Em horário de verão, concurso Miss Brasil 2015 pode ter menos audiência que edições anteriores


Levantamento toma como base principal a média obtida no Miss Universo 2014, realizado em janeiro último

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/27.09.2014


Realities e novelas da Globo e da Record perseguem certame pelo calcanhar

Com a marcação do 61º concurso de Miss Brasil para a noite de dia 19 de novembro, em plena vigência do Horário Brasileiro de Verão, uma preocupação a mais passa a se abrir para a Rede Bandeirantes além da concorrência direta com realities como A Fazenda, The Voice Brasil e Troca de Família e humorísticos como Programa do Ratinho e A Praça é Nossa: a de perder mais público em função dos relógios que, em São Paulo (cidade-sede da disputa), terão de ser adiantados à meia noite do sábado (17) para o domingo (18). Em 61 anos de história, nenhuma edição da etapa brasileira do Miss Universo teve que obedecer ao horário de verão. Nem no ciclo televisionado, que teve início em 1970, na Rede Tupi.
Só no período da Band, iniciado em 2003, o Miss Brasil perdeu 58,57% na média domiciliar apurada nas medições do Ibope realizadas na Grande São Paulo (principal praça de decisões para o mercado publicitário brasileiro). No ano passado, o certame registrou sua segunda pior média – 2,9, recorde maior apenas que os 2 pontos registrados em 2012. Em ambas as ocasiões, o Miss Brasil ocorreu em setembro, mês que costuma ter uma maior fuga de telespectadores para a emissora da família Saad (excetuando-se Masterchef e transmissões de futebol).
A marcação do Miss Brasil 2015 para dia de eliminações em A Fazenda e no Voice da Globo por si só já é um erro gravíssimo da Band, que deixa de aproveitar a melhor oportunidade para tentar alavancar a audiência do certame. Não vai conseguir. Sem atrações de porte na Record, o concurso Miss Universo 2014 realizado no dia 25 de janeiro registrou apenas 2,7 pontos de média – a terceira pior de todos os tempos, a frente apenas dos concursos de 2009 e 2010 (este gravado). Acabou estrangulada pela estreia de temporada do Planeta Extremo e por uma formação de paredão do Big Brother Brasil, ambos da Globo, principal interessada em assumir os direitos dos concursos de misses ora pertencentes à Band a partir de 2016, por suas ligações com a WME/IMG, empresa que assumiu o controle da Miss Universe Organization no dia 14 de setembro em substituição à Trump Organization. Com A Fazenda, Voice, Ratinho e Praça, Globo, Record e SBT devem dificultar um avanço maior da Band para cima de seus números. E tal avanço só deve ser possível depois que a Record tiver terminado seu episódio de Troca de Família. Aí sim, a situação pode mudar de figura a favor da Band em alguma coisa que acontece no meu coração quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João. Mas não deve mudar o cenário de cronaca de uma tragédia já anunciada: o Miss Brasil 2015, com esse fardo imposto por Globo, Record e SBT, dificilmente passará de 1,9 ponto na média a ser consolidada.
A novela que a Band criou a partir de seu silêncio com a crise causada pelas declarações do ex-gestor da MUO, Donald Trump, contra imigrantes ilegais mexicanos, causou feridas profundas na sua relação com as coordenações estaduais, que ameaçaram processar a emissora pelos danos morais que lhes foram causados com o atraso no cronograma de trabalhos. Três concursos regionais que iriam acontecer em agosto acabaram adiados e apenas um – o do Rio de Janeiro – aconteceu. Espírito Santo e Tocantins recorreram a indicações dos respectivos bancos de candidatas. Houve caso de coordenador que chegou a perder R$ 70 mil com despesas de cirurgias plásticas, oratória, cursos de inglês e etiqueta e bons costumes para sua candidata participar da etapa brasileira do Miss Universo 2015. Somado, o rombo dos coordenadores chega a R$ 370 mil, prejuízo esse que dificilmente deverá ser coberto pela Polishop, patrocinadora master do concurso nacional deste ano, a ser realizado no Citibank Hall (ex-Credicard Hall).
Se for levado ao pé da letra o planejamento de grade da Band, o Miss Brasil 2015 deverá começar às 21h20 nos Estados que não adotarem o horário de verão (e com novelas da Globo e Record ainda em andamento!). É o caso do Ceará da atual detentora do título, Melissa Gurgel, por exemplo. Dentro da Band, há a intenção de se repetir o formato de três horas de duração adotado com sucesso no Miss Universo 2014 e nas edições do Miss USA de 2014 (na NBC) e 2015 (no obscuro canal pago independente Reelz). Tudo para evitar a entrega para um Sleepy Hollow que não acrescenta nada de peso em sua já dilacerada audiência. Em dia de exibição do Polícia 24 Horas na faixa que vai abrigar o Miss Brasil 2015, a Band costuma registrar entre 2,5 e 2,7 de média. E é essa meta que a Band deve tentar segurar para evitar uma vergonha maior. Amortecer a coisa.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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