Ira de Trump contra latinos corrói relação da MUO com a Univisión e deixa Miss USA 2015 sin hablar español


Concursos Miss Universo e Miss USA terão de procurar outro lugar entre o público hispânico dos Estados Unidos

Da redação TV em Análise
Com reportagem de João Eduardo Lima

Stacy Revere/Getty Images/09.06.2014


Sucessão de Nia Sanchez pode ir para a NBC Universo

Mal assumiu sua condição de pré-candidato republicano à sucessão de Barack Obama, Donald Trump, embora afastado das funções executivas da Miss Universe Organization, viu sua Trump Pageants sentir um importante baque no campo dos direitos televisivos dos concursos Miss Universo e Miss USA para o público hispânico dos Estados Unidos. Na quinta-feira (25), o presidente da Univisión Randy Falco anunciou a rescisão unilateral do contrato de cinco anos com a MUO para a transmissão de ambos os eventos. Contudo, a área de jornalismo da emissora em suas várias plataformas vai continuar a cobrir os eventos da empresa de concursos de Trump.
Pesou para que a Univisión abandonasse o barco as declarações irascivas do republicano contra imigrantes mexicanos, parcela expressiva de seu público-alvo. No entanto, Trump tentou colocar panos quentes no caso afirmando que se referia apenas aos abusos supostamente cometidos por policiais americanos de fronteira contra imigrantes ilegais que chegam pela fronteira com o México, ponto fácil de passagem de drogas e de contrabando. Não adianatou: o chileno Cristian de la Fuente e a portorriquenha Rosalyn Sanchez abandonaram os postos de co-apresentadores da transmissão simultânea em espanhol, que seria a primeira em 64 anos de história do Miss USA (51 deles televisionados). Em cadeia, Zuleyka Rivera, eleita Miss Universo 2006 por Porto Rico, também anunciou sua retirada voluntária do corpo de jurados da final televisionada do próximo dia 12, no Baton Rouge River Center, em Baton Rouge (Luisiana). Por contrato, a NBC vai permanecer com a geração oficial em inglês para 70 países e territórios.
A bordoada verbal do co-proprietário da MUO contra a comunidade latina rendeu também uma baixa importante entre os atos musicais do Miss USA 2015: o cantor colombiano J Balvin decidiu cancelar sua apresentação de reggaeton. Para seu lugar, foi escalada a cantora holandesa de música eletrônica Natalie LaRose. Craig Wayne Boyd, vencedor da temporada 7 do The Voice, e o rapper Flo Rida, previamente escalados pela organização do certame para se apresentarem, vão continuar na programação.
Noutra ponta, Donald Trump se absteve por um momento de suas atividades de campanha para tomar uma medida importante como dirigente máximo da MUO: vai processar a Univisión por quebra de contrato. À repórter Gretchen Carlson, da Fox News, o pré-candidato republicano anunciou que vai acionar a empresa por ter dito coisas negativas acerca das relações comerciais Estados Unidos-México. Para piorar: a Univisión tem como sócia minoritária a Televisa, fornecedora de porcarias para o brasileiro SBT como o defunto do Chaves e do Chapolin, novelas adultas horrendas da tarde reprisadas à exaustão e formatos de novelas infantis de algum sucesso (quando não concorrem com novela bíblica arrasa-quarteirão da Rede Record – vide Os Dez Mandamentos).
Em janeiro último, a MUO e a Univisión tinham assinado um acordo quinquenal de US$ 15 milhões pela transmissão do Miss Universo e Miss USA para o público hispânico americano. Dinheiro esse que Trump, o empresário, quer de volta para reinvestir na parceria que mantém com a NBCUniversal desde 2003. E, talvez, passar o Miss USA 2015 para as mãos da novata NBC Universo. É questão de dias.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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