Assunto da semana: Incompetence avéc elegance


Em primeira noite, amnésica de Blindspot não diz a que veio

Virginia Sherwood/NBC/Divulgação/21.09.2015

Represada pelo Monday Night Football e pelo fim de CSI, a estreia americana de Blindspot (Warner, 3ª, 22h30, 12 anos) não foi lá essas coisas em termos de repercussão de público. Talvez porque a massa de telespectadores que preferira ver a partida entre New York Jets e Indianapolis Colts nem estivesse interessada em saber quem era essa moça peladinha e tatuada que saía de uma mala com os dizeres “ligue para o FBI (Polícia Federal americana)”. A 12,479 milhões de americanos ligados na ESPN, o mundo de Jane Doe talvez nem interessasse.

Joe Robbins/Getty Images/AFP/21.09.2015

E tamanha preocupação da NBC e de outras três redes abertas que estrearam a primeira parcela de sua leva de 11 de suas 22 novas séries para a fall-season 2015 talvez faça sentido: não se deve enfrentar o futebol americano profissional, um dos esportes mais populares dos Estados Unidos e que rende milhões em contratos de direitos de transmissão e contratos de patrocínio, com fórmulas fadadas a perder em público para o jogo final da rodada da NFL, a liga mais importante desse esporte. Nesse ponto, Blindspot é tiro no escuro.

Virginia Sherwood/NBC/Divulgação/21.09.2015

Não me venham os “especialistas” em televisão e, sobretudo, em séries americanas de horário nobre colocar panos quentes sob o argumento velhaco e caduco de que “futebol americano é uma coisa e série de ação é outra”. A estreia de Blindspot no ponto desta parte da temporada televisiva comercial americana em que há um conflito grotesco entre produtos de TV aberta e TV paga – a derrota para o MNF entre Jets e Colts ilustra bem esse caso – apenas atesta a incompetência e a burrice de certos executivos de redes. São uns retrógados.

Virginia Sherwood/NBC/Divulgação/08.05.2015

Para não dizer que não falei das flores e das tatuagens (nada com canções de Geraldo Vandré e Chico Buarque), a heroína protagonizada por Jaimie Alexander, egressa de trabalhos cinematográficos, ainda vai demorar a convencer em termos de essência de atuação, convencimento crítico e, sobretudo, representar sinônimo de excelência artística e não apenas de preferência popular atestada em premiação saponácea de janeiro. Não me encham o saco dizendo que Blindspot é isso e aquilo outro. Pior: não é nem a sombra. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (4/10)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Atuação, Coluna da Semana, Esportes, Séries e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Assunto da semana: Incompetence avéc elegance

  1. Pingback: As indicações ao 30º American Society of Cinematographers Awards nas categorias de televisão | TV em Análise Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s