Donald Trump, para o bem de todos, renuncie já ao comando do concurso de Miss Universo!


Racismo e intolerância a imigrantes só vendem tabloides e pasquins agonizantes da direita conservadora americana, regada a ódio racial

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Brendan McDermid/Reuters/16.06.2015


Na foto, o dono do Miss Universo discursando pela redução da maioridade penal para bebês de colo no Congresso Nacional lotado

Depois que NBC e Univisión deram suas sentenças de morte, não resta outra alternativa como formador de opinião defender uma causa que muitos vão achar extremismo de mau gosto, padrão Estado Islâmico e radicais do idioma que chamam American Hustle de Trapaça Americana ou o príncipe William de Gales de príncipe Guilherme de Gales: pedir publicamente a renúncia do empresário Donald Trump como co-proprietário dos concursos Miss Universo, Miss USA e Miss Teen USA. Não dá mais para aguentar um mau caráter comandando o principal concurso de beleza do mundo.
Desde que comprou da Kayser-Roth a Miss Universe Inc. em 1996, o nova-iorquino do Queens Donald John Trump, 69 anos, investiu maciçamente os bilhões que ganha com negócios imobiliários e cassinos na recuperação midiática do evento. A princípio, a pareceria com a rede de televisão CBS, que vigorava desde 1960, foi preservada para os três concursos. Transferiu-se sua sede de Los Angeles para Nova York e, do dia para a noite, a empresa Miss Universo passou de sociedade anônima a companhia de responsabilidade civil limitada, controlada a mão de ferro por Trump e administrada por Paula Shugart, executiva que o empresário achou no mercado. Em entrevista ao canal E!, levada ao ar em 2005, Shugart contou que nos primeiros anos da gestão Trump/CBS ocorreram cortes de gastos, como contratação de navios para o transporte de equipamentos e material cênico e de iluminação dos Estados Unidos para os países sede de cada edição do evento.
Com fortuna estimada em US$ 4 bilhões de acordo com o levantamento mais recente da Forbes, Trump começou a tocar a Miss Universe Organization como uma entidade, não uma empresa atrelada a um grande estúdio de cinema, como foi o caso da Paramount, entre 1977 e 1988. No acordo com a NBC firmado em junho de 2002, mastodontes como NBCUniversal e Comcast ainda não faziam parte do cotidiano da nova casa do Miss Universo, que já experimentava derrotas sucessivas para a CBS no horário nobre. Uma rotina que, aparentemente, parou em 2011, quando as relações de Trump com a recém-feita fusão de Comcast com NBCUniversal eram as melhores possíveis, apesar das trapalhadas verbais do chefe do concurso fora de seu gabinete, principalmente no que diz respeito a questões externas e política americana pós-posse de Barack Obama, em 20 de janeiro de 2009. A partir dessa data, a mente do empresário de misses Donald Trump só se deformou. Virou para o lado mais radical do Partido Republicano, do qual é eleitor confesso.
Durante a administração Trump, 10 latino-americanas levaram a coroa de Miss Universo. A conta fica assim porque se inclui também no cômputo a trinitária Wendy Fitzwilliam, eleita em 1998. E sobe para 11 se considerarmos a coroa herdada pela panamenha Justine Pasek, em agosto de 2002, após a destituição da vencedora original, a russa Oxana Fedorova, por não atendimento a compromissos contratuais obrigatórios, como bailes beneficentes, feiras de caridade, concursos nacionais, etc. Quatro dessas vencedoras no período vieram da Venezuela. A primeira delas, Alicia Machado, levou a coroa antes mesmo da eclosão do chavismo/madurismo. As outras – Dayana Mendoza, Stefanía Fernández e Maria Gabriela Isler, a gente já está cansada de saber. Viraram produtos culturais de uma ideologia bolivariana que contrasta com as normas de mercado adotadas pela MUO, que resultaram na desistência de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) como sede do Miss Universo 2010. Ideologia essa partilhada por gente tipo Evo Morales, Lula, Dilma Rousseff, Ollanta Humala, Juan Manuel Santos, Michelle Bachelet e Cristina Kirchner, para citar os presidentes de países sul-americanos que tomam parte nos palcos do Miss Universo a cada ano. Muito atrás, Porto Rico tem duas vitórias: Denise Quinoñes (2001) e Zuleyka Rivera (2006). O resto – República Dominicana, México e Colômbia – tem um título só.
A poluição mental de Donald Trump em relação aos latinos que vivem nos Estados Unidos é coisa de seu programa de campanha, cheio de radicalismos e inconsistências verbais grosseiras a ponto de acusar imigrantes mexicanos (só eles?) de “trazerem para os americanos, estupros, drogas e crimes”. Parece comportamento de parlamentar transtornado mental do PSDB durante a votação da emenda que previa a redução da maioridade penal para crimes graves, rejeitada pelo Congresso Nacional brasileiro na noite desta terça-feira (30/6), ante gritos de manifestantes da UNE, da UBES e da União Brasileira de Mulheres, entidades aparentemente agora também contrárias às idiotices do Aprendiz Donald Trump das misses, cuja glória de Natália Guimarães em 2007 deixou-se escapar exatamente por esse comportamento suspeito.
É por essas é outras idiotices que o bom senso dos missólogos e leigos em concursos de beleza (incluindo formadores de opinião como este que vos escreve) pede abertamente: Trump, pede pra sair!

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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