Assunto da semana: Gugu Liberato e seu faroeste de ideias


A difícil mensuração da última temporada de Justified por aqui

Michael Becker/FX/Divulgação

Em meio ao extrato de notícias que se tirou dos órgãos de imprensa acerca da volta do Luiz Bacci para a Rede Record, pouco ou nada se falou acerca da mostra de competência dada pelos atores Timothy Olyphant e Walton Goggins nos papéis mais cruciais de Justified (Space, 4ª, 21h45, 14 anos), cuja sexta e final temporada entrou em seu segundo episódio, Cash Game (Jogo de Dinheiro, numa tradução mais radical). Nada a ver com o mercado de negociações de apresentadores de programas populares, mas convenhamos…

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É difícil entender como uma cultura de sessão western dê às costas logo para um faroeste moderno, bem feito, bem acabado. Um faroeste onde os cavalos animais deram lugar aos cavalos possantes de caminhonetes. Linear, a trama do episódio escrita por Dave Andron e VJ Boyd chega como nova aos olhos e ouvidos de quem ainda não a acompanhou desde sua premissa inicial. Já com histórico de indicações de Primetime Emmy para Olyphant, que serviu como produtor executivo nessa fase, Justified mostra-se interessante e intrigante.

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Em tempos de True Detective e suas trocas de elenco estrelar, Justified, baseada nas obras literárias de Elmore Leonard (1925-2013) Pronto e Riding the Rap (nada a ver com o gênero musical), tem em seu ciclo final a oportunidade que os assinantes ainda não tiveram: a de conferir um western abastecido por moda country e costumes contemporâneos (no campo de figurino). Isso, apesar da rusticidade de alguns hábitos clássicos, seculares, elementares, meu caro Watson. Ou melhor, agente federal Raylan Givens.

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Para a massa acostumada a assistir Gugu e futebol de várzea da Rede Globo, Justified soaria como coisa estranha, mais que a força citada na canção do Roberto Carlos entoada à farta em seus especiais sacais de fim-de-ano. Até Clint Eastwood, 84, se obrigou a modernizar a tônica de seus westerns cinematográficos e adaptá-los ao contemporâneo (exemplo: Gran Torino, 2008, que trata de carros e não cavalos). Em resumo, vale a pena ser vista, ainda que para fugir das aberrações babilônicas da novela global. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (5/4)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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