Vices da Band vão a NY e Beverly Hills para tentarem ‘salvar’ concurso Miss Brasil das mãos da Globo


Marcelo Meira e Frederico Nogueira teriam conversado com Ari Emanuel e Paula Shugart para tratarem dos impactos da crise econômica sobre a etapa brasileira do Miss Universo 2015

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Band e Miss Universe Organization/Divulgação


Meira e Nogueira a Shugart: grito de socorro ao concurso Miss Brasil

A primeira conversa dos vice-presidentes do Grupo Bandeirantes de Comunicação, Marcelo Meira e Frederico Nogueira, com o empresário Ari Emanuel, novo proprietário da Miss Universe Organization, foi muito difícil. O executivo americano, responsável por descobrir supermodelos como Gisele Bündchen, ouviu dos dois executivos enviados pelo presidente da Band, João Carlos Saad, o Johnny, as piores impressões possíveis sobre o cenário de horror econômico que cerca a produção do concurso Miss Brasil 2015, a 61ª edição da etapa brasileira do concurso Miss Universo.
De acordo com o colunista Flávio Ricco, Meira e Nogueira teriam ido aos Estados Unidos para tratar de “negócios de interesse” da Band. E um desses negócios de interesse era justamente a permanência da emissora como parceira da Miss Universe Organization para o Brasil. Ficaram de discutir a assinatura de um novo acordo, que automaticamente invalidaria o contrato assinado em 2010 com o ex-proprietário do concurso Miss Universo, o pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o TV em Análise Críticas apurou, Frederico Nogueira, responsável pela Enter, empresa de eventos da Band, foi à sede da MUO, em Nova York, para conversar com a presidenta da entidade, Paula Shugart, para conversar sobre a assinatura de um novo acordo de parceria. A executiva informou aos diretores da Band que as tratativas para manter os concursos de Miss Brasil, Miss Universo (exclusividade em TV aberta), bem como os concursos regionais, teriam de ser feitas a partir de agora com Emanuel, presidente do conglomerado WME/IMG, que já tem no Brasil parceria com a GEO Eventos, empresa da Rede Globo e do Grupo RBS, para organização do festival de pop rock Lollapalooza Brasil.
Atendendo recomendação de Paula Shugart, os diretores da Band seguiram para Beverly Hills (Califórnia), onde fica a sede da WME/IMG para tentarem marcar uma reunião com Ari Emanuel. Os detalhes do encontro dos três executivos foram mantidos em segredo, mas especialistas em concursos de misses informaram ao Críticas que a Band saiu da cidade californiana com um acordo apalavrado, porém, não assinado com a Miss Universe Organization, para assegurar os direitos de transmissão do Miss Universo, do Miss Brasil e dos concursos regionais até 2020. Fala-se que a Band deva pagar à “nova” MUO cerca de US$ 21 milhões para manter o pacote completo de concursos de beleza feminina, considerado o mais nobre para efeitos de transmissão televisiva.
Tanto a Shugart quanto a Emanuel, Nogueira e Meira expuseram suas preocupações com o cenário de crise em que a economia brasileira se encontra. Enfatizaram as dificuldades gravíssimas que o Grupo Band vem enfrentando para arrumar patrocinadores para o concurso Miss Brasil 2015 e receberam conselhos dos dois executivos para fazer o concurso brasileiro franqueado da MUO, sob a batuta da Band desde 2011, sair do desconforto financeiro em que se encontra. A onda de demissões que afeta a emissora da família Saad desde março atingiu com violência uma das etapas estaduais do Miss Universo no Brasil. Com o fechamento da Band Palmas, o concurso Miss Tocantins 2015 teve que ser cancelado e a Enter teve que recorrer a uma indicação do franqueado local, obtida a partir do banco de candidatas do Distrito Federal.
A intenção da encontro dos executivos da Band com a direção da MUO é evitar que o Miss Brasil, o Miss Universo e os concursos regionais passem às mãos da Globo a partir de 2016. A WME/IMG também avalia negociar com Record e SBT, com o intuito de “repopularizar” os concursos e reaproximá-los da Grande Mídia e dos anunciantes mais importantes. Para este ano, a Band não conseguiu renovar os acordos de patrocínio com Amanco, Bombril e Nivea, que patrocinaram o Miss Brasil 2014.
Para os coordenadores estaduais, os principais interessados em “salvar” o concurso Miss Brasil 2015, a viagem dos executivos da Band a Nova York e Beverly Hills serviu para atenuar o problema até então pendente com a Enter. Uma fonte do Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) disse ao Críticas que uma eventual ação judicial contra a Band por perdas e danos relativos ao atraso na organização do concurso está descartada, pelo menos por enquanto.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

8 respostas para Vices da Band vão a NY e Beverly Hills para tentarem ‘salvar’ concurso Miss Brasil das mãos da Globo

  1. Pingback: CNCCB, Enter e Band não chegam a acordo e concurso Miss Brasil 2015 é adiado mais uma vez. Coordenadores ameaçam ir à Justiça por perdas e danos morais | TV em Análise Críticas

  2. Pingback: Com data definida para o Miss Brasil 2015, Band volta a negociar patrocínios para o concurso | TV em Análise Críticas

  3. Pingback: Em horário de verão, concurso Miss Brasil 2015 pode ter menos audiência que edições anteriores | TV em Análise Críticas

  4. Pingback: Mesmo com o concurso de 2015 assegurado, futuro do Miss Brasil segue ameaçado na Band | TV em Análise Críticas

  5. Pingback: Começa a programação do Miss Brasil 2015. E com ela, o risco da Band tomar uma surra helênica | TV em Análise Críticas

  6. Pingback: Endividada e respirando com empréstimo da Caixa, Band ameaça parar a transmissão do Miss Brasil e do Miss Universo e outra emissora pode assumir concursos a partir de 2017 | TV em Análise Críticas

  7. Pingback: EXCLUSIVO: Polishop começa gestão do Miss Brasil com ‘herança maldita’ da Enter | TV em Análise Críticas

  8. Pingback: Jornal de grupo de mídia citado na Zelotes entrega o ovo da serpente do Miss Rio Grande do Sul 2016 | TV em Análise Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s