Com a retirada da candidatura de Bogotá e de patrocinador, inferno de Trump no Miss Universo só aumenta


Caminho para a renúncia ao controle da MUO começa a tomar forma

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Brendan McDermid/Reuters/16.06.2015


Donald Trump, esse papo de imigrantes ilegais já era. Peça para sair

A debandada de Bogotá como cidade-candidata a sediar o Miss Universo 2015 e a retirada da Farouk Systems como patrocinadora master do certame soaram como golpes duríssimos para a Miss Universe Organization na última semana. As declarações xenófobas de seu co-proprietário, Donald Trump, travestido de pré-candidato repuvlicano à sucessão de Barack Obama, foram a gota d’água para artistas declararem boicote ao Miss USA 2015, que vai acontecer no próximo domingo (12), em Baton Rouge (Luisiana). Não fosse essa demonstração de imbecilidade, o TV em Análise Críticas já teria publicado sua mais nova avaliação parcial com vistas à disputa internacional. Mas a voracidade dos fatos desfavoráveis ao dono da MUO obrigou este espaço a dar outro rumo à cobertura dos concursos nacionais válidos pelo Miss Universo 2015.
O acordo de emergência com o quase inexpressivo canal pago ReelzChannel, conhecido apenas pela polêmica minissérie The Kennedys, levada ao ar no primeiro semestre de 2012, se de um lado já ajudou alguma coisa a MUO a assegurar exibição televisiva da etapa americana do Miss Universo 2015, do outro só trouxe problemas ainda maiores na tentativa de se retomar a exibição por parte da NBC: até o momento em que era redigido este texto, a petição online que circula na Change.org tinha conseguido 1.801 assinadoras (699 abaixo do quórum necessário de 2.500). Há inclusive candidata estadual que já assinou pedindo a volta do concurso à emissora aberta da NBCUniversal, alegando que “não se pode tirar o concurso do ar por causa da estupidez de uma pessoa”. Estupidez essa que também já causou a Trump a perda de um contrato com a loja Macy’s.
Para o lado democrata, que trabalha a todo vapor com a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton apenas para cumprir tabela para sacramentar seu nome nas primárias de janeiro, cada boicote que Trump sofre serve como refresco para a modesta base governista na Câmara de Representantes e no Senado americano. Para cada desgraça de Trump ante a verborragia contra os mexicanos, a turma de Obama solta rojões, como se tivesse vencido uma eleição para prefeito – no caso, de Nova York, onde está a sede dos empreendimentos de Trump – MUO inclusa.
Entre as coordenações nacionais do Miss Universo, as baixas pós-Trump foram pequenas, mas notáveis: México e Costa Rica já avisaram que não enviarão candidatas ao Miss Universo 2015. A Colômbia, depois da retirada da candidatura de Bogotá a sede do concurso, parece ir pelo mesmo caminho. Coordenações da Europa e da Ásia começaram a se movimentar para ver que decisões irão tomar nas próximas semanas. No Brasil, por ora, a Enter, empresa de eventos ligada à Rede Bandeirantes, já avisou que nada irá alterar em relação a seu cronograma de trabalho das etapas locais do Miss Brasil 2015. Tampouco nos trabalhos de produção do concurso nacional, muito menos nos procedimentos de inscrição da sucessora da cearense Melissa Gurgel para a 64ª edição do Miss Universo.
As movimentações postas até o momento indicam para uma possível renúncia de Donald Trump ao controle da Miss Universe Organization, elefante branco que não lhe dá lucro desde 1996. Embora seja uma entidade sem fins lucrativos, a MUO sobrevive basicamente dos contratos de patrocínio, das vendas dos direitos de televisão, rádio e Internet e das taxas de franquia pagas por mais de 90 coordenações nacionais nos cinco continentes. O principal acordo é com a venezuelana Vemnevisión, mas como em pleno madurismo pós-chavista a economia do país de sete misses Universo anda mais quebrada que perna de zagueiro do Botafogo, é provável que esse acordo milionário seja revisto. Cada caso é um caso, apesar de a MUO exigir confidencialidade nos acordos de televisão. Centavos contam, especialmente para os países da América Latina de colonização espanhola. Justamente os alvos da fúria anti-imigratória do pré-candidato Trump.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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5 respostas para Com a retirada da candidatura de Bogotá e de patrocinador, inferno de Trump no Miss Universo só aumenta

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