas vice-presidências do Grupo Bandeirantes de Comunicação (mídia exterior e CFO/serviços compartilhados), anunciada na quinta-feira (7) pelo seu vice-presidente Marcelo Meira, atingiu em cheio a Enter-Entertainment Experience, empresa de eventos formada em 19 de dezembro de 2010 para organizar o concurso Miss Universo 2011 na cidade de São Paulo. Dirigida inicialmente pelo executivo Frederico Nogueira, a Enter cuidou também da realização da São Paulo Indy 300 entre 2011 e 2013.
Durante o processo de preparação da cidade de São Paulo para receber a 60[ edição do Miss Universo, realizada em 12 de setembro de 2011, a Enter chegou a contar com 300 funcionários e orçamento anual de R$ 100 milhões.
Antes mesmo do Miss Universo 2011, a Enter sofreu suas primeiras baixas no quadro de funcionários. 150 funcionários temporários foram mandados embora após a realização do concurso Miss Brasil 2011. À época, a Band alegou que esses funcionários já tinham cumprido sua parte e que caberia dali em diante apenas à Miss Universe Organization tocar o processo de produção do certame, realizado no então Credicard Hall, com o número recorde de 89 candidatas. Cerca de 200 países assistiram às imagens geradas pela Band a serviço da NBC, rede americana que detinha os direitos de geração oficial das imagens e da transmissão oficial em inglês para distribuição internacional.
Após o Miss Universo 2011, a Enter conquistou o direito de representar os interesses da MUO no Brasil. Com isso, a Band passava a fazer a promoção direta do concurso Miss Brasil, a concessão e a fiscalização das 27 franquias estaduais e de pouco mais de 350 concursos municipais realizados pelo país (em dados de 2015). Nos anos em que a Enter representou o Miss Universo no Brasil, o país obteve dois quintos lugares e duas classificações entre as 15 semifinalistas do concurso Miss Universo. No início de novembro de 2015, a Enter perdeu o uso da marca Miss Brasil para a empresa de varejo Polishop, assim como as marcas relacionadas a concursos estaduais e municipais. Com a venda dos ativos de concursos de beleza (a serem organizados a partir de agora pela Ford Models, que também deverá assumir a representação do Miss Universo para o país) e o mau desempenho dos pilotos brasileiros da Fórmula Indy, associado ao escândalo de desvio de verbas públicas envolvendo a organização cancelada da Brasília Indy 400, na capital federal, a Enter perdeu sua razão de existir.
Após o fim da Enter, a Band tenta recuperar na Justiça o dinheiro que perdeu no negócio com a Terracap (empresa de negócios imobiliários do Governo do Distrito Federal), feito ainda durante a gestão do então governador Agnelo Queiroz (PCdoB). O rombo de R$ 90 milhões com o projeto da Fórmula Indy no Brasil parece ter sacramentado a morte do projeto Sonho de Miss, que a Band acalentava para quatro eventuais vitórias brasileiras no Miss Universo que não vieram. E cujo prejuízo a Ford de Denise Céspedes, 50, tentará compensar ao lado da Polishop, de outros patrocinadores mais importantes e de uma rede nacional de TV aberta que tenha mais audiência e faturamento que a Band, bastião de ruralistas, retrógrados, revoltados online e idiotas afins que execram garis em mensagens de fim de ano em seu principal telejornal – ver exemplo:

Ultimamente, a Enter vinha sendo dirigida interinamente por Gabriela Fagliari e Vivian Negocia, que ocupavam o lugar deixado em maio de 2014 pelo ex-ministro Caio Luiz de Carvalho, que foi transferido pela Band para a direção geral do canal pago de intelectuais (e para intelectuais) Arte 1. Apesar da nova condição funcional, Carvalho, 64, foi fotografado na manhã do dia 25 de janeiro de 2015, em Miami, ao lado de Fagliari e do então coordenador técnico do Miss Brasil, o professor de passarela e especialista em misses gaúcho Evandro Hazzy, segurando a bandeira nacional antes do malogro da cearense Melissa Gurgel no concurso Miss Universo 2014, onde parou na fase de 15 semifinalistas em traje de banho. No concurso Miss Universo 2015, realizado em Las Vegas no dia 20 de dezembro, nenhum diretor da Band nacional estava presente. Na torcida pela gaúcha Marthina Brandt, apenas um diretor da filial de Porto Alegre, Carlos Totti, coordenador do concurso Miss Rio Grande do Sul, e familiares da candidata brasileira. Na mesma sinfonia maldita e desgraçada de Melissa, Brandt parou no top 15 de traje de banho.
Com o fechamento da Enter, cerca de 100 profissionais que trabalhavam na organização dos concursos de misses que eram promovidos pela Band devem ser reaproveitados pela nova estrutura a ser criada pela Ford Models/Polishop apenas para administrar a marca e os interesses comerciais do concurso Miss Brasil e de seus certames regionais. Em tempos de crise atingindo na veia empresas de comunicação como a Band, é provável que parte desses profissionais que foi responsável pelos êxitos de Gabriela Markus, Jakelyne Oliveira e as já citadas Melissa Gurgel e Marthina Brandt vá para a rua da amargura e enfrente as longas filas do Sine (Sistema Nacional de Emprego). Privilégios que as vencedoras do Miss Brasil tinham, como um apartamento de luxo em São Paulo para servir de moradia durante seus reinados, também vão acabar: apesar da crise, a Band já colocou o imóvel à venda. Pelo novo organograma diretivo da Band, a diretoria que Gabriela Fagliari ocupava, a de Planejamento e Projetos, foi extinta e substituída pela diretoria de Planejamento e Desenvolvimento Comercial, ocupada por Glauce Montesso, É essa a área da Band que tentará, de todas as formas, evitar uma inevitável debandada dos concursos de misses para Globo, Record ou SBT – no que depender das negociações a serem conduzidas pela MUO, a pedido da WME/IMG, que enxerga no Brasil um mercado promissor de modelos e misses. A menos que a “mídia nativa” dos filhos do Roberto Marinho e seus Diários e Emissoras (a Eles) Associados, o Deus Mercado Tom Brady, as Cheerios da Globonews, da Globo e da CBN, a aspirante nativa a genérica de Carrie Mathison do Homeland do SBT Brasil, os órgãos de imprensa do braço não armado do agroshowbusiness da UDR, os coliformes fecais da Marginal do Tietê na sede da Editora Abril, o PMDB do Coronel do Rio Eduardo Cunha e sua Tropa de Choque e os Kataguiris de plantão pensem o contrário.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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