Presidenta da MUO barrou negócio da WME/IMG com a Rede Globo para ter Miss Universo na TV aberta brasileira


Para Paula Shugart, preservação de parceria com o Grupo Bandeirantes “é vital para a América Latina”, citando casos da Colômbia, Venezuela e Filipinas

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Miss Universe Organization/Divulgação/03.08.2015


Intenção é manter independência da MUO em relação a seus donos

A presidenta da Miss Universe Organization, Paula Shugart, mandou suspender as negociações da WME/IMG, empresa controladora da entidade que organiza o concurso Miss Universo, com a Rede Globo de Televisão para assegurar direitos de TV aberta para o Brasil já a partir de 2016. Segundo fontes da presidência da MUO, Shugart desautorizou o negócio com a Globo por ter sido feito “à revelia da entidade”.
De acordo com funcionários da WME/IMG, as negociações com a Globo estavam em estágio bastante avançado desde novembro, dois meses após a venda da entidade por parte da Trump Organization, mas foram interrompidas por ordem de Shugart na primeira quinzena de dezembro, para não atrapalhar o trabalho de divulgação da rival Rede Bandeirantes com vistas ao Miss Universo 2015. A emissora paulista desperdiçou oportunidade de mostrar o evento ao vivo, na noite do dia 20 de dezembro, e preferiu manter na íntegra o humorístico Pânico na Band. Além disso, a Band demitiu profissionais das coordenações de alguns Estados e cancelou concursos regionais como o do Tocantins. A emissora da Band na capital do Estado, Palmas, foi fechada em abril.
A decisão da Band de exibir o Miss Universo 2015 gravado fez com que alguns diretores da WME/IMG se movimentassem a partir da segunda-feira (21) para recomeçar as negociações com a Globo a partir do primeiro dia útil de 2016, no caso a segunda-feira (4). Quando a informação de que a WME/IMG estaria negociando com a tevê da famíglia Marinho a transmissão do concurso Miss Universo entre 2016 e 2019 chegou aos ouvidos de Shugart, a presidenta da MUO mandou parar imediatamente as tratativas. Segundo fontes muito próximas à presidenta da MUO, Shugart citou casos de parcerias de mídia bem-sucedidas que a entidade tem tido ao redor do mundo, como o da francesa TF-1, da colombiana Caracol, da filipina ABS-CBN e da venezuelana Venevisión para justificar a continuidade da parceria com a Band, Oficialmente, ninguém na emissora paulista confirma, mas a assinatura de um novo acordo com a Miss Universe Organization até 2020 já é dada como certa.
Ainda de acordo com a mesma fonte, a parceria da Band com a Miss Universe Organization “é vital para a América Latina, pois nos assegura (para a MUO) um arco importante de alianças de mídia com players locais – casos da Band, Caracol, Televisa e Venevisión – ao lado de um importante player regional” – a Turner, dona do canal pago TNT, que exibe o certame na região desde 2005. No entanto, pesa contra a Band a derrocada dos índices de audiência dos concursos associados ao Miss Universo desde 2003 no principal mercado de decisões para o mercado publicitário, a Grande São Paulo. Tal fator estaria sendo levado em conta na negociação direta da WME/IMG com a Globo que Paula Shugart mandou parar para atender um pleito da família Saad, dona da Band, de emissoras de rádio, de canais pagos, de jornais e de 16 fazendas e opositora dos governos do PT desde 2009, que quer a todo custo a perpetuação dos concursos relacionados ao Miss Universo (entre os quais o Miss Brasil e concursos regionais) nos seus domínios.
Também pode contribuir para a permanência da parceria entre Band e MUO a iminente troca de comando da representação brasileira do Miss Universo – da Enter, passa a ser da Ford Models, agência rival da IMG Models (um dos braços da WME/IMG), graças a aportes financeiros da empresa de televendas Polishop – modelo de negócio do qual a Globo é contra. Caso tivesse assinado com a MUO através da WME/IMG, a Globo imediatamente estaria iniciando a captação de anunciantes importantes entre bancos, montadoras de automóveis e indústrias de produtos de higiene pessoal para os concursos do projeto do Miss Universo para o país – concursos zonais ou distritais, concursos municipais, concursos estaduais e o Miss Brasil. O modelo seria o mesmo do futebol.
De acordo com a mesma fonte, Paula Shugart, com esta mesdia, teria afirmado que pretende “manter a estrutura da Miss Universe Organization independente das decisões que seus controladores acionários tomarem, exceto as essenciais”. Tal atitude já tinha sido tomada por Shugart em julho do ano passado, para conter uma crise maior na entidade com o intuito de não prejudicar a organização do concurso Miss USA 2015 em meio à crise causada pelas declarações racistas de seu então gestor, Donald Trump, contra imigrantes ilegais mexicanos quando do lançamento de sua pré-candidatura à Casa Branca. Em função disso, contratos de transmissão com a NBC e Univisión e acordos de patrocínio como o da Farouk Systems foram cancelados. Após a venda da MUO à WME/IMG em 14 de setembro, os direitos de TV dos eventos da entidade foram para a FOX e Azteca América e a Farouk Systems retornou ao rol de patrocinadores.

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Presidenta da MUO barrou negócio da WME/IMG com a Rede Globo para ter Miss Universo na TV aberta brasileira

  1. Pingback: Com reestruturação da Band, empresa que promovia o concurso Miss Brasil deixa de existir | TV em Análise Críticas

  2. Pingback: Dono da Polishop é contra criação de empresa exclusiva para promover o concurso Miss Brasil a partir de 2016 | TV em Análise Críticas

  3. Pingback: Jornal de grupo de mídia citado na Zelotes entrega o ovo da serpente do Miss Rio Grande do Sul 2016 | TV em Análise Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s