Fábio Jr. passa dos limites ao incitar xingamentos contra Dilma no Brazilian Day de Nova York, mas poupa Cunha e Maluf


Desrespeito atingiu também vice-presidente Michel Temer, ex-ministro José Dirceu e direção nacional do PMDB

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Multishow


Ex-ator de novelas e cantor tem ligações com o PSDB desde a raiz

O gesto do cantor e ex-ator de novelas Fábio Júnior, 61, ao empunhar a bandeira nacional para desferir ofensas verbais à presidenta Dilma Rousseff, a seu vice Michel Temer, ao partido de Temer, o PMDB, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, durante o Brazilian Day de Nova York ultrapassou todos os limites do respeito à dignidade humana e às boas normas de educação, higiene verbal e convívio social. Sovina, o músico berrou impropérios às vésperas de o país comemorar 193 anos da independência da Coroa de Portugal numa festa de brasileiros residentes na Big Apple, muitos deles deserdados do país ainda durante as crises econômicas resultantes da farsa que foi o Plano Cruzado, lançado em 28 de fevereiro de 1986, e seus planos subsequentes nos governos seguintes ao de José Sarney (1985-1990), primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura militar.
Os xingamentos de Fábio Jr. a Dilma e Lula não seriam novidade ante o cenário de desespero e terror que a direita conservadora do “Deus Mercado Tom Brady” instaurou após o início do segundo mandato da atual presidenta, em 1º de janeiro. Plantações de manchetes alarmistas, grotescas e sensacionalistas para vender jornal e dar audiência a grandes portais, emissoras de rádio, redes nacionais de televisão aberta e canais pagos de notícias amamentados pelas verbas publicitárias do Governo Federal, obedecendo aos critérios da mídia técnica, apenas servem de ração para alimentar o ódio financiado ao Brasil por transnacionais de petróleo como Chevron, ConocoPhillips, ExxonMobil e Koch Industries, enrustido, travestido, envasado e embalado a vácuo em supostas “organizações apartidárias” nominadas Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre, Revoltados Online, Movimento Pátria Livre e Instituto Millenium, apenas para citar algumas integrantes do escopo cancerígeno que quer “matar” o governo Dilma à base de palavras, dados e números sem argumento ou embasamento técnico ou científico, desprovido de qualquer prova oficial. Mas o que causa surpresa neste caso, é a citação nominal do PMDB, partido que sempre foi aliado da Rede Globo desde as origens da redemocratização, ainda em 1978, nas eleições dos “senadores biônicos” estaduais impostos pela ditadura militar (nada a ver com série abortada da franquia Heroes, de Tim Kring).
Desferida na Globo Internacional e cá retransmitida pelo canal pago Multishow, do Grupo Globo, a ofensa múltipla de Fábio Júnior ao Brasil escancara uma ligação umbilical histórica de Fábio Corrêa Ayrosa Galvão com o PMDB paulista e depois com o PSDB, partido da ala de insatisfeitos peemedebistas paulistas como Franco Montoro e José Serra. Durante o governo de Mário Covas (1930-2001), seus programa na Rede Record serviu como bastião de endeusamento da entourage tucana que àquela altura também mandava e desmandava no Brasil, calando e processando jornalistas independentes e progressistas, se valendo de uma banca de advogados aparentemente formados na Universidade Municipal de Foxborough e não no Largo de São Francisco, no Pátio do Colégio, raiz da cidade natal de Fábio Júnior. Durante o rompante deste domingo (6), Fábio Junior poupou outros políticos com histórico de corrupção comprovado como Paulo Maluf (PP), ex-prefeito e governador de São Paulo, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual presidente da Câmara dos Deputados. Os dois são alvos de investigação do Ministério Público Federal, da Interpol (Maluf) e do Supremo Tribunal Federal por abuso de poder econômico. Destes, apenas Maluf pegou cadeia enquanto Cunha ainda aguarda, do alto se seu trono no Congresso, o desenlace de seu futuro político.
Diante desta lamentável afronta à escolha democrática de 54 milhões de brasileiros feita em segundo turno no dia 26 de outubro de 2014, fica a pergunta: o que dirão em programas de TV e sites dedicados a fofocas, fuxicos e notícias de celebridades as ex-mulheres de Fábio Júnior como Glória Pires, Guilhermina Guinle, Patrícia de Sabrit e Mari Alexandre e sua filha Cleo Pires diante do esgoto verbal despejado na avenida 42, em Manhattan, ante milhares de brasileiros “refugiados” das crises pós-Sarney? Esgoto esse que, por pouco, não desaguou na Baía de Nova York, aos pés da Estátua da Liberdade (como o Cristo Redentor, feita por franceses). Para eu não dizer Baía de Guanabara, por causa da Olimpíada de Verão Rio 2016 e suas temidas provas de vela.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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