Band e FOX copiam Globo e vetam ‘naming rights’ em sedes do Miss Brasil 2015 e Miss Universo 2015


Prática já é adotada pela tevê da famíglia Marinho em estádio do Palmeiras e pelo Sportv em ginásios de equipes da NBA

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/27.09.2014


Sucessora da cearense Melissa Gurgel seria eleita no “Tietê Hall”?

O uso de naming rights, prática adotada em determinadas arenas esportivas e casas de espetáculos que alugam seus nomes a empresas ou marcas, foi proibido ou disfarçado pela Rede Bandeirantes no anúncio das sedes dos concursos Miss Brasil 2015 e Miss Universo 2015. Para informar a sede do concurso nacional, marcado para o dia 19 de novembro, em São Paulo, o portal da emissora para a organização do concurso chegou a informar City Bank Hall ao invés de Citibank Hall no comunicado publicado no dia 2 de outubro (sexta-feira). No entanto, ao acessar o link da notícia no começo da tarde deste sábado (31), a Band já tinha corrigido o nome do lugar para Citibank Hall. Se seguisse a política que a Rede Globo e os canais pagos da Globosat adotam em relação a naming rights de arenas e estádios, o nome teria de ser trocado para São Paulo Hall ou Tietê Hall (para fazer alusão à fedorenta Marginal do Tietê, de cujos esgotos saem os detritos difamatórios da revista Veja contra o ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, 70).
Já na notícia relativa ao anúncio da sede do Miss Universo 2015, publicada pelo portal da Band na manhã da quinta-feira (29), a emissora da famíglia Saad, dona também de canais pagos, jornais e de 16 fazendas, trocou o nome atual da sede – The AXIS at Plaent Hollywood, patrocinado pela empresa de computadores Monster Cable. No texto da Band, o local foi reduzido a apenas Planet Hollywood Resort & Casino, hotel que tem o teatro como uma de suas principais atrações e “residências” de artistas como Britney Spears e, a partir de janeiro, Jennifer Lopez. Ou seja, neste caso, a Band “copiou” o item das práticas comerciais do Grupo Globo que proíbe o uso de naming rights para locais de eventos. A mesma nomenclatura foi usada pela FOX (geradora do sinal internacional do concurso contratada pela WME/IMG) no press-release que emitiu na tarde da quarta-feira (28), em conjunto com a Miss Universe Organization.

Prática quase foi adotada pela NBC no Miss Universo 2014

Quando o município de Doral (região metropolitana de Miami) foi escolhido para hospedar as candidatas ao título de Miss Universo 2014, no dia 3 de outubro daquele ano, a sede recaiu sobre a U.S. Century Bank Arena, naming right adotado à ocasião pela FIU Arena, ginásio das equipes de vôlei e basquete universitários do FIU Golden Panthers, da Florida International University, dona do espaço. Antes mesmo de receber as 88 candidatas ao título, o U.S. Century Bank não renovou seu acordo de maning right e o local voltou a se chamar FIU Arena, nome que a NBC usaria para propósitos olímpicos, mas que acabou casando para a realização do certame, na noite do dia 25 de janeiro.
Para a Miss Universe Organization, a política de não adotar o naming right do local que vai abrigar uma edição do Miss Universo é norma para proteger os interesses de seus patrocinadores. Em 2011, a transmissão da NBC ocultou que o concurso ocorrera no Credicard Hall, apenas citou que era em São Paulo. À época, não havia orientação da Band em restringir naming rights de sedes do Miss Brasil, Miss Universo, tampouco de concursos regionais. A preocupação da Band em barrar os naming rights de sedes de concursos de misses só veio depois que o canal pago Sportv, no final do ano passado, recusou proposta da National Basketball Association (NBA) em preservar os naming rights de grossa parte de suas arenas. Pela cartilha da Globo, o Americamn Airlines Arena, do Miami Heat, virou Arena de Miami e o Staples Center, do Los Angeles Lakers e Los Angeles Clippers, foi reduzida a Arena de Los Angeles.
O mesmo veto da Globo/Sportv/Band vale para o Allianz Parque, novo estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras, edificado no terreno do antigo estádio Palestra Itália. Pelo padrão Globo, seguido pelos outros órgãos de imprensa, inclusive a Band, o local é chamado de Arena Palmeiras. Mas a Globo não está sozinha nessa satanização dos naming rights: numa final do extinto reality de competição musical Ídolos, a Rede Record não citou o nome do teatro que a acolhia – o Teatro Bradesco, situado dentro de Bourbon Shopping. À ocasião, a emissora – escorada por um contrato de patrocínio da versão pátria do quase extinto American Idol com o Banco do Brasil – trocou o nome do lugar para Teatro do Shopping Bourbon.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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