A desordem que contamina as etapas estaduais do Miss Brasil 2015


Não esperem muita coisa

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Band/Divulgação/27.09.2014


Em Fortaleza, Miss Brasil 2014 deu rombo de R$ 35 mi à Band

Com apenas duas candidatas estaduais eleitas a pouco menos de seis meses de sua realização, a 61ª edição do concurso de Miss Brasil vive um clima de balbúrdia em seus bastidores, a começar do processo de coordenação das etapas estaduais. Não há um único funcionário na Band capaz de tomar conta da demanda de informações e desinformações que se veiculam diariamente sobre que cidade vai sediar o certame. Está tudo paralisado. O pensamento do Morumbi, por ora, é só para o Miss São Paulo, previsto para o dia 16.
Mais da metade dos funcionários da Band que zelava pela lisura da realização das etapas estaduais foi mandada embora nos cortes que o grupo promoveu entre março e abril. A maioria estava envolvida na produção dos concursos promovidos pelas filiais da rede, como Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Norte, Tocantins e Amazonas, Estados que também contam com emissoras próprias da Band, os certames locais são promovidos por agências de modelos ou empresas de promoções de eventos licenciadas. É aí que reside a balbúrdia da coisa.
Na Enter, empresa de eventos do Grupo Band, a definição da cidade-sede do Miss Brasil 2015 virou tema proibido. Ninguém está autorizado a falar nada sobre o assunto. Entre missólogos, é nítido o desânimo com a coordenação liderada por Evandro Hazzy, funcionário transferido de Porto Alegre para São Paulo especificamente para tentar melhorar a imagem comatosa do Miss Brasil depois da realização do Miss Universo 2011 no país. Conseguiu alguns resultados moderados no Miss Universo de 2012 para cá, mas a coisa só involuiu. Despencou de dois quintos lugares para uma horrenda participação no Miss Universo 2014, realizado em Miami. Colocou a perder um programa de investimentos que previa a profissionalização dos concursos de beleza no país.
Embora apenas Amazonas e Sergipe tenham definido suas candidatas, o clima entre os que estão empenhados em trabalhar o cronograma de atividades do Miss Brasil 2015 não é dos melhores. A situação financeira do Grupo Band inspira cuidados, sobretudo devido ao golpe causado pelo Mineiratzen, que causou prejuízos estrondosos às emissoras envolvidas com a cobertura da Copa do Mundo FIFA do ano passado. O 7 a 1 e a queda de Melissa Gurgel entre as 15 semifinalistas da etapa de traje de banho foram o tiro de misericórdia para o Sonho de Miss que a Band almejava.
O pessimismo da Band em arcar com a organização do Miss Brasil 2015 deve levar a rede paulista a repensar sua posição para os próximos anos no trato com os concursos de beleza. De 7 pontos registrados no Miss Brasil 2003, a emissora viu sua média despencar para 2,9 no Miss Brasil 2014 (o que equivaleu a uma debandada de 61,42% no chamado rating de transmissão). Perdeu-se em venda de cotas de patrocínio o que esperava-se vender depois do Miss Universo 2011. Só com o Miss Brasil 2014, a Band teve prejuízos de R$ 35 milhões (isso sem contar os apoios obtidos na cidade-sede, Fortaleza, que não chegaram nem à metade do esperado).

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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