Começa o desmonte da equipe de misses da Band. Ford Models passará a representar o Miss Universo no Brasil


Primeira baixa é de Evandro Hazzy, ex-coordenador do Miss Rio Grande do Sul, que ocupava a coordenação técnica do Miss Brasil desde 2011

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Facebook/Evandro Hazzy


Com Hazzy, o Brasil teve cinco top 15 consecutivos no Miss Universo

Passado o período do Projeto Miss 2015, a Rede Bandeirantes deverá fazer a partir desta segunda-feira (4) as primeiras demissões da equipe que trabalhou para a emissora na coordenação do concurso Miss Brasil. De 150 pessoas que trabalhavam nas promoção ou fiscalização das 27 etapas estaduais licenciadas ou de promoção própria, a Band cortará 30 postos de trabalho, o que equivale a 20% do total da folha de pagamentos da agora ex-promotora da etapa brasileira do Miss Universo, a Enter.
Segundo funcionários da coordenação do concurso Miss Rio Grande do Sul, as demissões poderão também alcançar etapas estaduais de maior importância como São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia, todas promovidas pela Band. O restante dos 23 concursos estaduais é promovido por terceiros, ou seja, é licenciado pela Band mediante pagamento de royalties por parte dos coordenadores estaduais. O dinheiro desses royalties é repassado pela Band à Miss Universe Organization, controlada desde setembro do ano passado pelo grupo de entretenimento americano WME/IMG.
A maioria dessas demissões vai atingir contínuos, encarregados de relacionamento com as coordenações municipais, maquiadores, cenógrafos e assistentes de produção das transmissões televisivas dos concursos desses Estados. Só em São Paulo, 15 profissionais devem perder seus empregos na área de concursos de misses da Enter, empresa formada pela Band no final de 2010 para promover, além dos concursos de misses, etapas de Fórmula Indy, evento esportivo que já é sinônimo de dor de cabeça para a Band, devido ao péssimo desempenho dos pilotos brasileiros – Hélio Castroneves, Tony Kanaan e Vitor Meira – nas pistas com os respectivos carros.
Entre os que irão perder o emprego está o missólogo gaúcho Evandro Hazzy, contratado pela Band desde 2003. No período em que trabalhou na emissora, foi coordenador do Miss Rio Grande do Sul. Desde 2011, era coordenador técnico do concurso Miss Brasil. Com o dinheiro da rescisão contratual, Hazzy pretende expandir sua Escola de Misses sediada em Porto Alegre para outras partes do país e torná-lo, a médio prazo, uma potência missológica aos moldes de Venezuela, Colômbia e Filipinas, os três últimos países que levaram títulos de Miss Universo, em ordem cronológica, desde 2013.
A partir de agora, as funções de promoção e licenciamento das 27 etapas estaduais do Miss Brasil passarão a ser exclusivas da Polishop e da Ford Models, a qual deverá assumir a concessão brasileira do Miss Universo, a despeito de ter a IMG Models (braço da WME/IMG) como concorrente direta no agenciamento de modelos. Detalhes como assinatura de contrato e tempo de duração do acordo da MUO com os novos representantes do Miss Universo no país estão sendo mantidos em sigilo.

Infeliz 2016 para vocês!

De acordo com representantes do Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB), as demissões na Band “são apenas a ponta de um iceberg que aponta para o desmanche definitivo de todo o projeto de misses que a Band construiu desde 2011”. Nesse período, foram cinco classificações consecutivas entre as 15 semifinalistas do Miss Universo, incluindo um terceiro lugar e dois quintos lugares. A falta de títulos de Miss Universo para o Brasil tem virado assunto recorrente nas reuniões fechadas que membros do CNCCB promoveram em novembro passado, em São Paulo, durante a realização do Miss Brasil 2015. Um dos coordenadores da região Nordeste defendeu inclusive que o Miss Brasil trocasse de emissora, para dar maior visibilidade e atrair de volta os grandes anunciantes que perdeu desde o Miss Brasil 2013. Empresas como Unilever, BRF, InBev e Multymarcas deixaram de patrocinar o Miss Brasil devido às sucessivas denúncias de corrupção, uso eleitoral, compra de votos e propina para jurados que o concurso sofreu na gestão da Enter, mas que jamais foram levadas ao conhecimento público.
De acordo com esse coordenador, que pediu para não ter o nome nem o Estado revelados, a emissora que poderia assumir os direitos do Miss Brasil assim que o contrato da Band acabasse poderia ser a Globo, – desejo de executivos da WME/IMG – Record ou SBT. No entanto, coordenadores da região Sul, que tem maior peso em envio das candidatas brasileiras ao título de Miss Universo desde o início dos anos 2000 e, portanto, aliados diretos da presidência do Grupo Bandeirantes de Comunicação, são contra. Esse grupo, além de defender a manutenção da Band como transmissora do Miss Brasil e também do Miss Universo (neste último caso, direitos em TV aberta), cobra um maior espaço da emissora paulista para seus certames. O alvo principal das reivindicações é o Miss Rio Grande do Sul, atualmente televisionado pela Band apenas para o próprio Estado.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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3 respostas para Começa o desmonte da equipe de misses da Band. Ford Models passará a representar o Miss Universo no Brasil

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