Steve Harvey pode permanecer como apresentador para o Miss Universo 2016, mas regras deverão mudar


Votação popular, que representou 50% da ponderação que deu o título à filipina Pia Wurtzbach, poderá sofrer restrições

Da redação TV em Análise

John Locher/Associated Press/20.12.2015


Roteirista de certame passou resultado falso a Harvey via teleprompter

A cena constrangedora do apresentador Steve Harvey, 58, se desculpando por informar o resultado errado do concurso Miss Universo 2015, no domingo (20), em um resort de Las Vegas, ante uma audiência global de cerca de 700 milhões de telespectadores, pode não se repetir no concurso Miss Universo 2016. Diretores da WME/IMG e da Miss Universe Organization avaliam maneiras de rever o sistema de votação popular que, para a 64ª edição, foi usado para decidir a vencedora do certame, nesse caso, a filipina Pia Alonzo Wurtzbach, 25. Se dependesse apenas da decisão dos jurados, fator que Harvey acabou levando em conta de início e que prevaleceu entre 1952 e 2014, o título teria ficado com a colombiana Ariadna Gutiérrez, 22.
Pelos critérios empregados para o Miss Universo 2015, 50% dos votos que decidiriam a vencedora do título viriam do júri oficial de personalidades convidadas – a atriz Niecy Nash, a ex Miss Universo Olivia Culpo, o blogueiro Perez Hilton e o esportista aposentado Emmitt Smith. Os outros 50% viriam da combinação global de votos atribuídos via Internet e dispositivos móveis às candidatas nas etapas que se seguiram ao anúncio das 15 semifinalistas classificadas por um júri preliminar e membros da MUO – traje de banho, traje de gala, entrevista e apresentação final para os jurados. Na interpretação apenas do júri, Ariadna teria levado para a Colômbia o terceiro título de Miss Universo, a segunda vez em que um país levaria dois títulos seguidos desde 2008-2009, com a Venezuela.
No entanto, um erro de funcionários da FOX, emissora que fez a geração internacional das imagens do certame para 170 países, da WME/IMG e da MUO ocultou dos telespectadores a verdade dos fatos: Pia Wurtzbach havia levado a coroa de Miss Universo 2015 na combinação global de votos atribuídos às três finalistas que ficaram no processo – além dela, a norte-americana Olivia Jordan e Gutiérrez. Um roteirista do concurso passou a Harvey um resultado falso via teleprompter, já levando em conta que Jordan ficara na terceira colocação e de lá não mais sairia para reinar apenas como Miss USA 2015 até junho. Auditores da empresa Ernst & Young conferiram as planilhas dos quatro jurados e combinaram-nas com as notas da votação móvel global, patrocinada por uma empresa de cosméticos, a qual dava às Filipinas o primeiro título de Miss Universo desde 1973. Até ali, a última vitória de uma filipina no Miss Universo tinha sido conquistada em 21 de junho de 1973, no Odeon Ático de Herodes, em Atenas (Grécia), por Margarita Morán. Antes disso, Glória Diaz conquistara a coroa de Miss Universo 1969, em Miami Beach, no centro de convenções da cidade da Flórida.

Público deve perder poder na escolha da vencedora

Para não prejudicar a decisão dos jurados que, em tese, deveria ser a mais importante, diretores da WME/IMG e da MUO estudam não empregar mais a votação popular para decidir, em parte, a vencedora de qualquer evento ligado à organização do Miss Universo. O primeiro evento a ser atingido por essa medida será o concurso Miss USA 2016, que terá sua data e cidade-sede decididas nas próximas semanas. Em 2015, Olivia Jordan, que representou o Oklahoma na etapa americana do Miss Universo, foi eleita apenas com votos de juradas, todas ex vencedoras de concursos organizados pela MUO.
Uma fonte da alta direção da WME/IMG, empresa que controla o Miss Universo desde setembro, informou ao TV em Análise Críticas que a empresa “ainda precisa se familiarizar” com as regras e padrões do certame, adotados ao longo de anos recentes. “As mudanças implantadas na gestão de Paula Shugart, como a introdução do voto popular para decidir uma das semifinalistas, foram vitais para que tanto o Miss Universo quanto o Miss USA tivessem o grau de dinâmica que passaram a adquirir. A colocação do voto popular para definir a vencedora de um desses concursos, desde já, foi um erro que não queremos repetir”, informou a fonte, que pediu para não ser identificada.
Pelo plano da WME/IMG e da MUO, ainda em fase de estudos, o público só poderia decidir as classificações do top 15 de trajes de banho até o top 5 da primeira pergunta final, temática. A decisão da vencedora do título de Miss Universo 2016, cuja data e cidade-sede serão conhecidos na primeira quinzena de setembro, ficaria exclusivamente nas mãos do júri oficial, que teria seu número de componentes dobrado de quatro para entre oito ou 10. No Miss Universo 2015, o público também teve direito de submeter as perguntas finais para as candidatas através do Facebook.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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