Coordenadores de concursos latinos começam a se mobilizar para derrubar Trump do controle do concurso Miss Universo


Proposta é defendida pela mexicana Lupita Jones e deve receber adesão de coordenações do Panamá e Costa Rica

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotomontagem/Getty Images


Jones x Trump: a guerra está declarada

Um grupo de coordenações nacionais do concurso Miss Universo na América Latina começa a se articular para exigir a saída do empresário e pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Donald Trump, 69, do controle acionário da Miss Universe Organization, entidade que organiza o evento desde sua criação, em 1952. Segundo o TV em Análise Críticas apurou, representantes das coordenações do México, Costa Rica e Panamá teriam procurado a presidenta da MUO, Paula Shugart, para “mobilizar todos os esforços possíveis” para forçar Trump a vender os 49% de participação acionária que possui na entidade desde 1995, quando concretizou a compra da então Miss Universe Inc. junto à MSG Entertainment, dona de canais pagos esportivos e do Madison Square Garden, tradicional casa de espetáculos e de eventos esportivos de Nova York, cidade onde também ficam as sedes da Organização Trump e da MUO.
Representantes do grupo de mídia Televisa já teriam conversado com a Univisión para uma chamada “operação garrote” com o intuito de afastar Trump de seus noticiários e acelerar em paralelo as negociações, nos bastidores, para a compra da porção acionária pertencente a Trump, ou parte dela. A negociação para tirar o Miss Universo de Donald Trump não será nada fácil, pois encontra resistências entre seus herdeiros diretos e a grande maioria das coordenações nacionais, inclusive a do Brasil, representada pela Enter, empresa de eventos da Band, que defendem a manutenção dos eventos da MUO nas mãos de Trump até a conclusão do ciclo de eventos da entidade para a temporada 2015, prevista para dezembro ou janeiro, com a coroação da nova Miss Universo.
Por outro lado, nos Estados Unidos, as coordenações estaduais do Miss USA e Miss Teen USA, concursos também organizados pela MUO, começam a demonstrar preocupação sobre o futuro que a entidade vai tomar a partir de agora, especialmente com a crise causada pelos ataques de Trump aos imigrantes ilegais mexicanos, durante o lançamento de sua pré-candidatura, no dia 20 de junho, em Chicago. O ciclo de concursos locais com vistas ao Miss USA 2016 e Miss Teen USA 2016 começa em setembro, na Flórida, e deve se estender até fevereiro.
Outro complicador na negociação para a venda da Miss Universe Organization está nos contratos televisivos que ainda faltam ser assinados para o Miss Universo 2015 e a partir dos eventos da entidade para 2016. Nominalmente, a NBCUniversal ainda possui 51% do controle acionário do concurso, o que dificulta um pouco o ambiente de negociações de contratos televisivos para eventos da MUO. O acordo do ReelzChannel para transmitir o Miss USA 2015, no dia 12 de julho, foi feito sem a anuência da NBC que, em tese, teria poder de veto nos contratos de transmissão para os Estados Unidos em língua inglesa. A baixa da Univisión também deixou em aberto as negociações dos direitos dos eventos da MUO em língua espanhola para os Estados Unidos. Porém, o peso da Televisa nas negociações para afastar Trump na MUO deve acelerar o retorno da Univisión como detentora dos direitos do Miss USA e Miss Universo para essa faixa de público, já a partir do Miss Universo 2015.
No domingo (8), durante o TCA Summer Press Tour, em Beverly Hills (região metropolitana de Los Angeles), o presidente do ReelzChannel Stanley E. Hubbard se disse “extremamente orgulhoso” por ter transmitido o Miss USA 2015, mas descartou qualquer negociação para fazer a geração internacional do concurso Miss Universo 2015, cuja data e cidade-sede só devem ser definidas em setembro.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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3 respostas para Coordenadores de concursos latinos começam a se mobilizar para derrubar Trump do controle do concurso Miss Universo

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