Prévia do In Memoriam do 67º Primetime Emmy


De Bobbi Kristina a Joan Rivers, nomes, uma verdade inconveniente a se lembrar e uma injustiça a se reparar

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Cortesia de Melissa Rivers


Joan e Melissa Rivers: após a morte da mãe, legado passado para a filha

A abertura do novo ciclo televisivo americano, com a realização da 67ª festa de entrega dos Primetime Emmys, na noite deste domingo (20), não servirá apenas para congraçar a comunidade televisiva. Mas também para rememorar algumas das principais perdas que sofreu ao longo do período comercial. Para este texto, o TV em Análise Críticas selecionou alguns nomes constantes da listagem apresentada pelo emmys.com. No entanto, muitos deles podem nem aparecer no clipe oficial de In Memoriam, devido a limitações de tempo de arte e edição de material. A saber:

Mirjana Puhar – Competidora da 21ª temporada do America’s Next Top Model, levada ao ar pela The CW na summer-season 2014, foi eliminada no décimo episódio. Nascida em Sremska Mitrovica (Sérvia), Puhar cresceu em Nova Yotk e depois em Charlotte (Carolina do Norte). Ela saiu do ensino médio aos 16 anos Começou sua carreira de modelo aos 12. Foi assassinada em um triplo homicídio no dia 24 de fevereiro, em seu apartamento, em Charlotte, encerrando o sonho de uma carreira promissora.

Cristie Schoen Codd – Competidora e finalista da oitava temporada do Food Network Star, levada ao ar em 2012, Cristen prestou serviços de catering em produções que concorreram ao Oscar como Planeta dos Macacos: O Confronto. Fez trabalhos não creditados como atriz em O Sorriso de Mona Lisa e James Brown, além de ter atuado como figurante e dublê de algumas séries televisivas. Foi assassinada ao lado do marido em Leicester (Carolins do Norte) ao lado do marido e estava grávida. Estava com 39 anos e era natural de Madri (Espanha).

Walter Grauman – Difícil dissociar seu nome da grande tragédia que poderia ter acontecido no Riocentro, no dia 30 de abril de 1981, quando grandes nomes da MPB como Beth Carvalho, Chico Buarque, Clara Nunes, Elis Regina, Fagner, Cauby Peixoto, dentre outros, se apresentavam num show comemorativo do Dia do Trabalho que poderia ter terminado na maior chacina contra a cultura brasileira. Naquela noite, a Rede Globo exibia Você Está Sozinha?, telefilme de terror dirigido por Grauman em 1978 para a rede CBS. A produção protagonizada por Kathleen Beller, Blythe Danner e Dennis Quaid ia ao ar no momento que a repórter Monica Yanakiew foi chamada para dar a informação de que uma bomba explodira num carro Puma matando um sargento da Aeronáutica e ferindo outro. Não dá para dissociar Walter Grauman da suposta “comissão da verdade” de faz-de-conta que se fez para ocultar o verdadeiro intento do caso Riocentro: assassinar a Música Popular Brasileira. A constatação veio do professor emérito da Universidade de Brasília, Luís Cláudio Cunha.
Com carreira cinematográfica iniciada em 1957, Grauman participou da produção de 18 séries e pilotos de dramas, 15 trabalhos adicionais de minisséries, telefilmes e séries dramáticas, três teleteatros e 23 minisséries e telefilmes, dos quais foi diretor em nove, incluindo o filme interrompido por um plantão da Globo sobre a bomba no Riocentro. Saiu de cena aos 93 anos sem ouvir o nosso lado da história sobre Are You in the House Alone?.

Katherine Chappell – Vencedora na categoria de melhores efeitos visuais especiais em 2014 por um episódio da quarta temporada de Game of Thrones (The Children), a editora de efeitos visuais morreu atacada por um leão em um zoológico de Joanesburgo (África do Sul). Aos 29 anos, o legado da nova-iorquina Katherine na área televisiva pré-Thrones também foi deixado em produções como Gravity e Royal Pains.

Anthony Riley – Competidor da oitava temporada do The Voice, o nativo da Filadélfia informou aos produtores da competição que precisava deixar as gravações para ir a uma clínica de reabilitação. Especializado em jazz da década de 1960 padrão James Borown, Riley fez os jurados girarem suas cadeiras após sua performance de I Got You (I Feel Good). Foi treinado por Pharrell Williams antes de sair da competição. Tinha 28 anos de idade quando foi encontrado morto por suicídio, no dia 2 de junho.

Bobbi Kristina Brown – Filha do “casal problema” de cantores de R&B Whitney Houston e Bobby Brown, a vida louca vida de Bobbi Kristina foi tão meteórica na televisão quanto sua passagem pela Terra. Em 2005, fez sua primeira aparição em realities documentais em Being Bobby Brown, que já retratava o inferno das drogas em que o casal Whitney/Bobby já mergulhara. Após a morte trágica da mãe, às vésperas do 57º Grammy, em fevereiro de 2012, Bobbi concedera entrevista ao canal pago controlado pela apresentadora Oprah Winfrey. Botou a cara no reality documental da Lifetime The Houstons: On Our Own. Fez ponta em uma das várias séries cômicas do diretor Tyler Perry (For Netter or Worse) antes de se afundar no mesmo inferno que levou Whitney Houston para o plano superior. Agonizou em um hospital de Duluth (Geórgia) até seu último suspiro, em 26 de julho, com apenas 22 anos e uma vida inteira pela frente sacrificada.

Judy Carne – Com um casamento relâmpago com o ator Burt Reynolds, a atriz inglesa de tornou conhecida por trabalhos como Rowan & Martin’s Laugh-In, O Agente da UNCLE, Jeannie é um Gênio e Bonanza. Tinha 76 anos quando morreu em Northampton (Inglaterra), no dia 3 de setembro.

Yvonne Craig – Fez o papel de Batgirl na terceira e última temporada de Batman, levada ao ar pela ABC em 1967. Após isso, a atriz teve outros 16 créditos de televisão. O último deles foi a dublagem da animação infantil Olivia, do canal pago Nickleodeon. Perdeu a batalha contra o câncer de mama no dia 17 de agosto, em Pacific Pallisades (Califórnia), aos 78 anos.

Frank Gifford – Ex-halfback e flanker do New York Giants, Gifford, falecido no dia 9 de agosto, em Riverside (Connecticut), tornou-se mais conhecido por fazer a dobradinha com o também finado Don Meredith no Monday Night Football, no período em que o programa para os jogos de segunda-feira da NFL, principal liga de futebol americano profissional dos Estados Unidos, esteve na ABC. Assinou contrato com a Warner Bros. para atuação em filmes mesmo com sua carreira como jogador profissional ainda em progresso. Para a ABC, comentou as Olimpíadas de Inverno de 1976 (Innsbruck), 1980 (Lake Placid) e 1984 (Sarajevo) e de Verão de 1972 (Munique, a do Setembro Negro), 1976 (Montreal) e 1984 (Los Angeles). Tinha 84 anos e era casado com a apresentadora da quarta e última hora do Today Show, a ex-atriz Kathy Lee Gifford.

Jerry Weintraub – A principal contribuição do executivo, morto no dia 6 de julho, em Santa Barbara (Califórnia), aos 77 anos, para a indústria televisiva foram ter feito parte do vitorioso time de produção que deu ao telefilme Behind the Candelabra, da HBO, com Michael Douglas e Matt Damon, a façanha de ter conquistado em 2013 11 categorias no 65º Primetime Emmy, boa parte delas de áreas técnicas. Seu outro crédito televisivo foi a série documental Years of Living Dangerously, que lhe rendeu um Primetime Emmy de melhor série de documentário ou não ficção, no ano passado.

Ralph J. Roberts – Em 1963, o executivo morto no dia 18 de junho, em Filadélfia, ajudou a erguer uma das primeiras empresas especializadas em prestação de serviços de TV a cabo nos Estados Unidos, mediante cobrança de assinatura, a Comcast. Atualmente, a Comcast é empresa parenta de um mastodonte da comunicação que engloba todas as propriedades da NBCUniversal, adquiridas após a fusão finalizada em 1º de fevereiro de 2011. Tinha 95 anos e participou também de iniciativas de caridade. Era um dos principais doadores de campanhas do Partido Republicano.

Norman Horowitz – Morto aos 82 anos no dia 16 de junho, em Beverly Hills, o executivo da MGM foi responsável pelas negociações de direitos de exibição de séries dramáticas como a primeira versão de As Panteras/Charlie’s Angels. Começou sua carreira em 1956, na Screem Gems, como editor assistente. Mais tarde, na mesma companhia, foi sendo promovido a vice-presidente sênior de vendas e vice-presidente executivo de vendas internacionais. Exerceu essa mesma função a partir de 1968, na CBS e na Columbia Pictures Television. Antes de ingressar na MGM/United Artists, Horowitz ajudou a fundar a PolyGram Television (do mesmo grupo que compraria a gravadora Philips, que no Brasil detinha, no início da década de 1970, quase toda a nata da MPB: Chico Buarque, Nara Leão e Maria Bethânia, apenas para citar alguns).

John Simes – Morto aos 86 anos no dia 2 de maio, em Los Angeles, o agente representou artistas como Debbie Reynolds e Lee Marvin. Foi vice-presidente dos departamentos de televisão de quatro agências, atendendo a clientes como a Procter & Gamble. Foi atendendo a esse cliente que, em 1975, surgiu a ideia da empresa saboneteira criar um “Oscar da vontade popular” do entretenimento americano, o People’s Choice Awards, realizado nas costas da award season de janeiro/fevereiro. Graças a mentalidade de Simes, pôde se, enfim, criar o contraponto de que “gosto popular não é sinônimo de excelência artística”.

Leonard Nimoy – Sem necessidade de mais apresentações, o intérprete do capitão Spock de Star Trek/Jornada nas Estrelas saiu de cena no dia 27 de fevereiro, aos 83 anos. A exemplo de Yvonne Craig, que não teve sua passagem por Spartacus creditada por ninguém, a Academia de Televisão ignorou de forma solene sua participação em um episódio de The Big Bang Theory. Lamentável.

Stuart Scott – Seu gesto de coragem no ESPY Awards de 2014 tornou pública a maior batalha do locutor esportivo, aos 49 anos: a luta contra um câncer linfático. Aos prantos, o apresentador do SportsCenter e responsável por coberturas importantes como as Finais da NBA e Super Bowl, recorreu a uma frase: “Jack Bauer salva o mundo e pode me apresentar”. A brincadeira de bom grado foi um atenuante para sua batalha pela vida, perdida na manhã do primeiro domingo de 2015, 4 de janeiro. Se vivo estivesse, o âncora iria completar 50 anos no último dia 19 de julho.

Simone Battle – Morta no dia 5 de setembro de 2014, a cantora do G.R.L. teve uma certa notoriedade por ter competido na primeira temporada da malsucedida versão americana do The X Factor. Como Battle, esta franquia do X Factor ficou fadada ao suicídio da queda dos números de audiência. Em fevereiro de 2014, a FOX passou a faca no programa e seu principal jurado, Simon Cowell, voltou para a Inglaterra para julgar a versão original da competição musical. O G.R.L. é apenas um dos múltiplos casos de artistas saídos do The X-Factor USA que não deram certo – as exceções notáveis são Fifth Harmony e a dupla Alex & Sierra.

Joan Rivers – Nascida Joan Molinsky em 8 de junho de 1933, a nova-iorquina do Brooklyn redefiniu o conceito de piada. Colocou a figura feminina como posto central de programas humorísticos e tinha em sua casa, em Connecticut, um depósito de piadas para uso póstumo. Registrou-as em um documentário de 2011. Passou à filha única, Melissa, o legado de detonar ou elogiar o vestuário de determinadas atrizes. Porém, tinha um senso peculiar. Criou a figura dos Joan Rangers, fazendo uma legião de fãs concordantes com seu senso de humor. Instituiu a figura do repórter de tapete vermelho para o então obscuro canal pago E!, em 1992, antes da 64ª festa de entrega do Oscar. Ao lado de Melissa Rivers, cobriu Golden Globes, SAG Awards, Grammys, Oscars e os próprios Primetime Emmys, usando de perguntas maliciosas contra atrizes. Uma vez, se dirigindo a Anne Hathaway, a chamou de “vadia”. E Hathaway levou a provocação de Rivers na esportiva.
Em 17 de fevereiro de 1965, Rivers colocou a cara a bater na televisão ao fazer suas primeiras piadas no The Tonight Show de Johnny Carson, que a avisou: “Você pode ser uma estrela”. Como de fato acabou se tornando, a ponto de, em 1986, aceitar um convite da recém formada FOX para apresentar um programa concorrente ao de Carson. O The Last Show Starring Joan Rivers não durou muito e acabou cancelado em meados de 1987. Na mesma época, seu único marido, Edgar Rosemberg, se suicidou. O drama vivido por Joan e Melissa resultou em um telefilme da Lifetime chamado Tears and Laughters. A volta por cima de Joan viria em 1988, quando levou seu The Joan Rivers Show. Acabou vencendo seu único Daytime Emmy de apresentadora de programas de entrevistas em 1989. O The Joan Show ficou no ar até 1994.
Filha de imigrantes russos, Joan Rivers chegou a ter uma indicação ao Tony Awards pela encenação de Sally Mart… And Her Escorts. Participou com Melissa de programas de televendas e, em 2009, ambas atenderam a um convite de Donald Trump para competirem na segunda temporada do The Celebrity Apprentice, da qual Joan se saiu vencedora. Melissa foi demitida a dois programas do fim da temporada, para desespero da mãe. Em 2010, ao lado da repórter Giuliana Rancic, do crítico de moda George Kotsiopoulos e da ex-estrela de realities Kelly Osbourne, começou a apresentar o Fashion Police, no E!, sob produção executiva de Melissa, encarregada de supervisionar a claque de risadas. A parceria de Joan e Melissa Rivers rendeu-lhes também um reality documental chamado Joan & Melissa: Joan Knows Best? para a WeTV. Fez participações em produções como Nip/Tuck e emprestou a voz para animações como The Simpsons. Foi exatamente um calo na garganta que a levou para ser operada após fazer o Police dos Video Music Awards e dos Primetime Emmys e a colocou no coma durante seis dias. Numa sinagoga, Melissa e seu filho Cooper apareceram para se despedir da mãe e avó, cujas exéquias tiveram tratamento digno das coberturas bem humoradas de tapete vermelho que fez ao longo de 22 anos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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