Assunto da semana: O recalque da estrela da novela da tarde


O discurso de Viola Davis e as mulheres negras do 67º Primetime Emmy

Variety/Reprodução/Facebook/Viola Davis

Sem querermos tratar do mérito antecipadamente merecido por Game of Thrones, a grande tônica da 67º festa de entrega dos Primetime Emmys, realizada na noite do domingo (20), em Los Angeles, foi o discurso de aceitação da estatueta de melhor atriz em série dramática por Viola Davis, 50, pela primeira temporada de How to Get Away with Murder. Em dois minutos e meio, Viola, egressa de duas indicações ao Oscar, ambas mal sucedidas, deu um tapa de pelica em eventuais detratores da conquista de uma negra nesse quesito.

Reproduções/Facebook/Viola Davis/Nancy Lee Grahn

Na capa da revista Variety ou ao lado da Miss Piggy dos Muppets (não confundir com PIG, Partido da Imprensa Golpista), Viola Davis e seu Emmy conseguiram atiçar a ira de rede social de uma fracassada atriz de novela diurna chamada Nancy Lee Grahn, que teve todas as oportunidades possíveis para ascender aos diversos degraus da indústria de Hollywood. A detratora de Viola tem idade suficiente para ter saído da bolha chamada General Hospital, mas a usou para assacar a conquista de Viola, importantíssima para a cultura afro-americana.

Associated Press/20.09.2015

Viola Davis não foi a única afrodescendente a levar alguma estatueta nas áreas de atuação feminina do 67º Primetime Emmy. Aos prantos capazes de interditar a estrada Rio-Bahia, a descendente de nigerianos Uzo Aduba, de Orange is the New Black (enquadrada nos novos critérios da Academia de Televisão como série dramática), calou uma ira maior de Nancy Lee contra mulheres negras. As mulheres negras e não Os Mulheres Negras, banda de rock boçal intelectual paulistano de vida curta, entre 1988 e 1990 capaz de arrancar risadas.

Divulgação/EMI

Pgil McCarten/Invision/Television Academy/AP Images/20.09.2015

Para fechar a festa da negritude (nada relacionado a conjunto de pagode de Netinho de Paula), Regina King (ex-Southland) furou o cerco de Angela Bassett, Kathy Bates e Sarah Paulson, da turma de American Horror Story: Freak Show e levou sua estatueta de melhor atriz coadjuvante em minissérie ou telefilme, em American Crime. Entre os homens, surpreendentemente, nenhum negro levou estatueta: Don Cheadle, Anthony Anderson, Titus Burgess… Ficou faltando algum nome? Me avisem se tiver faltado algum. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domimgo (27/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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