Eleição de gaúcha Marthina Brandt como Miss Brasil 2015 dá à Band a segunda pior audiência da história do concurso


Desde 1982, ainda no SBT, etapa brasileira do Miss Universo perdeu 94,82% de média domiciliar nas aferições realizadas pela Kantar Ibope Media na Grande São Paulo; no período da Band, perdas chegam a 67,14%

Da redação TV em Análise

Sigmapress/Folhapress/Correio do Povo


Marthina Brandt não deveria ter nada a comemorar

Não foi falta de aviso a tragédia anunciada que foi a Band realizar o concurso Miss Brasil 2015 na noite desta quarta-feira (18), ao sabor das conveniências da Rede Globo e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para acertar o calendário do Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A. O risco de tomar uma surra helênica do que deveria ser o antepenúltimo capítulo da novela Os Dez Mandamentos (não o será mais pelo planejamento da Rede Record, que decidiu “pausar” a trama na segunda-feira, 23, com festa de elenco, direção e tudo mais) acabou se confirmando para o público da Grande São Paulo no confronto que a etapa brasileira do Miss Universo 2015 teve com The Voice Brasil (Globo, média de 20,1), Batalha dos Confeiteiros Brasil (Record, média de 11), A Fazenda (Record, média de 10,9) Roda a Roda Jequiti (SBT, média de 9,2) e Programa do Ratinho (SBT, média de 6,6). Este último registrou o triplo da média vergonhosa que a etapa brasileira do Miss Universo 2015 registrou entre 22h30 e 0h15 – 2,3, a segunda pior da série histórica iniciada com o concurso Miss Brasil 1982, realizado no dia 26 de julho de 1982 e transmitido à ocasião pelo mesmo SBT de Sílvio Santos e Ratinho.
Também contribuiu para agravar o quadro de derrocada de audiência do concurso a venda deste à empresa de televendas Polishop, a qual consta entre as 200 mais reclamadas junto à Fundação Procon-SP por razões fundamentadas (propaganda enganosa, entrega de produto com defeito, etc.). Isso, apesar de o apresentador Cássio Reis ter dito, no início da transmissão, que o Miss Brasil era “um evento do Grupo Bandeirantes de Comunicação, licenciado pelo Miss Universo”. Era.
Considerando-se os números consolidados, divulgados pela Kantar Ibope Media no início da tarde desta quinta-feira (19), o Miss Brasil perdeu desde 1982 94,82% de sua média domiciliar nas aferições que a Kantar Ibope Media tem realizado na Grande São Paulo, principal praça de decisões para o mercado publicitário do país. Se considerado apenas o período que o Miss Brasil está na Band (desde 2003), a derrocada de público chega a 67,14%. Tradução: desde 1982, o Miss Brasil perdeu nove e meio de cada dez telespectadores. Já na fase da Band, a debandada é de sete em cada dez telespectadores. Ou seja, o principal concurso de beleza do país perdeu quase o que uma novela de horário nobre da Rede Globo registrava em 1982 na faixa das 20h15. Morreu. Desde 2013, a queda de audiência do concurso chega a 41,02%. Ou seja, de cada 10 telespectadores, quatro pararam de ver o Miss Brasil na Band, dada à fórmula ultrapassada e atrasada, que no Miss Universo resulta em classificações medianas, para não dizer coisa pior. Na tabela abaixo, a involução do certame tanto na média domiciliar quanto nos picos de audiência alcançados:

A AUDIÊNCIA DO MISS BRASIL, NA MÉDIA E PICO
Levantamento inclui dados apurados pelo Ibope e Audi-TV
Ano Rede Média Pico
1982 SBT 38,4 *
1983 SBT 35 *
1984 SBT 35 42
1985 SBT 25 42
1986 SBT 22 *
1989 SBT 8 *
2002 Rede TV! 5 8
2003 Band 7 12
2004 Band 7 12
2005 Band 6 8
2006 Band 6 9
2007 Band 4,5 7,5
2008 Band 4,3 6
2009 Band 5 7
2010 Band 3,5 5
2011 Band 3 4,2
2012 Band 2 4
2013 Band 3,9 4,5
2014 Band 2,9 3,5
2015 Band 2,3 2,9

(*)Dado indisponível

Para quem só quer saber a média das edições do Miss Brasil de 1982 a 2015, a tabela é esta:

A AUDIÊNCIA DO MISS BRASIL, NA MÉDIA DOMICILIAR
Os dados abaixo não incluem os concursos de 1987 e 1988, que não tiveram seus números publicados na imprensa da época. Fonte: Kantar Ibope Media
Ano Rede Média
1982 SBT 38,4
1983 SBT 35
1984 SBT 35
1985 SBT 25
1986 SBT 22
1989 SBT 8
2002 Rede TV! 5
2003 Band 7
2004 Band 7
2005 Band 6
2006 Band 6
2007 Band 4,5
2008 Band 4,3
2009 Band 5
2010 Band 3,5
2011 Band 3
2012 Band 2
2013 Band 3,9
2014 Band 2,9
2015 Band 2,3

Entre 2011 e 2015, o Miss Brasil teve queda de 20,81% no número de telespectadores e 15,48% no número de domicílios sintonizados no certame. Os números detalhados estão no gráfico abaixo:

EVOLUÇÃO DE AUDIÊNCIA DO CONCURSO MISS BRASIL NAS MEDIÇÕES DO IBOPE NA GRANDE SÃO PAULO
Os dados são referentes às edições de 2011 a 2015
Ano Rede Média Telespectadores Domicílios
2011(*) Band 3 550.560 174.705
2012(**) Band 2 367.040 120.408
2013(***) Band 3,9 724.674 241.632
2014(****) Band 2,9 560.514 189.082
2015(*****) Band 2,2 435.956 147.648

(*)Equivalência de um ponto: 183.520 telespectadores e 58.235 domicílios
(**)Equivalência de um ponto: 183.520 telespectadores e 60.204 domicílios
(***)Equivalência de um ponto: 185.814 telespectadores e 61.952 domicílios
(****)Equivalência de um ponto: 193.281 telespectadores e 65.201 domicílios
(*****)Equivalência de um ponto: 198.162 telespectadores e 67.113 domicílios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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5 respostas para Eleição de gaúcha Marthina Brandt como Miss Brasil 2015 dá à Band a segunda pior audiência da história do concurso

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