CNCCB, Enter e Band não chegam a acordo e concurso Miss Brasil 2015 é adiado mais uma vez. Coordenadores ameaçam ir à Justiça por perdas e danos morais


Agora a previsão é de que a etapa brasileira do Miss Universo 2015 seja realizada entre o fim de novembro e início de dezembro; negociações para escolha de sede em SP seguem adiantadas

Da redação TV em Análise
Com reportagem de João Eduardo Lima

Lucas Ismael/Band/Divulgação/27.09.2014


Para coordenadores de candidatas, prejuízo é de R$ 370 mil

Terminou sem solução a reunião entre os representantes do Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) com as direções da Enter-Entertainment Experience e da Rede Bandeirantes, realizada na noite da segunda-feira (28), em São Paulo, para discutir os problemas de organização do concurso Miss Brasil 2015. Segundo um representante dos coordenadores estaduais, a Enter propôs a realização da etapa brasileira do Miss Universo 2015 entre o final de novembro e o começo de dezembro, em São Paulo. Os coordenadores estaduais foram contra a data proposta pela Band e agora ameaçam acionar a emissora na Justiça por perdas financeiras, danos morais e constrangimento ilegal.
Representantes do CNCCB informaram ao TV em Análise Críticas terem tido gastos de até R$ 70 mil com as despesas de preparação de suas candidatas, parte delas com cirurgias plásticas, cursos de aperfeiçoamento na língua inglesa, oratória, postura e etiqueta e boas maneiras. Um coordenador estadual da região Norte informou já ter tido perdas financeiras de R$ 150 mil com a realização de seu concurso e com o contrato de transmissão assinado com uma emissora da Band. “Eles (Band) nos prometeram que trariam a Renata Fan, fariam transmissão ao vivo para todo o Estado e, no dia do concurso, lesaram a nós (coordenador) e às candidatas”, desabafou um interlocutor da coordenação do Miss Pará, único concurso estadual boicotado pela Band nesta temporada.
Segundo um advogado dos coordenadores estaduais, que pediu para não ser identificado, caso a Band insista em protelar e até mesmo cancelar o Miss Brasil 2015, o CNCCB deverá protocolar uma ação cível contra a Band por danos morais, estimados em R$ 370 mil, com a somatória dos prejuízos já acumulados por todos os coordenadores estaduais ligados à Enter, excluídos os do quadro direto de funcionários do Grupo Bandeirantes de Comunicação – casos de São Paulo e Rio Grande do Sul, por exemplo. Só a coordenação do Paraná, por exemplo, teve perdas estimadas em R$ 135 mil, todas decorrentes de gastos de preparação de sua candidata ao Miss Brasil 2015.
Representantes de outras coordenações estaduais do Miss Brasil também foram procurados pelo Críticas, mas se recusaram a comentar o litígio que já estão enfrentando com o Grupo Band em relação ao concurso de 2015.

Entenda o caso

Os problemas de organização do Miss Brasil 2015 começaram no final de junho, quando o ex-proprietário da Miss Universe Organization, Donald Trump, chamou imigrantes ilegais mexicanos de “criminosos”, “contrabandistas”, “estupradores” e “traficantes de drogas” durante o discurso do lançamento de sua pré-candidatura à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano. À época, a direção da Enter, alheia ao que se passava na MUO com a crise causada por Trump, chegou a assegurar em nota ao jornal Folha de S. Paulo que manteria os concursos de Miss Brasil e Miss Universo na sua grade de 2015. Foi a partir de então que surgiram os rumores de transferência do certame para o SBT, sob o argumento de dar mais visibilidade e atrair de volta os grandes anunciantes.
À época dos ataques de Trump aos mexicanos, as redes NBC e Univisión romperam seus contratos de transmissão do Miss Universo e também do concurso Miss USA para os Estados Unidos em línguas inglesa (para geração internacional) e espanhola, respectivamente. Como consequência, vários artistas e personalidades de mídia como Terrence Jenkins, J Balvin, Natalie La Rose, Craig Wayne Boyd, Emmitt Smith, Cristían de la Fuente, Rosalyn Sánchez, Zuleyka Rivera, Cheryl Burke e Thomas Roberts anunciaram que estariam boicotando a etapa americana do Miss Universo 2015. No dia 1º de julho, a MUO assinou um contrato de emergência com o canal pago independente Reelz, estimado em US$ 100 mil, para a transmissão do Miss USA 2015, que também foi transmitido via streaming. O evento, vencido pela candidata do Oklahoma Olivia Jordan, teve a pior audiência de uma edição de Miss USA: 925 mil telespectadores e média de 0,2 ponto entre os telespectadores na faixa de 18 a 49 anos.
No dia 11 de setembro, já pressionado pelas coordenações do México e Costa Rica, que haviam rompido contratos (e depois retornariam), Donald Trump compra os 51% do controle acionário da MUO que pertenciam ao grupo de mídia NBCUniversal. A transação abriu caminho para que, no dia 14 de setembro, a entidade que promove o Miss Universo passasse às mãos do grupo WME/IMG, do agente de modelos Ari Emanuel, empresário judeu arrecadador de fundos para campanhas do Partido Democrata e que fez, em julho de 2006, uma campanha de boicote de agentes artísticos ao ator australiano Mel Gibson em função das declarações anti semitas que fizera sob efeito de álcool, ao ser flagrado numa blitze de trânsito. No Brasil, a WME/IMG é parceira da GEO Eventos, empresa do Grupo Globo, na organização da edição local do festival de pop rock Lollapalooza Brasil, realizado no Autódromo de Interlagos, o que por si só já é um fator prejudicial a uma eventual continuidade do Miss Brasil na Band a partir de 2016. De acordo com a Enter, o compromisso assumido ainda com Trump para a realização do Miss Brasil 2015 e envio da vencedora ao Miss Universo 2015 será mantido. O problema central para a Band é negociar com a WME/IMG para a permanência do Miss Brasil, do Miss Universo (direitos em TV aberta) e dos concursos estaduais, eventos esses que, pela ótica de mercado da WME/IMG para o Brasil, podem ir parar nas mãos da GEO, da Rede Globo e de suas afiliadas e, talvez, de algum canal pago da Globosat. Essa foi a principal preocupação que os vice-presidentes da Band Frederico Nogueira (responsável pela Enter) e Marcelo Meira levaram à presidenta da MUO, Paula Shugart, e ao CEO da WNE/IMG, Emanuel, na viagem recente de ambos a Nova York e Beverly Hills.

Para a Band, negociações para concurso ocorrer no Anhembi seguem

Representantes da Enter informaram ao TV em Análise Críticas que, apesar de a Band veicular matérias em seus telejornais contra a administração do prefeito Fernando Haddad (PT), sobretudo no seu ousado projeto de ciclovias e no aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para os contribuintes mais ricos, as negociações para sediar o concurso Miss Brasil 2015 no Palácio das Convenções do Anhembi seguem a todo vapor. Não existe qualquer hipótese de uso da sede da emissora, no Morumbi, exceto para a produção de material promocional e chamadas.
Uma fonte da Enter informou ao Críticas que o esquema de produção do Miss Brasil 2015 será o mesmo do Miss São Paulo 2015, realizado em maio. A produtora Floresta, atualmente focada na produção dos realities A Fazenda 8 (Rede Record) e Are You the One? Brasil (MTV Brasil), já foi contatada para a execução dos trabalhos de produção do concurso nacional. O acordo com a WME/IMG para a renovação contratual dos concursos nacional, internacional e regionais já está sendo finalizado.

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Projetos especiais e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para CNCCB, Enter e Band não chegam a acordo e concurso Miss Brasil 2015 é adiado mais uma vez. Coordenadores ameaçam ir à Justiça por perdas e danos morais

  1. Pingback: Em horário de verão, concurso Miss Brasil 2015 pode ter menos audiência que edições anteriores | TV em Análise Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s