A crise da Enter para a definição da sede do Miss Brasil 2015


Em 2014, concursos de misses deram prejuízo de R$ 35 milhões a empresa de eventos do Grupo Bandeirantes, que já acena com a realização do concurso na capital paulista

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/22.09.2014


Para realizar Miss Brasil 2014 no superfauturado Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, Enter teve de cortar gastos em 72%

Depois de três anos seguidos fazendo touring de sedes, o concurso Miss Brasil para 2015 terá de cortar sua cota de milhagens aéreas e de viagens Brasil afora para eleger a representante brasileira no Miss Universo. Com as recentes demissões na Band (inclusive na produção dos concursos), sua empresa de eventos, a Enter, está sendo obrigada a rever os planos para a realização do concurso Miss Brasil 2015 fora do Estado de São Paulo. Por medida de economia, para atender ao ajuste fiscal proposto pelo governo, fala-se em realizar o concurso em Ribeirão Preto. Mas dentro da Enter, já se admite que esta é uma possibilidade perdida: o aeroporto da cidade (Leite Lopes) só recebe voos regionais. O que fatalmente abre a possibilidade de realização do concurso na capital.
Com o prejuízo de R$ 90 milhões causado pela Fórmula Indy (produto do esporte), a Enter teve no ano passado um rombo de R$ 35 milhões só com o projeto Miss 2014. Trata-se de uma espécie de reação em cadeia, que se causada pelo mau desempenho dos pilotos brasileiros da categoria nas pistas, não tem que se dissociar da involução do desempenho das misses brasileiras no Miss Universo depois de 2011. Do terceiro lugar registrado em São Paulo, o país despencou para o hall das 15 semifinalistas em traje de banho em Miami, no concurso de 2014 realizado em 25 de janeiro de 2015. Viu-se um declínio anunciado do Sonho de Miss que se pretendia vender a agências e anunciantes.
Para a realização do Miss Brasil 2014 em Fortaleza, a Enter gastou R$ 250 mil. No ano anterior, em Belo Horizonte, foram gastos R$ 780 mil na organização do concurso. Na primeira edição do Miss Brasil promovida pela Enter, em 2012, na capital cearense, a empresa de eventos da Band gastou R$ 900 mil com a realização do Miss Brasil no recém-inaugurado Centro de Eventos do Ceará, àquela altura alvo de controvérsias em relação ao custo final de sua construção, tocada pela empresa Galvão Engenharia (uma das empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato) que teve um superfaturamento de R$ 122,71 milhões, conforme apontaram documentos do Tribunal de Contas do Estado divulgados pelo jornal O Povo. Os custos apontados não incluem cotas de patrocínio vendidas para a transmissão televisiva, tampouco apoios de empresas locais.
Com apenas um concurso estadual realizado sob sua responsabilidade, o de São Paulo, a Enter se prepara para o Miss Brasil 2015 debaixo de uma gama de dilemas que envolvem sua imagem, principalmente depois do imbróglio causado pelo cancelamento da Brasília Indy 300, que custou uma multa milionária paga à IndyCar, no valor de US$ 70 milhões, e o início de uma ação cível e criminal contra o Governo do Distrito Federal, do qual se espera ressarcimento. Tenta não prejudicar seus licenciados estaduais com episódios lamentáveis, como se verificou em Sergipe, a ponto de causar a destituição de seu coordenador por práticas de corrupção denunciadas por candidatas. E obrigar o pagamento de diárias em um hotel de Aracaju a funcionários do Grupo Band (os coordenadores Evandro Hazzy e Gabriela Fagliari) e o aluguel do Teatro Tobias Barreto para uma eventual transmissão televisiva, trazendo carro de externas de Salvador para tanto no dia 22 de junho. Isso, num momento de crise que resultou até no fechamento de sua emissora em Palmas, Tocantins, anulando qualquer chance de a Band voltar a promover o concurso local de beleza.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para A crise da Enter para a definição da sede do Miss Brasil 2015

  1. Pingback: Sem dinheiro para viagens, Enter caminha para organizar Miss Brasil 2015 no Anhembi, em São Paulo | TV em Análise Críticas

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