Coordenadores estaduais cobram da Band uma solução para o caso do concurso Miss Brasil 2015


Segundo CNCCB, emissora da família Saad não está cumprindo sua parte na organização do concurso; entidade estuda ir à Justiça

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/26.09.2014


Patrocinadoras de 2014, Amanco, Bombril e Nivea não continuarão

A novela da realização do concurso Miss Brasil 2015, pelo visto, não terminará tão cedo. Representantes do Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) estudam acionar a Rede Bandeirantes e a empresa de eventos Enter-Entertainment Experience na Justiça de São Paulo pelo não cumprimento de obrigações contratuais relativas à organização da etapa brasileira do Miss Universo 2015, prevista, segundo os coordenadores, para o dia 31 de outubro, em São Paulo. A Band e a Enter não confirmam essa data, mas admitem ter problemas na sua organização.
Na noite do sábado (19), foi realizado o último concurso estadual da temporada, no Rio de Janeiro, vencido pela candidata da cidade de Armação dos Búzios (Região dos Lagos), Nathalia Pinheiro, 25. De acordo com a Enter, esta será a última candidata a ter documentação entregue pela coordenação local. A coordenadora Susana Cardoso tem até a próxima quarta-feira (30) para fazer a inscrição de sua candidata. Trata-se de uma exceção, pois os outros Estados e o Distrito Federal tiveram prazo para inscrever suas candidatas pré-eleitas ou optarem pela indicação encerrado em 31 de agosto.
De acordo com um grupo de coordenadores estaduais que procurou o TV em Análise Críticas, sob a condição de não serem identificados, a Band protela ao máximo a data do Miss Brasil 2015 para atender a necessidades comerciais e eleitorais da candidata paulista na disputa, Jéssica Vilela Voltolini, 21. Fontes do departamento comercial da Band admitiram ter procurado, sem sucesso, empresas que patrocinaram o concurso do ano passado, como Amanco, Nivea e Bombril. Nenhuma delas aceitou proposta de renovação do patrocínio do concurso, que segue empacado em vendas. Uma ex-coordenadora estadual, que pediu para não ser identificada, suspeita de acordo financeiro entre a Band, a prefeita de Ribeirão Preto (cidade natal da Miss São Paulo 2015), Darcy Vera (PSD), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB). Fala-se um um acordo de R$ 300 mil para dar o título de Miss Brasil 2015 à paulista, financiado por movimentos anti-PT, como Revoltados Online, Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre, responsáveis pelas manifestações na Avenida Paulista realizadas em 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto.
“A Band não está fazendo a sua parte nos concursos estaduais do Miss Brasil 2015 que é a de divulgar, em sua programação, os cronogramas dos concursos bem como suas transmissões. Nós, enquanto coordenadores e franqueados da Enter, fizemos a nossa parte. Enquanto isso, seu Johnny Saad manda seus jornalistas insultarem o Silas Malafaia (pastor que tem espaço alugado na emissora) e atacarem os governos do PT, especialmente o da presidenta Dilma Rousseff e do prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad”, desabafou um coordenador da região Centro-Oeste. Mais contidos, coordenadores das regiões Sul e Sudeste preferem atribuir os problemas de organização do Miss Brasil 2015 à crise econômica que o país atravessa e culpam o ministro da Fazenda, Joaquim Levy: “Este verme que o PT colocou para tomar conta dos cofres da União está arruinando o sonho de milhares de garotas, que é o de serem uma Martha Rocha, Deise Nunes ou Adalgisa Colombo. O senhor Joaquim Levy e sua cara de Frankenstein das finanças está assassinando a indústria dos concursos de misses no Brasil”, desabafou outro coordenador estadual da região Sul, ainda mais indignado.

Segundo a Enter, o problema é lá fora. E a culpa é do Trump

Um diretor da Band, consultado pela redação do Críticas, admitiu que todo o atraso na realização do Miss Brasil 2015 se deve à crise causada nas coordenações nacionais pelas declarações discriminatórias a imigrantes ilegais mexicanos dadas pelo ex-proprietário do Miss Universo, o empresário e pré-candidato republicano Donald Trump, 69. “Não tem nada a ver com crise econômica esse negócio do Miss Brasil: o problema todo está centralizado nos Estados Unidos, onde fica a sede da Miss Universe Organization, que passa agora por uma reestruturação”, adiantou. Segundo essa fonte, a Band está aberta a negociações com a nova proprietária da MUO, a WME/IMG, do empresário judeu Ari Emanuel, 54. “Iremos a Nova York nos próximos dias para tentarmos conversar sobre um novo contrato, a exemplo do que outras franquias nacionais farão”, ressaltou. Concorrentes da Band, como Globo, Record e SBT também estão sendo procuradas pela “nova” MUO para tirar da Band o contrato de exclusividade do Miss Brasil e do Miss Universo, como atestou reportagem do Críticas publicada na quarta-feira (16). O contrato antigo com Trump acaba no dia 13 de dezembro e, de acordo com a Band, deverá ser anulado a partir do acordo com a WME/IMG, considerado improvável por especialistas de mercado, que preferem apostar num acordo com a Globo, para trazer mais visibilidade, “repopularizar” os concursos de beleza no país e reaproximá-los do grande público e anunciantes de peso.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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