Com saída de Frederico Nogueira, Band começa a desmontar a estrutura que a Enter consolidou em concursos de misses


Executivo foi o primeiro diretor da empresa, criada em dezembro de 2010, para organizar o concurso Miss Universo 2011 em São Paulo

João Eduardo Lima
Editor e criado dos blogs TV em Análise

Band/Divulgação


Antes de alçar o Brasil às potências do Miss Universo na “era Band” entre 2011 e 2015, Nogueira trabalhou em rádios e TVs dos Diários Associados

A saída do executivo Frederico Nogueira, anunciada pela Rede Bandeirantes na quinta-feira (7), deu início ao processo de desmantelamento da estrutura que a emissora criou com vistas à realização da 60ª edição do concurso Miss Universo no Brasil, em 12 de setembro de 2011. À época, a Band efetuou centenas de contratações temporárias que se somaram aos profissionais trazidos dos Estados Unidos pela NBC, rede que então era a responsável pela geração do sinal internacional em inglês para cerca de 200 países. Foi o principal momento de afirmação do executivo que a Band contratou em 2003, após uma rápida passagem pelos Diários Associados, onde iniciou a carreira em 1990 para cuidar da gerência comercial das rádios e TVs do grupo, à época se recuperando da violenta concordata em que entrara 10 anos antes após a cassação das concessões da Rede Tupi pelo governo do general João Figueiredo (1918-1999). Com Fred Nogueira, as emissoras dos Associados pós-Tupi se recuperaram e passaram a ter retorno financeiro.
A performance de Nogueira nos Associados chamou a atenção da Band, que o contratou para ser seu diretor-geral. Com o tempo, as atribuições de Nogueira foram tomando destaque até o momento em que a Band decidiu promovê-lo para a área de eventos especiais – carnaval, concursos de misses e a deficitária Fórmula Imdy. Em maio de 2010, Nogueira fez parte do grupo formado dentro da Band para apresentar a candidatura da cidade de São Paulo para sediar o concurso Miss Universo 2011. Sua influência junto ao então prefeito Gilberto Kassab (PSD, então no DEM) foi suficiente para que a Bamd protocolasse, no início de junho, junto à Miss Universe Organization, o Caderno de Encargos para sediar o certame. Em 13 de dezembro, São Paulo foi escolhida para sediar o concurso derrotando outras 17 cidades. A maioria das suas concorrentes não tinha garantias financeiras ou, no caso da boliviana Santa Cruz de la Sierra, apresentava alguma discordância ideológica com as exigências legais propostas pela MUO. Foi a gota d’água para Evo Morales experimentar ali uma de suas piores derrotas políticas na área de comércio internacional e turismo de grandes eventos.
Com a escolha de São Paulo para sediar o Miss Universo 2011, Nogueira foi designado pela Band para ser o primeiro diretor-geral da Enter-Entertainment Experience, empresa de eventos que o grupo acabara de formar para a promoção dos 27 concursos estaduais relacionados ao Miss Brasil, o próprio Miss Brasil e deter, após o concurso internacional, a representação do Miss Universo para o país. No momento em que esta matéria era apurada, a Enter já não constava mais na relação de empresas do Grupo Band, tampouco tinha espaços no seu quadro diretivo. Caio Luiz de Carvalho, ex-ministro do governo FHC, que também era diretor da Enter até a participação de Melissa Gurgel no Miss Universo 2014, agora é diretor geral do canal pago de programação para intelectuais Arte 1.
A queda de Frederico Nogueira significa um golpe mortal para as pretensões futuras do Grupo Bandeirantes de manter o projeto brasileiro de misses para o Miss Universo sob seu controle. Nem mesmo a operação de emissão de debêntures de R$ 250 milhões, capitaneada pela Caixa Econômica Federal e pelo Deutsche Bank, anunciada em dezembro do ano passado, será suficiente para fazer com que a Band impeça uma inevitável debandada dos concursos regionais (municipais e estaduais), do Miss Brasil e do Miss Universo para as mãos do SBT. O qual, já deverá receber a visita de diretores da WME/IMG e da Miss Universe Organization ainda neste trimestre. Com a saída da Enter da cena missológica, a presença brasileira no Miss Universo começa a ganhar novos donos na TV aberta. Nos cinco anos em que a Enter/Band atuou como representante do Miss Universo para o Brasil, o país sempre esteve entre as semifinalistas do concurso, incluindo um terceiro lugar (2011) e dois quintos lugares (2012 e 2013). Com a transição da franquia do Miss Universo para o país, a fórmula de sucesso que a Enter implantou nas mãos de Nogueira e Carvalho pode estar seriamente ameaçada.
No momento de seu desligamento da Band, Frederico Nogueira ocupava a vice-presidência de mídia exterior do Grupo Band, A área foi extinta devido à uma reestruturação interna promovida pela empresa.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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