A um mês do Miss Brasil 2015, Band se cala sobre a troca de comando na organização do concurso Miss Universo


Emissora da família Saad nada noticiou em seu portal e redes sociais sobre a chegada do agente de modelos Ari Emanuel ao comando do concurso

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Band/Divulgação/21.12.2010


Compromisso da Band assinado com Trump vai acabar

A aquisição da Miss Universe Organization por parte da William Morris Endeavor/International Management Group (WME/IMG), anunciada na manhã desta segunda-feira (14) ainda não chegou ao conhecimento dos diretores da Enter, empresa de eventos do Grupo Bandeirantes de Comunicação que promove o concurso Miss Brasil válido pelo título de Miss Universo desde 2012, mediante contrato assinado ainda na gestão de seu ex-proprietário, o empresário Donald Trump, 69. Este compromisso se encerra no dia 13 de dezembro e, pelas práticas adotadas pela empresa du überagente de modelos Ari Emanuel, 54, corre sério risco de não ser renovado.
Pelo o que o TV em Análise Críticas pôde apurar, a WME/IMG procura uma nova emissora para transmitir não apenas o Miss Universo, mas principalmente o combalido concurso de Miss Brasil, bem como suas 27 etapas estaduais e centenas de concursos municipais. Uma fonte de mercado informou que a WME tem forte interesse em negociar com uma das três mais importantes redes de TV aberta do país – Globo, Record ou SBT (as duas últimas com histórico de transmissões de Miss Brasil e Miss Universo que vai de 1979 a 1989). Segundo essa fonte, o ponto a favor da Globo seria o seu poder de influência e as ligações com Ari Emanuel (tem a franquia do festival de pop rock Lollapallooza), mas pesa contra a rede da famíglia Marinho a inexperiência na promoção e transmissão de concursos de beleza, além da produção de matérias antipáticas a este tipo de evento.
Para o caso da Record, a fonte aponta como fator contrário a resistência de bispos da Igreja Universal ao uso do traje de banho de duas peças. “Os pastores pediriam à nova direção da MUO para que se adotassem trajes mais comportados de trajes de banho, abrindo inclusive caminho para uma possível volta dos maiôs”, ressalta. Para o SBT voltar a transmitir os eventos da MUO, o único problema seria a resistência de seu departamento comercial em tocar esse tipo de projeto. “Apoio do (animador) Sílvio Santos já existe, mas o que existe é uma tremenda má vontade de seus atuais diretores em pegar de volta uma coisa que é parte de seu passado”, enfatiza a Fonte Luminosa do Críticas, como trataremos o informante. Em 1979, os Stúdios Sílvio Santos tomaram da Rede Tupi o direito de transmitir o concurso de Miss Universo, mediante acordo com a Gulf + Western Indistries, então dona da MUO. Em 1981, os SSS assinaram acordo com a MUO para promoverem o concurso de Miss Brasil específico para o Miss Universo (nos moldes hoje adotados pela Band), à época para transmissão pela TV Record. Por ter entrado no ar após a realização do Miss Universo 1981, o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão, rede que Sílvio formou com sobras do inventário de concessões da Tupi feito pelo general Figueiredo) só passou a tomar parte do Miss Brasil a partir de 1982. Por pressão da Globo, da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e de grupos feministas, a pareceria foi desfeita em 1991.
A profissionalização dos concursos de misses promovida pela Band desde 2003 atraiu a cobiça de grupos concorrentes de mídia na disputa dos direitos de transmissão em TV aberta dos concursos Miss Brasil e Miss Universo. Amparada então por um acordo com a Gaeta Promoções e Eventos, a emissora do Morumbi foi renovando seus contratos de transmissão para os concursos nacional e internacional à medida que incorporava algumas etapas estaduais a seu portfólio de eventos válidos pelo Miss Brasil/Miss Universo. Das 27 etapas estaduais, 12 são promovidas pela Band e suas afiliadas. Estima-se que o Miss Brasil empregue indiretamente cerca de 3.500 profissionais, entre coordenações municipais, estaduais e nacional, incluindo-se os franqueados regionais. É nessa fórmula de sucesso, que resultou em um segundo lugar, um terceiro lugar, dois quintos lugares e três figurações entre as semifinalistas que a WME/IMG está de olho, para que os concursos passem a ter mais visibilidade no Brasil e resgatem a época em que as misses eram personagens frequentes da mídia. As gestões da Gaeta e da Band praticamente soterraram esse papel e a maioria das vencedoras do Miss Brasil de 2003 até agora preferiu o anonimato ou caiu no ostracismo.
De acordo com carta enviada às coordenações estaduais, o Miss Brasil 2015 (ainda sob tutela da Enter/Band) está previsto para acontecer no dia 31 de outubro, em São Paulo. A assessoria da Enter não tinha confirmado esta data até o fechamento desta reportagem, mas o Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB), entidade independente sediada em Manaus que congrega as 27 coordenações estaduais ligadas à Miss Universe Organization, trabalha com ela. Por enquanto.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para A um mês do Miss Brasil 2015, Band se cala sobre a troca de comando na organização do concurso Miss Universo

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